sábado, 16 de julho de 2011

CIENTISTAS TÃO PREOCUPADOS COMO ECOLOGISTAS DO BRASIL


Belo Monte, megausinas, Código Florestal e mais problemas ainda na pauta da SBPC

A construção da usina hidrelétrica de Belo Monte foi tema do último dia da 63ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. O evento aconteceu nesta semana em Goiânia, culminando com um debate entre José Ailton de Lima, diretor da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF), e o pesquisador da Universidade do Estado do Amazonas, Alfredo Wagner de Almeida. Almeida questiona a posição do Governo na obra, que já retirou um milhão de pessoas de suas casas. Para ele, é preciso repensar o projeto, já que por deslocar tantas pessoas ele “acaba excluindo mais que incluindo”. Para ele, a hidrelétrica atinge terras ocupadas por índios que têm o direito de permanecer onde estão. Lima afirmou no debate que se alguém não quiser sair de suas terras por causa da construção da usina, “vai sair, ou por bem ou pelo Direito”...
O choro de Raoni e outros índios foi visto como emblemático na reunião dos cientistas

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia) citou como agravante uma redução de chuvas no Brasil, que deve afetar as hidrelétricas nos próximos 50 anos. “Não é possível fazer tudo o que se havia pensado, principalmente no Brasil”, disse o professor.  O pesquisador acredita que faltou um acordo do governo com a sociedade sobre a construção de Belo Monte. Ele comparou os preços de custo e a produção de Belo Monte e Angra 3: a hidrelétrica tem o custo de 20 bilhões de reais, com uma capacidade de 11 gigawatts. Cada kilowatt sai a um custo de mil dólares. Já Angra 3 custou 700 milhões e para completá-la serão necessários investimentos de 6 bilhões de dólares. A planta teria 1,3 gigawatts de capacidade, com cada kilowatt custando 5 mil dólares. “No entanto, a comparação não é justa, pois o número de horas de atuação de Angra 3 é maior que o de Belo Monte por conta da falta de água. Logo Angra 3 ficaria 2,5 vezes mais cara que Belo Monte”, disse. Para Pinguelli, a energia eólica está crescendo no Brasil, mas ainda não é suficiente. Um dos problemas apresentados pelo pesquisador está no fato de a energia vinda dos ventos ser ainda muito cara. “No último leilão de energia eólica, ela atingiu o preço de uma termoelétrica”, disse. 
Vários pesquisadores ligados a SBPC têm proposto uma solução mista, pequenas hidrelétricas conjugadas com estações de energia eólica e solar, como alternativa econômica e ecológica. A hidrelétrica com a geração termoelétrica, que é cara e poluente. Luiz Pinguelli Rosa defende que o ideal seja ao invés de complementar com termoelétrica, se faça com eólica e energia proveniente de biomassa, como o bagaço da cana-de-açúcar. 
Um público de cerca de 2.000 pessoas assistiu nestas noites, nesta semana a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que aconteceu até sexta-feira, 15, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia. Num discurso contundente, a presidente da SBPC, Helena Nader, chamou a atenção para fatos “que estão por acontecer, ou que já estão acontecendo, e que poderão causar sérios transtornos ao nosso sistema de produção científica e tecnológica e implicar prejuízos ao País e sua população também a partir de erros no meio ambiente”. Entre eles, ela citou três, a ausência da comunidade científica nas discussões do novo Código Florestal, a lei que permite a contratação de professores sem pós-graduação para o ensino superior e o corte de verbas do Ministério de Ciência e Tecnologia.
FontesAgência Brasil
              www.vermelho.com.br
             Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG
             www.ambientebrasil.com.br

Um comentário:

  1. Os cientistas são um fator de decisão em problemas ligados ao meio ambiente e deveria ser prioridade a SBPC ser ouvida quando se trata de energia, pesquisa, biodiversidade, criação do futuro da vida no país. Como está sendo feito o contrário, as pespectivas não são as melhores.

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