segunda-feira, 4 de julho de 2011

NO VIETNAN E AGORA NA AMAZÔNIA O AGROTÓXICO 2,4D

O uso do Agente Laranja na Amazônia

Grande parte das 4 toneladas de agrotóxicos apreendidas pelo Ibama semana passada, na fronteira de Rondônia com o Amazonas, é do reagente 2,4D, que vinha sendo usado para desfolhar floresta, antes do desmate completo. Só que este é um dos dois principais componentes do Agente Laranja, que fez atrocidades no Vietnã, na década de 1960. Por Jaime Sautchuk

"Na ocupação do Vietnã, as Forças Armadas dos Estados Unidos encomendaram essa arma química das empresas Monsanto e Dow Chemical, ambas americanas. O nome que se popularizou vem dos galões de cor alaranjada em que o veneno era acondicionado para demarcar diferença, por causa de seu enorme poder letal. Na guerra genocida, esse agente tinha dupla função. Uma, era desfolhar a floresta para desnudar bases da guerrilha vietnamita. A outra, ainda mais cruel, era arrasar as plantações agrícolas, especialmente de arroz, e assim privar o povo do seu principal componente alimentar. Mas, no fim das contas, o veneno atingiu todos os seres vivos, inclusive e principalmente os humanos. Matou milhões. E, quatro gerações depois, calcula-se que perto de 5 milhões de vietnamitas tenham sequelas da guerra química, com deficiências físicas e mentais.
O Ibama divulgou os nomes dos três produtos apreendidos. Além desse, há boa quantidade de Garlon 480, produzido pela mesma Dow Chemical, e o U46BR, produzido pela também estadunidense Nufarm.
Antes de entrar no caso do 2,4D, vale um destaque para esse tal Garlon 480.
Nos EUA, esse produto é vendido para algum uso no combate a plantas invasoras nas lavouras, mas com um monte de advertências. Começa por “Produto Altamente Tóxico”, em letras garrafais. E segue: “Produto Muito Perigoso ao Meio Ambiente” e “É Obrigatório o Uso de Equipamentos de Proteção Pessoal na Manipulação”.


No Brasil, o uso desses produtos é permitido por normas governamentais, todavia sob estrita normatização. Na Amazônia, há muitos registros de uso em plantações de grãos, mas em especial em pastagens para gado bovino.
Contudo, pelas normas, só pode ser borrifado em terra, de modo bem localizado e com prazo de carência para as pessoas entrarem nessas áreas em trajes comuns. De todo modo, é de se imaginar o que haverá na carne e no leite dos planteis ali criados.
Muito além disso, porém, ao aspergir esses produtos por avião, a empresa, que ocupa fazenda nas proximidades está promovendo enorme estrago. Por razões não sabidas, o Ibama mantém seu nome em sigilo. O fato é que se trata de uma vasta área da União, de preservação ambiental e de parque indígena, no município de Novo Aripuanã, no sul do Amazonas.
Ali, o Ibama descobriu a ação por acaso, num sobrevôo de técnicos naquela imensidão. Mas quantas outras estarão fazendo o mesmo? A flora, a fauna e, claro, as populações nativas não sairão ilesas disso, com certeza".

Crime biológico, humanitário e ambiental no Vietnan, neste caso agora na Amazônia

"E aí, voltemos ao Diclorofenoxiacético, o nome técnico do 2,4D, que é apresentado em solo nacional com a marca 2,4D Amina72, da empresa Atanor do Brasil, cuja base é no Rio Grande do Sul. Pelo estrago feito na floresta, segundo as fotos do Ibama e avaliações de cientistas de outras instituições do governo brasileiro, pode-se dimensionar sua potência.
Nos EUA, veteranos da Guerra do Vietnã, que manipularam o Agente Laranja para jogá-lo sobre os outros, padecem, eles próprios, de graves problemas de saúde e de efeitos danosos em filhos, netos e bisnetos.
A Monsanto, principal responsável pelo veneno, paga indenizações e responde a um mundaréu de outros processos na justiça. Refresca para os americanos. Já os vietnamitas têm amparo de seu governo.
E o ribeirinho, o indígena e outros viventes dessas áreas da Amazônia?..."

3 comentários:

  1. Abrimos espaço aqui e m vários sites de ecologia para republicar este texto-denúncia de Jaime Sautchuk, que originalmente saiu publicado em www.vermelho.org.br
    Nossa intenção, além do alerta e da denúncia, é também de clamar por atenção de nossas autoridades ambientais no Brasil para as colocações, sugestões e críticas que também vêm sendo feitas pelos produtores de alimentos orgânicos, pelos praticantes das várias tendências de agricultura ecológica ou bio dinâmica. A questão do agrotóxico em todas as regiões do Brasil é um problema da maior gravidade no meio rural, porque envolve meio ambiente, saúde da população, biodiversidade e futuro da natureza e da própria vida. Como comentou em uma de suas palestras o ecologista José Alexandre esta questão do agrotóxico não é só legislação, fiscalização, ação contra os crimes, mas também a implantação da cultura da vida e do desenvolvimento sustentável.
    No caso da Amazônia, o alcance pode ser muito grande. Tão grande como os interesses do lobby dos agrotóxicos, querendo se impor no mercado brasileiro, também através de ação no Congresso (no caso do Código Florestal) ou do financiamento na eleição de parlamentares abertos a este produto criminoso e à toda cultura de violência que vem junta com ele.

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  2. Agora no Senado, entre as questões a serem discutidas no Código Florestal, com certeza está a necessidade de que sejam ouvidos os produtores ou processadores de alimentos orgânicos e também, não só agricultores familiares mas também, dos que integram este setor da economia rural através da agricultura ecológica ou sem agrotóxicos, que no Brasil tem grandes especialistas, como o engenheiro Valdo França, de São Paulo.

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  3. Ibama flagra uso de aviões em desmatamento na Amazônia
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    KÁTIA BRASIL
    DE MANAUS

    O Ibama identificou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas.

    A terra, que pertence à União, fica ao sul do município amazonense de Canutama, na divisa com Rondônia. O responsável pelo crime ambiental ainda não foi identificado pelo órgão.

    Em sobrevoo de duas horas de helicóptero, na segunda semana de junho, analistas do Ibama observaram milhares de árvores em pé, mas desfolhadas e esbranquiçadas pela ação do veneno.

    Encontraram também vestígios de extração de madeira por motosserras e queimadas, práticas usadas para limpar o terreno. Especialistas dizem que os agrotóxicos, pulverizados de avião sobre as florestas nativas, matam as árvores de imediato, contaminam solo, lençóis freáticos, animais e pessoas.

    Anteontem, a Folha informou que o Ibama apreendera quatro toneladas de agrotóxicos que seriam usados para esse fim. Até agora, o único registro de uso dessas substâncias em desmatamentos no Estado era de 1999.

    O Ibama de Rondônia, por sua vez, afirma que, em 2008, flagrou uma área de cinco hectares destruída por herbicidas na região de São Francisco do Guaporé.

    Fonte: folha.com

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