sexta-feira, 18 de maio de 2012

DESPOLUIÇÃO DA LAGOA DE PAMPULHA GERA POLÊMICA E EXPECTATIVA



Polêmica, revolta de especialistas e da população, crônicas, notícias, críticas, menos despoluição

No ano que vem Belo Horizonte será uma das sedes da Copa das Confederações e depois em 2014, da Copa do Mundo de futebol, eventos internacionais com grande potencial de turismo e de mídia, talvez por esta razão, estes eventos têm sido colocados como pontos finais para a tão sonhada despoluição da Lagoa de Pampulha, um símbolo da natureza em meio ao crescimento urbano da capital de Minas Gerais. Padinha, editor do nosso blog de ecologia e de cidadania, Folha Verde News, tem ido constantemente a BH e procura captar como está na realidade a possibilidade de se despoluir ou não esta lagoa, que não pode ser vista somente como paisagem, sendo também um fator de saúde (oxigenando o meio ambiente nas épocas mais secas) e de lazer natural para a população, poderia voltar a ser uma fonte de alimentos (peixes) como em décadas passadas, antes do aumento do espaço urbano e das fontes de poluição das águas, dos córregos, das nascentes do lago. A despoluição da Lagoa de Pampulha não pode ser apenas para inglês ver, questionava matéria da repórter Flávia Ayer, do jornal Estado de Minas há quase um ano quando a despoluição era muito debatida nos meios de comunicação e nas ruas de Belo Horizonte. Ainda agora recentemente, outras notícias, como nas rádios como Guarany, Itatiaia, Inconfidência (que abrem bastante espaço na programação para jornalismo) falavam de operários recolhendo lixo das águas da barragem (trabalho sem efeito diante do volume de detritos e da ausência de tratamento dos esgotos, segundo técnicos ouvidos nas reportagems). Vez por outra, mutirões de limpeza e de cata de lixo são feitos por iniciativa de ecologistas e líderes de cidadania junto com frequentadores da Pampulha, sinalizando a vontade da população de vivenciar um dia o renascimento da lagoa símbolo da cidade. As autoridades do município e do governo estadual por sua vez sempre afirmam que não há recursos nos cofres públicos para limpar aquele que deveria ser o principal cartão-postal da ecologia da cidade na Copa de 2014. A promessa oficial é tirar 95% do esgoto da Lagoa da Pampulha e torná-la apta à prática da pesca e de esportes náuticos até o mundial de futebol. Mas, até agora, ao contrário das obras de mobilidade, o Comitê Executivo da Copa em BH ainda não conseguiu verba para desassorear e tratar as águas da barragem, o que demandá cerca de R$ 100 milhões em investimentos. A prefeitura pleiteou recursos junto ao Ministério do Turismo e tenta também negociar com Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Houve nesse meio tempo reuniões com a Presidente Dilma Rousseff, que viveu e diz amar a cidade, com o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, que anunciou a intenção da instituição em investir 6 bilhões de dólares nas cidades-sede da Copa, inclusive, BH. Mas o foco são projetos de mobilidade urbana, ações em favelas e estudos técnicos. No entanto, o presidente do Comitê Executivo da Copa em BH, Tiago Lacerda, esboçou o interesse em buscar financiamento para a despoluição da Pampulha: “Não temos os recursos. Pensamos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas eles não liberam verba para manutenção. Pedimos recursos ao Ministério do Turismo, mas, a resposta nnão foi oficializada, outra opção seria o BID, é um problema difícil". Em entrevistas noe jornais, rádios e TVs há cerca de 40 dias, Tiago Lacerda afirmou que a Lagoa da Pampulha seria tratada como prioridade entre os projetos da Copa. Mesmo sem verba ainda garantida. O que se diz hoje é que a equipe técnica da secretaria teria recebido 10 propostas de interessados que responderam ao edital, o poder público busca tecnologias de oxigenação para tratar a água da barragem. Uma destas 10 empresas que demonstrou interesse em participar é a representante do barco gerador de ozônio (tecnologia usada para a descontaminação de uma baía em Miami, nos Estados Unidos, depois também na Nicarágua). Já houve moradores de BH fazendo a proposta para a Prefeitura cobrar imposto especial das mansões que cercam a parte mais valorizada da Lagoa de Pampulha, captando assim recuros para a despoluição, o que com certeza dará retorno também em qualidade de vida a todos e maior valorização ainda aos proprietários destes imóveis. De toda fora, no site do Estado de Minas, o idealizador do Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Apolo Henringer, acredita que o dessassoreamento e a tentativa de tratar a água da lagoa se resumem em um projeto para “inglês ver“. “Com a proximidade da Copa, vão é maquiar a cidade. Vão gastar milhões na Pampulha, sendo que é o que precisa mesmo é fazer a intercepção de esgotos nos afluentes da lagoa, principalmente nos córregos Sarandi e Ressaca”. Esta também é a opinião de ecologistas e de ativistas do PV (Partido Verde), que chegaram a promover atos públicos na periferia, para chamar a atenção sobre a poluição dos córregos, que é o caminho natural para uma despoluição de verdade da Lagoa de Pampulha.

