segunda-feira, 7 de maio de 2012

LIDERANÇAS EMPRESARIAIS TAMBÉM PEDEM VETA, DILMA

Além de ecologistas e de cientistas também líderes empresariais querem veto ao código ruralista

Em reportagem especial de Daniela Chiaretti, Vandson Lima e Vera Brandimarte, encaminhada ao blog de ecologia e de cidadania Folha Verde News pelo jornalista ambiental em São Paulo, Randáu Marques, registramos aqui que o movimento pedindo o veto ao Código Florestal teve início no próprio dia 25, logo após a votação na Câmara dos Deputados: agora, a presidente Dilma Rousseff se aproxima de uma das decisões mais importantes de seu governo: vetar ou não, em parte ou no total o projeto de lei que altera o Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional por pressão em especial da bancada ruralista. O tema polarizou o país, não só o movimento socioambiental e de cidadania, agora, um grupo de importantes empresários decidiu se posicionar abertamente sobre a questão. Acham que Dilma deve vetar, e explicam o porquê: "Coloca-se aí um tema ético do país que queremos. O Brasil é o Brasil da anistia ao desmatamento?" questiona Pedro Luiz Passos, copresidente do conselho de administração da Natura, referindo-se a um dos pontos mais controversos do texto aprovado e que perdoa todos os desmates ilegais que aconteceram antes de 2008. Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, e acionista da Klabin, diz que este é o momento decisivo para que a Presidente não se torne refém de uma parte do Congresso que, na semana passada, foi protagonista de uma grande derrota do Governo: "E não foi somente na questão da nova lei do uso da terra que os parlamentares têm tido performance negativa, também, tem encenado lances lamentáveis de corrupção e de incompetência, a Presidente da República tem que olhar o interesse da Nação e não dos grupos e lobbies políticos", como comenta o ecologista Padinha, editor aqui do nosso blog, no moimento de divulgar esta boa notícia vinda do empresariado de Sâo Paulo.
Para assinalar quanto este momento é crucial para Dilma, para o governo e para o país, Piva cita Lênin: "Existem décadas em que nada acontece, e existem semanas em que décadas acontecem."Passos e Piva se uniram a Paulo Nigro, diretor-presidente da Tetra Pak, e ao ex-presidente da Vivo, Roberto Oliveira de Lima, rompendo uma aura de silêncio que o assunto inspira no empresariado brasileiro. Eles reconhecem que o tema toca interesses contraditórios, acreditam que o oportunismo político foi decisivo na votação da Câmara e que o assunto extrapola a esfera do agronegócio. "O Brasil tem a chance de liderar uma nova pauta", diz Nigro, referindo-se à implantação de um Desenvolvimento Sustentável, equilíbrio entre economia e ecologia. Ele avalia, no entanto, que o texto que sai do Congresso "deixou o Brasil na era medieval." O cronômetro dispara quando o projeto de lei aprovado pela Câmara chegar à mesa da presidente Dilma Rousseff. Ela tem  agora menos de 15 dias úteis para sancionar ou vetar o texto integral ou partes dele. Trata-se de uma daquelas decisões que definem um Governo, algo comparável à reforma do sistema de saúde nos Estados Unidos empreendida pelo presidente Barack Obama. Para piorar, a bomba-relógio estoura às vésperas da Rio+20, a megaconferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que acontece no mês que vem, no Rio de Janeiro. "Não fomos capazes de esperar a Rio+20 para depois aprovar o projeto de lei, aguardar a inspiração que poderia vir de lá", avalia o executivo Roberto Lima. "É uma vergonha a gente ir para uma situação dessas. O texto que foi votado é terrível."Dilma tem à frente alguns caminhos. Se escolher não se pronunciar, o que parece muito improvável, o projeto de lei é aprovado automaticamente. Ela também pode sancioná-lo na íntegra. A outra opção é vetar o texto todo ou fazê-lo aos pedaços - e esta última rota retorna ao Congresso. A novela florestal promete novos capítulos.Os pontos mais polêmicos desta odisseia, e que nos últimos anos opuseram ruralistas a ambientalistas, se referem a áreas que deveriam ser protegidas e deixarão de ser, a perdoar desmatamentos ilegais e a reduzir as áreas de preservação às margens dos rios - só para elencar os itens mais célebres. Para os ruralistas, o projeto que pode substituir o Código Florestal de 1965 oferece uma inédita segurança jurídica ao setor. Para os ambientalistas, o texto da Câmara é mal feito, contraditório e tão esburacado quanto um queijo suíço. A iniciativa de trazer os quatro participantes da conversa que se segue foi do presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, Roberto Klabin, e do professor e colunista do Valor, José Eli da Veiga. A preservação das florestas, um símbolo fundamental ao equilíbrio do planeta, e a riqueza da biodiversidade brasileira, são argumentos destes empresários que acreditam em uma nova economia, de baixo impacto e pouco carbono. "O Brasil está perdendo uma oportunidade inclusive econômica, para o futuro", lembra Passos, da Natura. "Acreditar que uma árvore cortada e transformada em cadeira vale mais do que uma árvore em pé é um erro fantástico", continua.A tomada de consciência destes empreendedores quanto ao destino do Código Florestal para o país e para as gerações futuras tem sido acolhida pelos mais diversos setores da sociedade civil brasileira: esta matéria reproduz assim os principais trechos do encontro que ocorreu há poucos dias na sede do jornal Valor Econômico. Os empresários estavam faltando neste debate. Às vésperas da Rio+20, como a aprovação do novo Código Florestal na Câmara afeta a imagem do Brasil, na avaliação dos senhores? Paulo Nigro: A Rio+20 foi um encontro solicitado pelo Brasil, onde, para não correr o risco de serem calados, os movimentos socioambientalistas, populares, organizam um encontro paralelo e simultâneo à reunião dos Chefes de Estado de pelo menos 135 países, a Cúpula dos Povos, que deverá propiciar o encontro de 5 mil lideranças de cidadania, ecologistas e cientistas brasileiros com outros 5 mil de todos os lados do planeta, pressionando ou estimulando as autoridades mundiais a decisões que possam facilitar realmente avanços na realidade. E portanto, deveria ser esta a grande oportunidade de o país liderar uma nova agenda. Principalmente em um momento em que a Europa está estagnada, os Estados Unidos com todos os seus problemas e os países emergentes começando a tomar posição. O Brasil tem a chance história de concretizar uma liderança mundial e exatamente neste momento temos aí um projeto de novo Código Florestal realmente novo que não pode atender apenas o interesse dos ruralistas e sim, precisa apontar com muita clareza o compromisso que a Nação, suas empresas e a população em geral precisam assumir em relação ao futuro.


