segunda-feira, 20 de junho de 2011

COMEÇA O ENCONTRO DAS ÁGUAS EM RIBEIRÃO COM MÁ NOTÍCIA


Aquífero Guarani dura só mais 50 anos segundo especialistas

 A falta de ações efetivas para evitar a atual superexploração do aquífero Guarani pode tornar o uso da água do manancial inviável dentro de meio século. Isso aumenta a importância do Encontro das Águas, começando hoje, por iniciativa em especial do escritor, ecologista e vereador do PV Gilberto Abreu (a primeira sessão do encontro acontece hoje  -  20/6, segunda-feira no anfiteatro das Faculdades COC em Ribeirão Preto).
As informações foram extraídas da reportagem é de Gabriela Yamada e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 19-06-2011.  Pelo menos cem cidades brasileiras são abastecidas pelo Guarani, segundo a Agência Nacional de Águas.  Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), é apontada como a cidade que mais pode sofrer as consequências no futuro.
A conclusão é dos especialistas Ricardo Hirata, da USP, e Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente.
"Existe uma voracidade pelo consumo que, sem controle, pode acarretar em problemas sérios nos próximos 50 anos em cidades que são abastecidas pelo manancial", afirmaHirata, diretor do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea do Instituto de Geociências da USP.
As cidades em zonas de risco ficam nos Estados de São Paulo, Minas, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, além do Uruguai e Paraguai.
O aquífero é um dos maiores reservatórios de água subterrânea do mundo e única fonte de abastecimento público no caso de Ribeirão Preto.
Ele aponta ainda que, diferentemente de anos atrás, hoje os grandes usuários particulares são indústrias ligadas ao agronegócio, que têm capacidade de perfuração de grandes poços artesianos.
Finotti afirma que achava-se que o aquífero fosse infinito. "Hoje se sabe que em Ribeirão o consumo é 13 vezes maior que a recarga."
De acordo com o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), as  maiores cidades do Estado de São Paulo abastecidas em sua totalidade pelo aquífero são Ribeirão, Sertãozinho e Matão. Outras como Franca e cidades do sudoeste mineiro abastacem e não são abastecidas (serviço de água pela Sabesp ou Copasa), as nascentes, mananciais e rios são os abastecimentos do Aquífero Guarani, porém, também nesta região na disiva de São Paulo com Minas Gerais os agrotóxicos são uma fonte de poluição das águas subterâneas. Agróxicos que estão aliás em toda a macrorregião.
São Carlos, Araraquara, Bauru e São José do Rio Preto têm o abastecimento parcial. Outras cidades têm abastecimento menor -como Avaré (30%), Tupã (20%) e Marília (15%), segundo o Daee.


Falta de gestão sustentável e de visão de futuro

Na ampla zona abrangida pelo Aquífero Guarany as ameaças são agrotóxicos e falta de gestão ou visão

Didier Gastmans, pesquisador do Laboratório de Estudos de Bacias da Unesp de Rio Claro, afirma que o problema é a falta de gestão adequada pelas cidades que exploram o aquífero.  Para ele, não existe nenhum modelo adequado ou sustentável  de gestão no país. "O poder público é ainda o maior usuário de água subterrânea. A discussão é sobre quem vai pagar a conta no final", diz.
Luiz Amore, coordenador do Projeto Aquífero Guarani, afirma que Ribeirão é a única cidade onde a água consumida é maior que a recarregada. "Isso é resultado de uma falta de controle sobre o quanto entra e o quanto sai."

Nascentes e mananciais de água do sudoeste mineiro e nordeste paulista abastecem o Aquífero
 Ações de proteção são insuficientes
O uso das águas subterrâneas em Ribeirão Preto é anterior à denominação "Aquífero Guarani", aprovada em 1996 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
A artigo é de Pilar Carolina Villar, advogada ambiental, doutoranda em ciência ambiental pela USP, pesquisadora da rede Waterlat e especialista em gestão ambiental pela Universidad San Pablo, Espanha, e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 19-06-2011.
Os primeiros poços documentados em Ribeirão datam de 1920 e 1927 e pertenciam, respectivamente, ao Mosteiro do São Bento e à Companhia de Cerveja Antarctica Niger S.A.
A exploração das águas do Aquífero se intensifica progressivamente com o crescimento da cidade. Atualmente, há em torno de cem poços dedicados somente ao abastecimento público, isso sem contar a quantidade quase incontrolável de poços particulares em zonas de agronegócio ou lazer  e estima-se que a extração das águas supera 13 vezes a sua recarga. Dito isso, percebe-se que as ações para a proteção do Aquífero não acompanharam o ritmo de exploração de suas águas, o que gerou um sério rebaixamento no seu nível hídrico na região.
O Projeto Aquífero Guarani, implementado em 2003, permitiu profunda discussão e incentivou melhoras na gestão das águas do aquífero - sobretudo no município.
Apesar disso, ainda há muito a fazer. Os principais desafios são encontrar estratégias de gestão que realmente promovam um uso mais racional do aquífero e desenvolver um modelo de uso e ocupação do solo não só nos pontos críticos do norte e do nordeste paulista, em todas as áreas brasileiras abrangidas pelo Aqüífero Guarani.

Fontes: folha.com
              www.redepv.ning.com
              http://folhaverdenews.blogspot.com

Um comentário:

  1. O ecologista Padinha, também editor de conteúdo do blog Folha Verde News e um dos fundadores do PV, a respeito das ameaças ao Aquífero Guarani citadas nesta matéria (uso excessivo e sem controle por poços e poluição das águas subterrâneas por agrotóxicos), acrescenta mais uma da mesma gravidade: nascentes, mananciais de água, lagoas e rios do sudoeste mineiro em torno da Serra da Canastra e do nordeste paulista (entre os rios Grande e Pardo) carecem de uma melhor proteção, pois eles são uma fonte de abastecimento do aquífero. Nestes vários problemas citados o desafio maior é implantar uma gestão sustentável (equilibrando os recursos naturais e a exploração econômica) e disseminar em toda área de abrangência desta reserva extraordinária de água uma consciência do seu valor em todos os setores da população, para que o Aquífero sobreviva e ajude a vida do futuro do interior do Brasil.

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