quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pressão de ecologistas funciona: mudanças no Código Florestal adiadas

Um plantão verde pressiona e regime de urgência não é votado: vitória parcial dos ambientalistas

Conforme informações de Renata Leite, assessora de imprensa da Liderança do PV, na Câmara Federal em Brasília, o regime de urgência que estava na pauta para terça-feira não foi votado e tudo indica que também não entrará em votação hoje. Os deputados ruralistas, com o apoio da CNA e de entidades de produtores rurais, ainda com certeza tentarão colocar em votação ainda nesta quarta-feira, mas as condições objetivas dos trabalhos na Câmara dos Deputados indicam que isso dificilmente acontecerá nesta semana e também, neste ano: pelo que a jornalista que atua junto à Bancada Verde pôde sentir entre ontem e nesta tarde de hoje os ambientalistas conseguiram mudar um pouco a "cabeça dos parlamentares", toda a pressão verde valeu, tanto o plantão das entidades ambientalistas presentes no Congresso Nacional desde ontem, o grande volume de e-mails contrários a alterações radicais no Código vindos de todas as regiões e setores do país como a argumentação dos deputados do Partido Verde, como José Paulo Tóffano, e até mesmo também setores governamentais, especialmente ligados ao Ministério do Meio Ambiente, que se convenceram que é inoportuna no momento a votação de regime de urgência, pela gravidade do projeto, a sua discussão deverá ser ampliada com outros técnicos e com toda a sociedade civil, antes de qualquer decisão. Havia um clima de vitória dos ecologistas, pelo menos nessa primeira batalha. O projeto de mudanças no Código Florestal, conforme observação in loco de Renata Leite, deverá ser discutido somente em 2011, não havendo agora condições de entrar em pauta. Mesmo porque, diante da reação dos ambientalistas, esta discussão "pegaria mal" até internacionalmente para o Governo, que foi elogiado pela queda do desmatamento e pela postura no COP16 em Cancún.
De toda forma, valeu também pelo esforço da RedePV, do Movimento Marina Silva, de ecologistas e de lideranças do PV, como Maurício Brusadin, intervindo com pressões na Internet.


Ambientalistas protestam direto contra mudanças no código florestal


Em Brasília, desde ontem, ativistas do Greenpeace protestaram em frente à Câmara dos Deputados, "contra a tentativa de aprovação a toque de caixa do novo Código Florestal", que anistia desmatadores. O principal alvo foi líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP), que declarou apoio aos ruralistas na aprovação ainda este ano da lei.
Ruralistas falam   -  agora  -   em investir na plantação de florestas no Brasil...
A Confederação Nacional da Agricultura propõe que seus filiados plantem árvores para complementar seu rendimento e contrabalançar as emissões de carbono, segundo um relatório divulgado na segunda-feira.
Parte do setor agrícola brasileiro tem sido criticado por seus concorrentes internacionais por supostamente ampliarem sua produção à custa da destruição das florestas nativas.
O CNA, que representa mais de 1 milhão de ruralistas, está investindo R$ 40 milhões na realização de um estudo mais detalhado, que vai durar nove anos e deve resultar em propostas técnicas sobre como conciliar a proteção ambiental com a geração de renda.
A iniciativa pode sinalizar uma gradual mudança de perspectiva para um setor que até recentemente custava a se adaptar à crescente demanda internacional por produtos "verdes".
Plantar e preservar árvores não só contribui com a recuperação de propriedades rurais devastadas, como também permite que os produtores agrícolas diversifiquem seus negócios e reduzam os riscos relacionados ao mercado, segundo o relatório do Projeto Biomas.
Esta alternativa surgiu num momento de acirrado debate no Congresso sobre o novo Código Florestal. Se aprovada, a nova lei além do mais anistiará fazendeiros multados por desmatamento excessivo, e pode reduzir a área de conservação exigida em cada propriedade rural. Segundo defensores de um novo código, a alteração do modelo florestal "seria uma grande contribuição em longo prazo para a sustentabilidade da agricultura brasileira"....Uma inversão de discurso?...
O Brasil tem quase 5,2 milhões de propriedades rurais, a maioria delas pequenas. A Embrapa disse que já começou neste ano as pesquisas em dois biomas --mata atlântica e cerrado -- e que uma terceira pesquisa será lançada em 2011. Ela precisa ser consultada, antes de qualquer decisão. Outra razão para o adiamento.
O chamado Relatório Aldo Rebelo - em referência ao relator da proposta -  além de potencialmente comprometer a ecologia que resta no interior do país, possibilita anistia para quem ocupou indevidamente encostas e beiras de rio, prevê a diminuição da reserva legal nas propriedades (incluindo a extinção dela para os imóveis de até 4 módulos fiscais, o que pode chegar 440 hectares), e retira a proteção de áreas hoje resguardadas, como os topos de morro. Enfim, feliz adiamento para 2011...

Fontes:  Reuters
               folha.com
               http://folhaverdenews.blogspot.com/

Um comentário:

  1. Valeu a luta de todos nós que amamos a natureza do Brasil, evitando por enquanto o pior no momento. Temos que nos manter mobilizados, vem mais batalhas por aí.

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