Alguns dos principais líderes empresariais do país se manifestaram pelo Veto

Não são apenas ecologistas e cientistas que estão contra o código dos ruralistas

O alerta da cidadania e do movimento socioambiental cita também a Rio+2o neste contexto

Fontes: Valor Econômico
              http://folhaverdenews.blogspot.com/

5 comentários:

  1. A semana começa com esta boa notícia, a classe empresarial também se manifestando por um avanço da realidade brasileira, com o veto da Presidente ao Código Florestal ruralista e a opção pelo desenvolvimento Sustentável, o equilíbrio entre economia e ecologia.

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  2. Esta opção brasileira pela sustentabilidade é tão mais importante agora, neste momento, tanto para conseguir uma legislação contemporânea para o uso da terra e a proteção dos recursos naturais, via um novo Código Florestal realmente novo, ainda mais às vésperas do encontro mundial da ONU no Brasil, em junho no Rio de Janeiro, que poderá significar um avanço também da liderança internacional ~do país.

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  3. Devido a todos estes conteúdos e circunstâncias, mostrados nesta e em variadas outras postagens aqui neste blog de ecologia e de cidadania, temos ressaltado uma aproximação das pautas do Código Florestal e da Rio+20, isso, sem falar na luta contra megausinas como Belo Monte e os índices cada vez maiores de violência de todos os tipos no Brasil. Vai daí, que neste contexto todo, a Cúpula dos Povos, paralela à Conferência da ONU em junho agora no Rio de Janeiro, aumenta de valor para o país e até também para o planeta, dentro do movimento de criação do futuro.

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  4. A própria Ministra do Meio Ambiente é a favod do Veto
    Comunicar erro Imprimir "A posição da ministra é pelo veto. Eu não tenho nenhum problema em dizer isso. Acho que temos que respeitar todo o trabalho feito nesta Casa [Senado]. O trabalho foi muito bem feito dentro daquilo que as condições democráticas ofereciam ao debate, mas nós precisamos ser responsáveis em relação ao veto", disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em visita ao Senado, nesta segunda-feira (07).

    Segundo informações da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, o projeto de lei aprovado no dia 25 de abril ainda não foi apresentado para a presidente Dilma Rousseff --falta a assinatura do presidente da Casa, Marco Maia (PT/RS). A partir do momento em que receber o projeto, a presidente tem 15 dias úteis para aprovar ou vetar (integral ou parcialmente) o texto. Se ocorrer o veto, ele será aprovado ou rejeitado pelo Congresso.~A informação está na edição desta segunda à tarde do site Terra.

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  5. Nos informam João Moreira, que até o próximo dia 25 a Presidente Dilma tem prazo para vetar o novo CodFlor aprovado pela Câmara. Ele diz na msm que viu no site da Folha que o projeto do novo Código aprovado há duas semanas pela Câmara dos Deputados, foi protocolado nesta segunda-feira (ontem) no Palácio do Planalto. A partir de hoje, a presidente Dilma Rousseff tem um prazo de 15 dias úteis - até o dia 25 de maio - para decidir se sanciona ou veta o texto referendado pelo Congresso. A expectativa é que a presidente Dilma vete boa parte do texto da Câmara, em particular os dispositivos que cedem demais ao agronegócio e reduzem a proteção às águas brasileiras.
    A extensão dos vetos, porém, ainda não está definida. a Presidente está tentando ainda chegar a um consenso para vetar o texto parcialmente e/ou totalmente.

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