quarta-feira, 9 de maio de 2012

CÁSSIO FREIRES ENTREVISTA PADINHA QUE EDITA ESTE BLOG

A liberdade de informação é fundamental aqui, agora e este é um dos destaques da entrevista

O jovem radialista e chefe de reportagem da Rádio Imperador AM de Franca, emissora de alcance regional, faz o 3º ano de Jornalismo na Universidade de Franca (Unifran), mas atua com comunicação desde garoto: para um trabalho agendado pelo Professor de redação jornalística, Fábio Santos, Cássio Freires de Farias tomou a iniciativa de entrevistar Padinha (que diariamente edita informações de ecologia, cidadania, atualidades e esportes neste blog, Folha Verde News) com a perpectiva de levantar a discussão sobre a profissão do repórter, como está o trabalho atualmente em jornalismo, por aqui no interior e em todo o país, ouvindo o nosso editor, que tem uma trajetória profissional de quase 40 anos neste setor e também em outras áreas da comunicação, como ficção em TV e no cinema, roteiros, trabalhos com palavras e com imagens, até performances, como a que está planejando fazer sobre a não-violência na Rio+20. A entrevista termina discutindo a violência de hoje, contra os próprios jornalistas também, como um sinal dos tempos, como um siuntoma da realidade de agora no Brasil e no planeta.

Aqui, Cássio Freires fazendo locução numa web rádio de jovens radialistas


Padinha no momento em que entrevistava Marina Silva em uma viagem pelo interior
Cássio Freires: -Quem é o Padinha?
Padinha: - Um guerreiro na vida cultural, desde garoto, passou por muitas dificuldades quando bem jovem e amadurecendo, descobriu a não-violência, a ecologia e neste processo, valoriza o seu lado criança, em busca de conseguir ser humano, ajudar a mudar e avançar a realidade, a partir de sua própria vida também. Padinha é o Antônio de Pádua buscando a energia pura da criança na vida agora.

- Vamos registar agora aqui um  resumo do currículo, das atividades profissionais do nosso entrevistado.
Antônio de Pádua, profissional de comunicação premiado e proibido, Padinha, deu uma virada em sua vida: depois de ser premiado quando ainda garoto em um dos já históricos festivais de cinema do JB no Rio, em 1969 (menção do júri, filme “Negra Vida Negra”), venceu na década de 70 o Festival Nacional da TV Cultura com a telepeça de sua autoria “HappyEnd”. Pela Blimp Filmes participou da criação e dos primeiros programas do Fantástico, do Globo Repórter e Vila Sésamo, mas até por volta de 1986 teve 16 programas de TV paralizados pela Censura da época ditatorial, além de 4 prisões políticas, 3 dos seus curtas-metragens foram não só proibidos mas literalmente destruídos pela repressão, sendo que ganhou também um festival nacional de roteiros na ainda Embrafilme, mas foi impedido pelos órgãos repressores de receber seu prêmio, que seria a realização do seu primeiro longa-metragem “Fim de Semana no Terceiro Mundo”, que atualizava e popularizava a linguagem do Cinema Novo, de Glauber Rocha. Até os originais e cópias do roteiro estão desaparecidos até hoje. Além dos documentários para o Globo Repórter e Fantástico, Padinha atuou em jornais (JT e Diário Popular) e rádios (Band, Cultura) mas foi na criação, roteiros e direção de imagens que mais se dedicou: dentro da sua proposta de ficção, sempre também fazia documentários jornalísticos, fundamentando a ficção na realidade. Foi considerado por críticos e profissionais de TV e de cinema como um “fenômeno” naquela fase da vida brasileira, em termos de criatividade com a criação de imagens. Entre estes estão os críticos Sábato Magaldi e Jéfferson Rios, alguns dos principais produtores de TV Antônio Abujamra, Fernando Faro, Claúdio Petráglia, Guga de Oliveira (irmão e principal assessor de Boni), mas teve a sua trajetória profissional brutalmente paralizada. Voltou para o interior definitivamente em 1990, onde assumiu a luta pela ecologia (edita atualmente um dos mais acessados blogs de ecologia do país, com alguma repercussão internacional, Folha Verde News), tendo trabalhado também com quadrinhos e como repórter de jornais, rádios e TVs. Faz quase 30 anos que não bebe nem fuma, superou as drogas comuns na época ao virar vegetariano e se dedicar à não-violência e ao esporte como lazer, sendo hoje um futebolista master, o que ajudou Padinha a recuperar a saúde e energia para lutar pelo Desenvolvimento Sustentável, o equilíbrio estratégico entre o aumento da produção econômica e a defesa da ecologia, que em suma se integra ao movimento da criação do futuro do país, da vida: “Se nós desta geração que invade o Século 21 não mudarmos a realidade e criarmos o futuro, não existirá amanhã, no país, no planeta”, costuma dizer Padinha.

-Quais são as suas atividades atualmente?

- Lutar via o blog Folha Verde News, que também tem o sentido de vivenciar a liberdade de imprensa, a livre expressão na web, no blog, no Facebook, me animam para a luta cultural, política e ecológica, uma ação de cidadania e jornalismo juntos num lance só. Como lazer pratico futebol com veteranos e agora para a Rio+20 vou fazer uma performance Não-Violência X Fim do Mundo, que mistura ecologia com futebol, para popularizar a luta socioambiental, também pretendemos discutir a violência com a comunidade das favelas no Rio, como no Morro do Alemão.

-Na área profissional você defende o que?

