segunda-feira, 1 de agosto de 2011

LUTA CONTRA AS QUEIMADAS E TAMBÉM A BUSCA DA VERDADE

Ecologistas como ONG Pau Brasil de Ribeirão Preto buscam mudanças nas regiões canavieiras

Você pode ler aqui parte de um excelente texto de Igor Fuser sobre a realidade do etanol e das regiões que concentram canaviais e usinas de açúcar e álcool, bem como, ter informações básicas sobre um grupo ecológico que há 23 anos vem lutando contra as queimadas de todos os tipos, em especial, em torno das áreas canavieiras: é oportuno postarmos em nosso blog e pautarmos em nosso dia a dia a luta contra as queimadas e outros problemas ambientais da produção de cana e etanol, como o vinhoto ou o lodo do bagaço. No caso das queimadas, o tema é de extrema urgencia, estamos na época da seca, o estio neste contexto ambiental leva a um aumento de doenças respiratórias, especialmente de crianças, idosos e pessoas alérgicas. Além dos problemas da saúde do meio ambiente e da população, nas regiões canavieiras é de igual importância a busca da informação verdadeira sobre a economia do etanol, também sob o ângulo da ecologia. Nesse sentido, a seguir breves trechos do artigo que analisa com propriedade este universo e depois também dados sobre o grupo ecológico sediado em Ribeirão Preto, uma das capitais brasileiras da cana, com know-how para esta luta. (Padinha)



Estas imagens mostram alguns dos problemas e das lutas nas regiões canavieiras
 Etanol: o “verde” enganador
Há um abismo entre a retórica ecologicamente correta dos defensores do crescimento acelerado da produção de biocombustíveis e a realidade dos locais onde esse boom já está acontecendo. Os maiores riscos são os impactos sobre a Floresta Amazônica e o Cerrado
Igor Fuser 
    
"Enquanto o presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmava, na abertura da conferência internacional de biocombustíveis promovida pela Comissão Européia, em Bruxelas, que não havia produção de etanol na Amazônia, os jornais brasileiros repercutiam a descoberta, três dias antes, de uma fazenda onde 1.108 pessoas trabalhavam na colheita de cana-de-açúcar em condições degradantes, análogas ao regime da escravidão. Essa fazenda, encontrada por uma equipe do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo, formado pelo Ministério do Trabalho, pertence a uma usina de produção de etanol localizada no município paraense de Ulianópolis, em plena Amazônia Legal. A conduta dessa empresa pode não expressar a realidade da agroindústria do açúcar no seu conjunto, mas chama atenção para o lado sombrio dos cultivos brasileiros ligados à expansão da demanda de etanol. O que o episódio revela, sobretudo, é o imenso abismo existente entre a retórica em favor do crescimento acelerado da produção de biocombustíveis e a realidade nos locais onde eles são fabricados.
    O Brasil é o líder mundial das exportações de etanol, com 3,2 bilhões de litros vendidos ao exterior em 2006, e caminha para mais do que dobrar sua produção nos próximos cinco anos. A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), principal entidade do setor, prevê um salto dos 17,8 bilhões de litros da última safra, finalizada em abril, para 38 bilhões em 2012. Nesse período, 76 novas usinas deverão se somar às 325 atualmente em operação, e as terras ocupadas com canaviais aumentarão de 6,5 milhões de hectares para 10 milhões. A estimativa é ainda modesta se comparada, por exemplo, com o estudo elaborado pelo Núcleo de Estudos Estratégicos da Presidência da República (NAE), que vislumbra a possibilidade de o etanol brasileiro substituir, nos próximos 18 anos, 5% de toda a gasolina consumida no planeta. Para alcançar essa meta, a produção nacional  atingiria 85 bilhões de litros, cinco vezes o volume atual.[3] Dirigentes da Única calculam o potencial de aumento em até dez vezes.
   A euforia em torno desses números astronômicos tem a ver com a explosão do interesse internacional pelos biocombustíveis, vistos como uma fonte de energia ecologicamente correta, capaz de compensar, ainda que parcialmente, a escassez de petróleo sem agravar o aquecimento global. O etanol, assim como o biodiesel, é considerado um combustível de “emissão zero”, pois o carbono que libera na sua combustão é equivalente ao que as plantas usadas como matéria-prima acumulam no seu crescimento natural. Enfim, a solução perfeita. Mas o discurso otimista da energia “verde” omite ou minimiza os impactos ambientais e sociais associados ao cultivo desses vegetais na escala gigantesca indispensável para que o etanol gere os efeitos econômicos almejados.
   No caso da cana-de-açúcar brasileira, os ambientalistas têm apontado a alta probabilidade de que os biocombustíveis acelerem a devastação de ecossistemas frágeis, em especial o Cerrado e a Amazônia"...
..."É inevitável que, onde quer que se instale, a monocultura do açúcar reproduza o modelo predatório de exploração que implementou no estado de São Paulo, o grande pólo da expansão do etanol, com 85% da produção nacional. O agrônomo Manoel Eduardo Tavares Ferreira, presidente da Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil, de Ribeiro Preto (SP), explica que, até a década de 1970, a região possuía 22% de cobertura vegetal nativa. A partir de 1975, quando os usineiros passaram a receber os generosos benefícios do Proálcool, com financiamentos estatais a juros negativos e longos prazos de carência, essa área se reduziu para menos de 3% na atualidade. O eixo da produção brasileira de cana-de-açúcar se transferiu do Nordeste para São Paulo, deslocou outros cultivos, como o gado, o tomate e as frutas, e a concentração da propriedade se acentuou. “A cultura canavieira – escreve Ferreira – avançou com voracidade sobre os campos de outras culturas rurais, e, em semelhante intensidade, o domínio das terras destinadas ao plantio da cana passou para as usinas, por força de aquisição ou de arrendamento”. Ele relata que, nos arredores da cidade de Ribeiro Preto, “os canaviais ocupam mais de 1 milhão de hectares de forma contínua, com fortes impactos sobre as matas ciliares, a biodiversidade e a produção de alimentos”. No vizinho município de Bebedouro, outrora a “capital brasileira da laranja”, o cultivo de cítricos caiu de 80% para 25% em menos de dez anos, substituído gradualmente pela cana-de-açúcar. Um relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) constatou uma queda da plantação de alimentos em 2,6% em Minas Gerais, 4,1% no Espírito Santo e e 7,6% em São Paulo – declínio atribuído ao crescimento da cana-de-açúcar no Sudeste do país. Essas cifras indicam que, ao contrário do que afirma a agroindústria do etanol, a expansão da cana tem um efeito direto sobre os cultivos alimentares"... 

