quarta-feira, 30 de maio de 2012

ARTISTA QUE TRANSFORMOU O QUADRINHOS EM ARTE ROUBADO EM SÃO PAULO

Dentro do clima de violência atual palestra de Art Spiegelman acaba virando um BO policial

Jotabê Medeiros, do jornal O Estado de S.Paulo, foi um entre dezenas de jornalistas dos mais variados veículos da mídia brasileira e internacional que estavam cobrindo o que seria um evento cultural de muita expressão e acabou se transformando também em mais um Boletim de Ocorrência de furto: "Foi uma vergonha muito grande que a gente passou", disse por telefone o produtor cultural Paulo César Oliveira ao blog de ecologia Folha Verde News sobre a palestra que virou mais um incidente crtiminal, "coisa típica da atualidade e não só aqui de Sampa", relatou Paulo César. Ele foi ao evento para conhecer o autor sueco, que também viveu e produziu na Alemanha e é naturalizado norteamericano, que conseguiu elevar a história em quadrinhos contemporânea ao status de arte: "A imprensa, as rádios, TVs e sites nem vão falar das propostas de Art Spiegelman mas que ele teve seu laptop de trabalho furtado em palestra em São Paulo, este incidente pegou muito mal pro Brasil, Art chegou feliz e saiu muito triste do local".
O cartunista Art Spiegelman, ganhador do Prêmio Pulitzer em 1992, teve o seu laptop Apple furtado antes da palestra que faria  no 4.º Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural, no Teatro da PUC, em São Paulo (o históricoTuca). O fato interrompeu o evento, que contava com a presença de autores e intelectuais de vários países. Um homem se fez passar por técnico e subiu ao palco, trocando o computador por um gravador. A polícia registrou boletim de ocorrência. "Estou morrendo de vergonha. É a primeira palestra dele no Brasil, imagine a impressão que ele vai levar daqui", disse Deyse Bregantini, organizadora do congresso aos repórteres. O cartunista aceitou usar um backup (uma gravação que os organizadores haviam feito da palestra num outro notebook) e aceitou meio a contragosto ir até a delegacia registrar o furto de seu computador. "Se eu tivesse previsto o futuro eu não teria vindo. Todas as minhas informações estão no computador, desprotegidas", disse ao final do encontro. Mas durante a sua palestra manteve a calma e passou muitas informações de interesse para que se dedicam ao quadrinhos, à arte, à literatura e às comunicações. Mas ao final, Spiegelman nem autografou os livros da plateia e deixou o Tuca cabisbaixo. Talvez não esperasse vivenciar esta aventura cultural à brasileira logo na sua primeira noite em São Paulo. (Padinha)

Art Spiegelman chegou ao Tuca alegre mas saiu rapidamente e cabisbaixo

Um dos seus quadrinhos e personagens típicos

O seu estilo, cartuns e ilustrações marcam a arte contemporânea

Faz 20 anos que ganhou o Prêmio Pulitzer com o livro Maus
Um artista contemporâneo de muito valor, visto por Jotabê Medeiros

O sobrenome do cartunista Art Spiegelman quer dizer, em alemão, Homem do Espelho. Nada mais apropriado, considerando-se que toda sua obra em quadrinhos é vertiginosamente autobiográfica, um olhar para dentro da sua própria condição. Com uma inseparável piteira com um cigarro eletrônico nas mãos (à base de vapor de nicotina, com uma luz azul na ponta usada para parar de fumar), o carismático cartunista já dominava a cena cultural do encontro - embora entre outros convidados figurassem ninguém menos do que o escritor Gay Talese e o historiador Robert Darnton. Tradicionalmente avesso à imprensa, conversou animadamente com todo mundo e falou de seus projetos - ainda com seu sketchbook na bolsa mesmo em eventos sociais, como anteontem. Criador da ultra premiada série Maus (iniciada em 1986), na qual narrou a experiência de seu pai, Vladek, prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz durante a 2ª Guerra, ele disse que não pretende comemorar os 20 anos do Prêmio Pulitzer que ganhou com o livro (em 1992).
As palestras de Spiegelman se baseiam numa série de conferências que tem dado nos Estados Unidos, batizada prosaicamente como What the %$#! Happened to Comics. É algo na linha aula-show de Ariano Suassuna, e o show continuou na manhã de ontem. Durante palestra na Editora Abril, ele debulhou o métier. “Desculpem se alguns de vocês são editores, mas editores geralmente são idiotas”, disse à plateia. Ele confessou ainda que acabou le mesmo também se tornando editor de HQs por um motivo prosaico: “Cansei de ficar mandando os outros desenharem pênis menores”. Ele explica que, historicamente, os comics se originaram como uma diversão superficial, erotismo ou até vulgar para públicos massivos, o que incluía adultos semiletrados. Nesse período, a revista Mad, em sua opinião, cumpriu um papel fundamental na história dos comics, nos anos 1960, com um nível de consciência mais elevado. Atualmente, essa visão mudou radicalmente: o que era basicamente divulgado por meio das tiras de jornais migrou para formatos diversos em forma de romances gráficos, e os artistas dos comics adquiriram status de “arte superior”. O sarcasmo parece ser uma das principais moedas de troca de Spiegelman. Mas ele defende uma tese de que os quadrinistas vivem uma era de “neo sinceridade”, na qual os autores já podem se manifestar para além da ironia e afirmar seus princípios e suas crenças por meio dos quadrinhos. “Tudo que eu sei aprendi dos quadrinhos. Aprendi a ler com o Batman, tentando entender se ele era um cara bom ou mau. Tudo que sei sobre sexo aprendi contemplando Betty Boop e Veronica. Por outro lado, tudo que aprendi sobre feminismo veio de Little Lulu. Economia, aprendi com o Tio Patinhas. Filosofia, do Minduim. Política, com Pogo. Estética, ética e tudo mais veio da Mad”. Art Spiegelman, ganhador do grande prêmio de Angoulême 2011, é publicado no Brasil pela Companhia das Letras e o incidente policial afinal não neutralizou totalmente a importância da sua comunicação cultural em nosso país.

Fontes: http://www.estadão.com.br/
             http://folhaverdenews.blogspot.com/


4 comentários:

  1. A palestra, o estilo e o trabalho cult de Art Spiegelman são um acontecimento do maior valor e o incidente policial apenas mostra a violência atual também no Brasil, não é muito diferente disso o dia a dia em Nova Iorque, onde hoje ele vive, ou na Europa, onde iniciou a sua carreira de muito sucesso comoi cartunista e autor de romances gráficos.

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  2. De toda forma, o roubo do seu laptop criou um suspense e uma situação dramática típicos dos quadrinhos, mas alerta os brasileiros, agora que estamos às vésperas de eventos internacionais como a Rio+20 da ONU no Rio de Janeiro ou a Copa do Mundo aqui no país do futebol (e de muitos ladrões)...

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  3. A revalorização dos quadrinhos e a sua transformação em obra de arte (em plena era da civilização da imagem) é algo também necessário na vida cult para derrubar mais um tabu na arte e na cultura da atualidade.

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  4. Aqui na equipe do blog de ecologia e de cidadania temos um artista plástico que é cartunista e criador de estórias em quadrinhos, o nosso parceiro Aguinaldo Lazarini: ele com certeza, assim como todos os criadores e produtores desta arte, toda uma nova geração, serão beneficiados pelo avanço conseguido por Art Spiegelman,um mito cult do Século 21 (mas que não escapou ileso da realidade de Sampa)...

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