- O mais fundamental é a liberdade de informação, de expressão, não só porque fui vítima por 25 anos da censura ditatorial e sim porque ser livre faz parte da condição humana de vida que a gente busca: enfim, em resumo, a luta pela natureza e pela liberdade. No blog, em dois livros de poesia contemporânea que estou preparando (com novidades de linguagem, creio) e talvez na volta à TV ou ainda ao cinema, encerrando minha trajetória por onde comecei. Creio que ainda estou no meio do caminho, tenho saúde para mais meio século de luta.

-Qual análise que você faz dos profissionais da comunicação atualmente?

- Dentro da estrutura atual de sociedade de consumo, em geral, houve uma queda na intensidade de informações e criatividade na comunicação. Porém, com as novas tecnologias, a abertura da Internet e as novas gerações buscando novos caminhos, pode ser que consigamos um avanço, em todas as áreas atualmente hoje tudo está muito comercial, consumista, imediatista, na mídia, nas artes, porém, há também flashes de muita inteligência em todos os veículos de comunicação, isso que salva, no geral, prevalece a mediocridade prá ser sincero. E predominam os lobbies, os megainteresses e isso tudo polui e enfraquece a comunicação. Vai daí que recoloco o valor da liberdade, mais do que nunca agora, para romper com os erros e os limites da realidade de agora.

- Como você define um bom comunicador?

- O que consegue um equilíbrio entre a emoção e a inteligência, também, entre uma linguagem renovadora ou nova mesmo com uma mensagem positiva para mudar e avançar as pessoas, a realidade, a vida.

- Temos eleições esse ano, qual avaliação que você faz do cenário político em Franca?

- Mesmo afastado da vida partidária, considero ainda o PV a melhor alternativa por aqui e em geral, no país todo. No caso de Franca, a proposta de lutar por um desenvolvimento sustentável fortalece muito a candidatura de Cassiano Pimentel, pelo PV. Eu quando o conheci, há uns 25 anos ou mais, ele era ecologista e ainda não era político do PT, agora voltou à origem. Drª Graciela é uma liderança importante de cidadania. No mais, prevalece a mesmice e até a mediocridade.

- O que precisaria ser melhorado por exemplo aqui na cidade?

 - Sistema público de saúde, trânsito, diminuição do índice de violência, aumento do mercado de empregos para os jovens, mais alternativas culturais, transformação da cidade num pólo internacional de verdade, ela exporta calçados, café, mas seu aeroporto está fechado, Franca pode ser uma cidade top de linha do interior brasileiro, uma porta para o mundo. O primeiro passo para isso é uma gestão de desenvolvimento sustentável, corrigindo os problemas que citei no começo, aumentando as chances de criarmos todos juntos o futuro por aqui, com novas tecnologias e com aquela velha alma de ir à luta pelo melhor para todos.

- Jornalista crítico as vezes acaba sendo excluído de diversos grupos , o porquê dessa situação ? O jornalista deve seguir a sua ideologia ou ir a onde as "ondas vão" (ser uma Maria vai com as outras)?

- Sem o enfoque crítico, o jornalismo fica medíocre, isso quando não se avilta, ser apequena, se vende a outros interesses: a função de buscar a verdade e comunicar a informação da melhor forma é uma missão. Os mais avançados profissionais em todas as áreas destoam do padrão comum, têm um grau a mais de exigência. No jornalismo, mais ainda, a informação pode mudar as pessoas, a realidade. E dá para ser crítico com educação, com diplomacia, sem violência verbal.

- Nos últimos meses estamos tendo conhecimento sobre a morte de diversos jornalistas, cada vez mais, como você avalia essa questão?

- Isso sinaliza o valor da profissão do repórter, em busca da verdade, que pode mudar tudo. Há megainteresses em manter tudo como está. Além da liberdade e da coragem, existe a ética, essa profissão tem muita grandeza, muito alcance. A morte de tantos jornalistas em tudo quanto é lugar demonstra também o aumento da violência cada vez maior hoje em dia, este é o ponto central para uma nova estrutura de vida.

Fontes: Unifran
              http://folhaverdenews.blogspot.com/

4 comentários:

  1. O nosso editor disse à equipe aqui do blog, quando editávamos esta entrevista, que Cássio Freires e muitos outros jornbalistas da nova geração representam uma esperança de avanço da profissão repórter no páis, também por aqui no interior.

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  2. O avanço do jornalismo e por outra, da liberdade de informação, seja em veículos da grande mídia ou na Internet, é o canal para a cidadania mudar a realidade atual e criar o futuro do país, do planeta: este é um dos princípios de ação do nosso blog de ecologia.

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  3. "O único valor do meu know-how" de comunicação é transmitir a importância da liberdade de informação e da luta cultural para mudar e avançar a realidade do país e do ser humano hoje em dia, quando cada vez mais aumentam mais os problemas como da violência, de todos os tipos, em todos os setores da vida", falou Padinha, que se coloca na entrevista como um guerreiro que usa a arma da não-violência.

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  4. Ambientalista na região de Jaú, cidade dos calçados femininos, José Almeida Ribeiro, Zezão, enviou e-mail sobre a entrevista de Padinha a Cássio Freires: elogia a matéria e sugere que na puta duma implantação de um desenvolvimento sustentável em Franca não se esqueça de dar prioridade e verbas de verdade para os problemas de meio ambiente, como a poluição da água pelos curtumes e a opção de transporte coletivo sem o uso de combustível poluente do ar, isso, para melhorar o índice de saúde, "sem precisar de ser o drama que é hoje aí, aqui e em quase todo o lugar, temos que diminuir a incidência de doenças". Boas sugestões, abraços e participe sempre do nosso blog, Zezão. Paz aí em Jaú.

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