Crônica de Agonia Anunciada, de Geraldo Wilson Fernandes, no Ecodebate

Hoje, estamos podendo ver no site que tem postado sempre temas de interesse ecológico e da luta pelo desenvolvimento sustentável, o Eco Debate, um texto que enfoca a questão com tristeza fúnebre.

"Há 12 anos publiquei um artigo npo jornal O Tempo que denunciava o lamentável estado agonizante do maior símbolo de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha. Perdoe-me os que preferiram a Serra do Curral como o símbolo maior do belohorizontino, mas ela não pode ser mais vista em nosso “triste horizonte”: perdeu-se por detrás do concreto e por meio da ação destruidora do fogo. Mais de uma década após minha denúncia neste jornal, a Lagoa da Pampulha, inaugurada em 1938, continua em sua agonia. Quando reconstruída em 1957, após seu rompimento em 1954, ela tinha 260 ha, 18 milhões de metros cúbicos de água e 21 km de perímetro, além de uma profundidade média de 16 metros. Resultado de políticas públicas (ou da falta delas) equivocadas nosso maior patrimônio foi permanentemente descaracterizado. Lamentavelmente, ao invés de uma hoje temos pelo menos três lagoas! Três lagoas de muito pior qualidade e beleza em decadência. Uma das “lagoas” tem sua orla para o turista ver, com fiscalização, limpeza e paisagismo. Nesta lagoa são dadas partidas às maratonas e onde os shows são realizados. É aquela onde se investe algo, que é mostrada quando se faz propagandas da cidade. Mas ao mesmo tempo é onde se quer verticalizar. Outra é uma lagoa que não pode ser considerada como tal, pois foi descaracterizada pelo assoreamento, acumulo de lixo, ratos e plantas invasoras. Esta está abandonada à sua própria sorte e nunca é mostrada aos turistas. É a lagoa feia! Quando por ela passamos de carro ou bicicleta nunca paramos para apreciá-la, pois não é mais uma lagoa. Assemelha-se mais a um brejo sujo e malcheiroso e à noite fica entregue a escuridão e aos perigos da noite de Belo Horizonte. Esquecida, a cada dia se deteriora mais sem que haja quaisquer iniciativas para sua recuperação. A terceira, raramente percebida é a água que representa a alma da Lagoa da Pampulha. O tempo passa e hoje temos uma lamina fina e irrisória de água contaminada, suja e de cheiro desagradável. Uma alma apodrecida! Seu brilho reluzente e colorido ao final das tardes de Belo Horizonte não retrata seu conteúdo. Para que haja o resgate e salvação do corpo e alma deste monumento maior de Belo Horizonte, não há necessidades de mais informações ou de reuniões politicamente inócuas. Há necessidade de ações concretas orquestradas por administradores competentes e de visão que entendam do Belo, e que consigam projetar para um cenário futuro uma Belo Horizonte onde se valha a pena viver. Ações isoladas ou mesmo urgentes não resolvem dada a magnitude do problema. Já se perdeu em Belo Horizonte quase tudo de que a cidade outrora orgulhou, que a deu este nome singular e que atraiu um povo feliz com sua cidade. Perdeu-se os horizontes da Serra do Curral e agora ampliam-se os impactos ambientais em vários pontos da cidade um deles o mais nobre, a Pampulha. A nós cidadãos culpados pela má administração e inércia restará dividir um espólio: as três lagoas da Pampulha", conclui a crônica em tom de desabafo, de Dr. Geraldo Wilson Fernandes (especialista em Ecologia Evolutiva & Biodiversidade, ICB/Universidade Federal de Minas Gerais). Uma ou três Lagoas de Pampula e pelo menos por enquanto, nenhuma despoluição.

