domingo, 19 de fevereiro de 2012

CULTURA DO CARNAVAL RECRIA O CLIMA DO TROPICALISMO NO BRASIL

Enquanto Gaviões da Fiel exaltava o mito Lula, Águias de Ouro recriou lances dos anos 70 

No país do futebol, do samba, do carnaval, também do sexo (bumbuns), da corrupção (políticos) e da violência (bambambam), o destaque maior do desfile das escola em São Paulo, além do favoritismo da Gaviões da Fiel que balançou a massa na homenagem a Luís Inácio Lula da Silva, foi a recriação do clima no Brasil à época da Ditadura (foi entre 1964 e 1986), em especial, a realidade de Sampa na década de 70, com a explosao do movimento cultural do Tropicalismo. Veja um resumo do site Uol sobre este desfile da Águia de Ouro. Quarta escola a passar pelo Anhembi do Carnaval paulistano, entrou na avenida às 2h20 de domingo para festejar uma das principais manifestações culturais do país com o samba-enredo “Tropicália da Paz e Amor: O Movimento que não acabou”, com a estréia da roqueira Rita Lee neste tipo de evento. 
A escola da Barra Funda, zona oeste da capital, entrou no sambódromo com uma comissão de frente "Tropicália, o Grande Musical", com a influência dos espetáculos da Broadway, misturada a tambores da cultura afro-brasileira. O primeiro carro alegórico, "Tropicália de Ouro - Brasil: País Tropical", abriu o desfile com a águia que é símbolo da escola e também trouxe para a avenida os primeiros tropicalistas, na figura das tribos indígenas que habitavam o país na época da chegada dos portugueses. A "Garota de Ipanema" Helô Pinheiro era o grande destaque da alegoria. De gosto duvidoso e potencial para causar polêmica, o segundo carro, "Antropofagia: Devoração, Tropicália, Adoração", lembrou o endurecimento do regime militar e trazia um destaque sendo enforcado, representando o jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto enquanto estava detido pelo DOI-CODI.
Há menos de um mês aposentada da carreira de cantora de shows, Rita Lee entrou na pista do samba no terceiro carro alegórico, "Os Festivais da Música Popular Brasileira", ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Cauby Peixoto. Gil chorou o tempo todo, de pura emoção, comovendo a platéia.Enquanto aguardava a hora de entrar na avenida, Caetano comemorou a oportunidade de encontrar artistas como Rita Lee, Ângela Maria, Cauby Peixoto e Roberta Miranda, e mostrou-se empolgado com a participação no desfile. "Estou feliz, ainda mais que é em São Paulo. O Tropicalismo se deu em São Paulo", disse o músico baiano.
O enredo ainda prestou homenagem ao Cinema Novo e a um de seus principais expoentes, o diretor Gláuber Rocha, morto em 1981, representado pelo cineasta Fernando Meirelles, diretor de "Cidade de Deus", e seu filho Kiko, no quarto carro alegórico. Meirelles e o filho filmaram a passagem da Águia de Ouro do alto do carro, que contava com dois telões para as transmitir as imagens.

  • Reprodução O segundo carro alegórico da Águia de Ouro, "Antropofagia: Devoração, Tropicália, Adoração", fez referência ao jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pelo regime militar, com um destaque que era enforcado durante o desfile


    Tortura e morte de Herzog marcou época

    A beleza da corinthiana Sabrina Sato na homenagem a Lula/Gaviões da Fiel


    Diego Figueiredo não quís participar e foi prá Bahia no trio com Margareth Menezes

    Faltou no Tropicalismo referência à Sócrates e também à luta pelas Diretas Já

    Recém-eleita Rainda do Bumbum preferiu curtir praia de nudismo do que desfilar na Águias em São Paulo

    O Carnaval e mais ainda os desfiles de escola de samba são também a cultura indígena do Brasil
A bateria do mestre Juca veio fantasiada de hippies dos anos 70, com perucas black power e calças boca de sino. Com fantasias decoradas com fitinhas do senhor do Bonfim, as baianas trouxeram a fantasia "Sincretismo Religioso" e homenagearam a mãe de Caetano Veloso, Dona Canô, e a mãe de santo Menininha do Gantois. O primeiro casal de metre-sala e porta-bandeira, Davi e Fernanda, prestou homenagem ao artista plástico Hélio Oiticica com a fantasia "Tropicália, uma Explosão de Cores". O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Alex e Verônica, teve os festivais da MPB lembrados em suas fantasias. O terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Kauãn e Liliane, representou a influência do folclore na Tropicália, com fantasias multicoloridas e cheias de fitas. O último carro levou à avenida o "Cassino do Chacrinha" e teve como destaque a cantora Wanderléa, além de sósias do próprio apresentador e de cantores como Tim Maia e Elza Soares. Com o tempo apertado, a escola, que ainda ocupava quase toda a avenida aos 59 minutos, teve que correr para terminar o desfile dentro do tempo permitido de 65 minutos. A correrira prejudicou a evolução, causou tumulto no fim do desfile e pode custar pontos à escola. O cronômetro, no entanto, ainda marcava uma hora e cinco minutos e não ficou claro se a escola estourou o tempo limite. "De toda forma, estourou os limites do tempo, recriando via a cultura do samba a realidade demais de 30 anos atrás no país, realidade maluca mas muita criativa e também de muita batalha e de muita beleza ou emoçao da vida", comentou o editor deste blog Folha Verde News, Padinha, que escolheu a Águia de Ouro para torcer, por causa da "importância política e cultural do Tropicalismo e da amplidão do seu enredo, algo que vale a pena apesar da bobeira geral que é o carnaval".

Fontes: www.uol.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

3 comentários:

  1. Em contatos pessoais, também por e-mail, no Facebook, através de notícias na Internet ou de comentários na mídia em geral, o que se pode perceber que a maior parte das pessoas com consciência de cidadania ou de ecologia preferiram ficar fora do Carnaval, optando pela natureza neste feriado. Nem precisa ser uma praia de nudismo ou uma tribo indígena prá pessoa religar suas energias na parada para o Carnaval.

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  2. Outra opção foi o esporte, muita gente malhou ou nadou, jogou bola, tênis, fez caminhadas e até participou de lances radicais, como asa delta. Uma terceira via nesta Carnaval foi participar da festa de rua com uma mensagem crítica sobre a realidade, como é a tradição dos blocos carnavalescos de Brasília.

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  3. Houve ainda uma quarta tendência, que foi a do retiro espiritual (parece que esta foi a opção da cantora Gal Costa, que fugiu do desfile da Águias de Ouro, mesmo com o tema sendo o Tropicalismo, do que ela foi um ícone): muita gente preferiu fazer um jejum da festança e guardar energias para uma comunicação via diferentes religiões ou alternativas com Deus. Até no Carnaval.

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