Você pode se informar sobre vários outros problemas e polêmicas enfocadas da questão cana e etanol por Igor Fuser, entrando em http://www.social.org.br/artigos/artigo048.htm    


Conheça a ONG  de Ribeirão que luta contra queimadas e por nova realidade: em 23 anos, entidade fez importantes denúncias


Carolina Visotcky escreveu reportagem no site da EPTV que resume bem a ação deste pessoal: "A Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil foi fundada no dia 7 de junho de 1988 por um grupo de estudantes e profissionais liberais preocupados com questões ambientais em Ribeirão Preto. Com forte característica cultural, a ONG se dedicou a produzir eventos que tinham o meio ambiente como o principal tema. Ao longo destes anos, a instituição promoveu ações contra as queimadas, podas irregulares e contaminação de lençol freático por lixões na cidade e falta de tratamento de esgoto. Além disso, a associação também lutou por reformas no Teatro Pedro II e outros avanços culturais. Entre as conquistas está um capítulo sobre meio ambiente na lei orgânica municipal, guiado principalmente pela associação.
Atendimento
Atualmente a associação trabalha com denúncias de crimes ambientais, estudos de políticas públicas, além plantios de árvores e medidas de controle social. Segundo a diretora da ONG Simone Kandratavicius, a entidade também lida com a proteção e manutenção de patrimônios históricos municipais. Um dos objetivos é instalar um memorial da classe operária na sede da associação já que o local abrigava a União Geral dos Trabalhadores, em 1964.
Como ajudar
A Pau Brasil aceita voluntários e militantes para diversos tipos de trabalho. Atualmente a entidade precisa de pessoas para organizar a biblioteca do memorial. Além da mão-de-obra, o local aceita doações de livros sobre meio ambiente, sociologia, política e patrimônio histórico. Outra forma de ajudar a entidade é se associando e fazendo contribuições mensais. A Associação Pau Brasil fica na Rua José Bonifácio, 59 e o telefone é (16) 3610-8679".


Fontes: eptv.com.br
            folhaverdenews.blogspot.com

2 comentários:

  1. Esta postagem aqui neste blog tem o objetivo de levantar esta questão em alguns dos seus conteúdos de maior importância ou de mais urgência agora, no boom do etanol e dos problemas para o meio ambiente e a saúde da população, enfim, a ecologia na economia da cana. Este post é o primeiro, virão outros, participe desta luta.

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  2. Ecologizar a região canavieira é tão difícil e lento como tem sido no nordeste paulista, no sul e no nordeste brasileiro, nas regiões coureiro-calçadistas, o movimento ecológico e científico se fazer ouvir pelas empresas de curtumes, para cada vez mais despoluir águas e ampliar a chance de criarmos o futuro da vida.

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