sexta-feira, 10 de junho de 2011

Polêmico, provocativo, Dr. Sócrates vê o futebol diferente do que é hoje

 Uma bomba no futebol: de Ribeirão Preto para o mundo


Seleção Cubana pode ter Sócrates como técnico
Aqui, nos anos 80, quando ajudou a liderar publicamente o movimento Diretas Já
O ex-meia Sócrates, ídolo do Corinthians e da seleção brasileira, pode voltar a atuar ativamente no futebol. E à frente a Seleção de Cuba. O ex-jogador deve se reunir ainda neste mês com representantes deste país para discutir a possibilidade de "colaborar" com a seleção nacional de futebol da terra de Fidel, Che Guevara e do antiamericanismo. Sócrates disse que ainda não existe nada concreto. Também não informou se será treinador. "No que eu puder ajudar, eu vou ajudar", afirmou ontem.




O ex-jogador disse que a possibilidade de ir para Cuba foi levada a ele por amigos, que vão colocá-lo em contato com a diplomacia cubana.
A reportagem procurou ontem a embaixada de Cuba em Brasília, mas não obteve informações sobre o assunto.
Se fechar com o país de Fidel Castro, Sócrates terá pela frente o desafio de comandar uma seleção inexpressiva internacionalmente --o país só disputou uma Copa até hoje.
"Mas Cuba terminou a última eliminatória sem perder. Foi desclassificada, mas saiu invicta", comentou Sócrates.
O ex-atleta também reconheceu não saber "quase nada" da atual situação do futebol cubano, mas que, ainda assim, seria um "desafio interessante" dirigir a seleção.
"O futebol nunca foi o esporte predileto deles [dos cubanos]. Talvez seja isso [que explique seu fraco desempenho]", disse o ex-jogador.
Mais do que um retorno ao mundo do futebol, Sócrates, 57, vislumbra a possibilidade de se aproximar ainda mais de uma de suas paixões.
Socialista assumido, ele diz que a chance de atuar na seleção cubana tem um peso bem mais ideológico do que o do próprio futebol.
A paixão de Sócrates por Cuba não é de hoje. Um dos seus filhos foi batizado como Fidel em homenagem ao ex-ditador Fidel Castro, que comandou a ilha até 2006.
Em entrevistas anteriores, o ex-jogador disse que o país dos irmãos Castro é o "símbolo de um sonho" de igualdade de oportunidades.
Um jogador que sempre se caracterizou por um futebol diferente, original, cerebral
Não tinha nada de superatleta como o seu irmão mais novo, Raí
Uma provocação de Sócrates, fala de Cuba para criticar o futebol do Brasil?
Na concepção de Sócrates, esse sistema de Cuba pautado pela igualdade tem relações com a chamada Democracia Corintiana, período da história do time paulista em que as decisões mais importantes eram tomadas por meio do voto democrático.





Nessa época, no início da década de 80, fala ele, o voto do roupeiro do Corinthians valia o mesmo do que o do presidente da agremiação.
Dentro desse espírito de igualdade, Sócrates, jogador do Brasil nas Copas de 1982 e 1986, diz ter uma única exigência para treinar Cuba: quer ganhar o mesmo salário pago a qualquer trabalhador.
"Disso eu não abro mão. Tenho que me sentir como um cubano, receber a mesma cesta básica, as mesmas coisas que eles têm lá, que não é pouca coisa, não." 
Talvez a estratégia do Dr. Sócrates seja fazer no exterior e num pequeno país o que ele gostaria que fosse feito no futebol brasileiro e a sua tática, contrapor a um futebol cheio de estrelas e excesso de comercialismo, uma equipe com espírito quase amador, amor a seu país e guerreira.

Duas frases antológicas do Dr. Sócrates que mostram sua filosofia de jogo

"O futebol é o único esporte em que o pior pode vencer o melhor, desde que o time mais fraco jogue fechado e no contrataque com inteliugência, explorando os erros do adversário".

"Futebol não se joga com os pés e sim com a cabeça".

Fontes: folha.com
             France Press
             http://folhaverdenews.blogspot.com
 

2 comentários:

  1. Ainda nos anos 80, o nosso editor de conteúdo Padinha entrevistou Sócrates em São Paulo, quando estava chegando ao Corinthians: foi nesta ocasião que ele disse esta frase antológica: "Futebol se joga mais com a cabeça do que com os pés", para se livrar das críticas da imprensa, que o viam como magro demais (seu apelido entre os atletas era Magrão), antiatleta, boêmio, político, intelectual (formado em Medicina). Porém, ele liderou o Corinthians (e a Democracia Corinthiana) que teve uma fase de ouro e integrou a Seleção de 82, comandado por Telê Santana e ao lado de craques como Zico, Júnior, Casagrande, Careca, que talvez tenha sido a que melhor representou o futebol-arte brasileiro, embora tenha perdido a Copa da Espanha. Este é o Sócrates, um jogador e um homem que usa a contradição e que gosta de grandes desafios. Mesmo que não vá a dirigir Cuba, esta situação já provocou algo diferente na rotina do Futebol S/A de hoje em dia. Como socialista romântico, ele sempre gostou de se unir aos mais fracos contra os mais poderosos. Repete a tática agora.

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  2. O site da Carta Capital (Mino Carta) através do jornalista e amigo de Sócrates, Reinaldo Canto está reproduzindo esta reportagem daqui do FVNews lá e tb na RedePV.

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