terça-feira, 13 de dezembro de 2011

FRACASSO DE DURBAN DEVE ESTIMULAR LUTA DOS ECOLOGISTAS



Salvo engano, o principal saldo da Conferência de Durban, a CoP 17, encerrada neste domingo, foi marcar uma nova reunião para 2015 quando serão fixadas metas para valer a partir de 2020. Até 2015 os gigantes poluidores do planeta --os EUA é o maior deles, com emissão per capita 9 vezes a do Brasil, por exemplo-- ficam livres para adotar cortes voluntários nos despejos de CO2 na atmosfera.
Significa que o destino da humanidade ficará entregue por mais uma década a quem se recusou a subscrever Kyoto em 1997 e continuou a fazê-lo em 2011, 14 anos depois. Que garantia existe de que em 2020 assistiremos a uma guinada redentora nesse recorrente veto ao futuro? Pouca, para não dizer nenhuma.
Uma evidência: em Durban, os gigantes poluidores não aceitaram nem mesmo endossar até 2015 as metas de Kyoto --que vencem em 2012. Os países que aceitaram fazê-lo respondem por apenas 15% das emissões globais. O desfiar de datas e metas-fantasia da agenda ambiental poderia ser apenas um incômodo exercício de tergiversação diplomática não fossem as perdas e danos que estão em jogo.
Um estudo recente da insuspeita Agencia Internacional de Energia (AIE) informa que mantido o atual rítmo de emissões, o planeta alcançará em 2017 o ponto de saturação de carbono correspondente a um aquecimento de 2 graus. A ciência considera este o Rubicão térmico, a partir do qual mergulha-se numa zona de instabilidade climática incontrolável. Juntos, o calendário de Durban e a conta de chegar da AIE soam como sirenes de uma emergência.
A tentativa de comprometer o capitalismo --seus dirigentes e sua estrutura produtiva-- com o equilíbrio, ou menos que isso, com a basal sobrevivência dos mecanismos que alicerçam a vida na Terra, fracassou. O movimento ambiental e a esquerda devem extrair consequências práticas dessa aceleração da contagem regressiva. Aos primeiros conviria arguir a estratégia furta-cor, cambiante e maleável, ora abraçando-se à direita e a seus porta-vozes, ora desaguando forças no vertedouro histórico conservador, insinuando-se como a opção acima das classes, 'o melhor das duas vias'.
Da esquerda não se pode mais tolerar o laxismo ideológico diante do inferno ambiental. O tempo das mitigações esgotou. Reiterar com tintura verde as estruturas de produção dominante pouco ou nada adiará a eclosão da desordem ambiental. A alternativa ao colapso do neoliberalismo não é a volta impossível ao 'capitalismo disciplinado' dos anos 50. O recado de Bruxelas nesta 6ª feira foi claro: salvemos os bancos; à sociedade, o arrocho.
É hora de dar às consequências a sua causa. As formas de viver e de produzir que empurraram a humanidade a esse beco sem saída no plano social e ambiental devem ser chamadas pelo nome: livres mercados. E extraídas daí as consequências adequadas (Postado por Saul Leblon).

Fontes: Carta Maior

Comentário do jornalista ambiental Randáu Marques é um termômetro do momento  

Ecologista, meu velho, quando o neoliberalismo chegou, nos anos 90, eu fui alijado do jornal e do movimento verde, por ser considerado muito radical e não botar fé alguma em tratados que repassavam e repassam ao cidadão responsabilidades que eram e são do setor produtivo, por considerar que era tudo manobra para livrar os verdadeiros culpados de suas culpas e penalizar a sociedade civil nacional, internacional - que naquela época estava pronta para sair às ruas e exigir dos criminosos a reparação de seus crimes. Sem jornal e sem ongues, deixei claro que essa cartorialização do meio ambiente não daria em nada, que na hora agá os novos mecenas do clima (EUA, Canadá e Europa) sairiam de cena.  Ou seja, agora que tudo voltou à estaca zero (com o Canadá pulando fora de Kyoto), está na hora de retomarmos as ações capazes de acabar com a impunidade dos mega-poluidores e devastadores.
Abração,
RM

A agenda ambiental bateu no teto

4 comentários:

  1. Realmente, está na hora do movimento da ecologia, da cidadania e da criação do futuro radicalizarem, como analisa o jornalista ambiental Randáu Marques, com 30 anos de know-how nessa luta. Radicalizar significa refazer prioridades, criar uma estratégia de maior eficiência e táticas que levem a uma nova realidade, do ser humano e da vida. Isto é a essência do Desenvolvimento Sustentável.

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  2. No caso do Brasil, radicalizar significa também exigir das autoridades governamentais um gestão pública de ética, bom senso e sustentabilidade. Mobilizar a opinião pública para pressionar as empresas e os governos a não continuarem com os mesmos erros e limites no projeto ambiental para o país: dentro deste conteúdo, está a exigência cada vez de maior exigência de um Desenvolvimento de verdade, sustentável.

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  3. Um desenvolvimento de verdade, sustentável, no Brasil precisa eliminar loucuras como a emissão de cada vez mais CO2 na atmosfera, becom como, projetos mirabolantes e cinetificamente defasados de megausinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares. Radicalizar significa desde já implantar um programa progressivo de energias menos agressivas ao meio ambiente e à saúde das pessoas, como a Eólica e a Solar, uma vez que o Brasil, o país da natureza, tem recursos extraordinários para liderar o planeta neste setor vital para a criação do futuro.

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  4. Olá Padinha, caro Randáu Marques, espero paz em um planeta mutável, o planeta terra sustentável. Desejo que sigamos o caminho da PAZ.
    Continuemos nossa luta!

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