Última esperança?

Agora, com a chegada da Rio+20, que fará o planeta todo através da iniciativa da ONU olhar para a questão ecológica em todo o país, também no interior, embora não se fale com todas as letras da Lagoa da Pampulha, o Poder Executivo mineiro conseguiu aprovar na Câmara Municipal projeto importante na área de saneamento e que pode trazer bons frutos também para a Lagoa de Pampulha. Os vereadores aprovaram projeto de lei, assinado pelo prefeito Marcio Lacerda, que autoriza o município a contratar empréstimo no valor de 60 milhões de dólares do Banco Interamericano para ações do Programa de Recuperação Ambiental de BH. O programa tem foco em vários cursos d’água e bacias hidrográficas, incluindo a da Pampulha. Espera-se que o projeto se viabilize, não só em tempo da Copa do Mundo mas antes que a vida deste patrimônio natural de Minas Gerais e da sua população não seja destruído pela poluição das águas. E que a despoluição, como é a orientação dos especialistas, comece mesmo pela instalação de efluentes para canalizar o esgoto nos córregos da periferia, preparando assim não somente a Pampulha mas toda a macrorregião de Belo Horizonte para a sustentabilidade, palavra que resume o que pode vir a ser a criação do futuro numa das mais importantes e bonitas cidades do país (onde a natureza invade o espaço urbano e/ou vice-versa). Isso mostrará assim também que realmente BH é desenvolvida.

Por trás do cartão postal de BH o drama da realidade da luta ambiental no Brasil

Um pássaro nativo da Lagoa de Pampulha mergulha e volta coberto de algas
Fontes: http://www.em.com.br/
             http://www.ecodebates.com.br/
             http://folhaverdenews,blogspot.com/

3 comentários:

  1. Esta novela da despoluição da Lagoa de Pampulha é um espelho do drama que é a luta pela ecologia e pelo Desenvolvimento Sustentável, não só em BH mas em todo o país da natureza, que está para sediar a Rio+20 da ONU.

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  2. Captamos aqui no blog informações de variadas fontes e também do local, na capital mineira, para não apenas polemizar mais uma vez e sim colaborar com a busca de uma alternativa de solução para a Lagoa de Pampulha: despoluida, ela virá a ser o ícone da sustentabilidade que se busca para o país atualmente.

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  3. Além de ser um símbolo, caso se concretize a despoluição dos córregos, da Pampulha e de toda a bacia hidrográfica de BH, este será o marco para que Belo Horizonte venha a ganhar o slogan de cidade da ecologia. Vocação natural e cultural para isso ela tem, vendo-se a invasão de natureza no espaço urbano e vice-versa em todas as regiões desta grande cidade mineira. Quando a invasão virar convivência entre natureza e vida urbana, aí sim será o grande avanço.

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