terça-feira, 22 de maio de 2012

VAMPIRO DE CURITIBA PREMIADO EM PORTUGAL

Dalton Trevisan ganha o maior prêmio português de literatura e não aparece

Nem mesmo o repórter fotográfico JoãoNoronha, que sempre consegue furos e hoje atua na capital do Paraná ou o free-lancer David Radesca, sempre procurando desafios, nem eles conseguiram (por enquanto) fazer uma imagem atual do escritor Dalton Trevisan, também conhecido como "Vampiro de Curitiba", seu romance mais célebre e já transformado em mito cult no Brasil: o escritor brasileiro e paranaense Dalton Trevisan foi agraciado ontem à noite com o Prêmio Camões, o maior prêmio literário de língua portuguesa. O prêmio foi anunciado nesta segunda-feira (e ainda não era meia noite...) em Lisboa pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Trevisan já era considerado há anos, entre os maiores entendidos de literatura, como um dos melhores escritores do país. A notícia nos chegou pela agência Reuters e depois a reportagem via o site Vermelho, aqui, o Folha Verde News posta com entusiasmo esta premiação internacional e o Padinha, editor deste nosso blog de ecologia, comenta: "Entendo a intenção do Dalton Trevisan se manter anônimo e valorizar o que escreve e não a sua vida pessoal, o poeta Carlos Drummond de Andrade, quando ainda vivo no Rio, tinha uma postura deste tipo, mas este autor levou isso à radicalidade, como um João Gilberto das letras, este fato só faz chamar mais ainda a atenção sobre o diua a dia da vida e o autor do Vampiro de Curitiba que, independente deste mistério todo, realmente é um texto de muito valor".


Aqui, duas das muito raras fotos de Dalton Trevisan no dia a dia...

...ele que personifica muito bem o seu personagem Vampiro de Curitiba
Como tem sido habitual a fuga da mídia por este autor curitibano, ao longo dos anos também é tradição na conferência de imprensa  em Portugal o júri ler a ata da reunião, apresentando as razões justificativas da escolha do premiado: "Dalton Trevisan significa uma opção radical pela literatura enquanto arte da palavra. Tanto nas suas incessantes experimentações com a língua portuguesa, muitas vezes em oposição a ela mesma, quanto na sua dedicação ao fazer literário sem concessões às distrações da vida pessoal e social”. "A escolha do autor de "Vampiro de Curitiba", um dos mais importantes e premiados escritores brasileiros, foi unânime pleo intelectuais portugueses. O escritor de “O Vampiro de Curitiba” (que passou a ser a sua alcunha) é "um dos maiores escritores brasileiros da atualidade", considerado "o maior contista moderno do Brasil" distingue-se pela originalidade das histórias que escreve e pelo mistério que criou à volta da sua vida pessoal. Não gosta de dar entrevistas nem de ser fotografado e não é visto nas ruas. Por isso o júri do prêmio não conseguiu ainda contatar o autor, está a tentar fazê-lo", relatou o repórter Pedro Almedia de um dos jornais de Portugal.

A reação misteriosa do autor-personagem à notícia de sua premiação internacional
 Nascido em 1925 e hoje com 86 anos, mas demonstrando boa saúde nas duas últimas e raras fotos do seu cotidiano, ao receber na notícia, Trevisan disse: "Me ligaram da Biblioteca Nacional  do Rioi agora para dizer que ainda não anunciaram o prêmio porque queriam falar com o Dalton primeiro e queriam saber como. Estamos tentando falar com ele para lhe dizer. Ele não fala nem conosco. Só responde por fax e às vezes liga para a gente para alguma coisa muito prática. Envia os originais em papel"...O autor que virou um personagem quer manter o mistério.
Quanto à hipótese de Dalton Trevisan não aparecer para receber o prêmio por causa da sua reclusão voluntária, Francisco José Viegas afirmou que o júri é autônomo em relação a isso. "Esta é uma decisão do júri que decidiu isto independentemente de qualquer impossibilidade que se manifeste de seguida. Esta decisão é uma decisão de natureza literária e de natureza cultural e não tem a ver com esses detalhes imponderáveis. Tratou-se de uma escolha livre e independente, uma escolha a montante dessas questões.”
Nesta 24ª edição do Prêmio Camões foi constituído por Rosa Martelo, professora associada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Abel Barros Baptista, professor associado da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; a poeta angolana Ana Paula Tavares; o historiador e escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho; Alcir Pécora, professor da Universidade de Campinas, Brasil, e o crítico, ensaísta e escritor brasileiro Silviano Santiago, que explicou como foi a sessão do júri: “A discussão começou em aberto com os diversos participantes fazendo as suas indicações e em seguida houve um debate entre os participantes, em torno dos nomes sugeridos. Esse debate foi produtivo e do meu ponto de vista, enriquecedor. Depois de duas horas, chegamos à unanimidade”. “Não há dúvida que Dalton Trevisan é uma pessoa muito secreta. Ele não têm aliás, ele lembra um pouco, para facilitar pessoas que não o conheçam o escritor norte-americano J.D. Salinger (1919-2010). Mas quando lhe foi atribuído o Prêmio PT ele aceitou” , acrescentou ainda Santiago, acreditando que Dalton Trevisan não irá recusar o prêmio.
Dalton Trevisan, que nasceu e vive (há quase um século...) em Curitiba, é licenciado em Direito e depois de ter sido jornalista policial e crítico de cinema, foi que se dedicou à literatura.. Começou a publicar em 1945, apesar de mais tarde ter renegado os seus dois livros de juventude: "Sonata sempre ao Luar" e "Sete anos de Pastor". Entre 1946 e 1948, editou a revista "Joaquim", "uma homenagem a todos os Joaquins do Brasil", por onde passaram os maiores nomes da cultura brasileira. Por coincidência, agora vem da terra dos Joaquins e Manuéis um dos maiores prêmios de literatura já conquistador por um autor do Brasil.


Capa de uma edição popular do livro cult agora premiado
Fontes: http://www.vermelho.com.br/
             http://folhaverdenews.blogspot.com/
             Reuters
             http://www.passeiweb.com/


5 comentários:

  1. É uma discussão já até ancestral, o que é mais i9mportante, o livro ou o autor? Segundo o ecologiusta e repórter Padinha, que edita este blog, isto talvez seja a explicação para a postura "misteriosa" de Dalton Trevisan, que ao se esconder da mídia, sempre quís chamar a atenção ao seu livro, agora premiado.

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  2. O "Vampiro de Curitiba" talvez seja o livro mais conhecido de Dalton Trevisan. Dedicando-se exclusivamente ao conto (só teve um romance publicado: A Polaquinha), Dalton Trevisan acabou se tornando o maior mestre brasileiro no gênero. Em 1996, recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura pelo conjunto de sua obra. Mas Trevisan continua recusando a fama. Cria uma atmosfera de suspense em torno de seu nome que o transforma num enigmático personagem. Não cede o número do telefone, assina apenas "D. Trevis" e não recebe visitas - nem mesmo de artistas consagrados. Enclausura-se em casa de tal forma que mereceu o apelido de O Vampiro de Curitiba, título de um de seus livros. Mestre na arte do conto curto e cruel, é criador de uma espécie de mitologia de sua cidade natal, Curitiba. O vampiro de Curitiba teve seus contos lidos na Rádio Educativa, nas leituras dramáticas e em oficinas. São pequeníssimos textos: leves, românticos, eróticos, existenciais... Mas tudo sempre inteligente e recheado de humor - às vezes negro. O "Vampiro de Curitiba", Dalton Trevisan. Escrito assim, pode ser tanto o nome de um livro, seguido de seu autor, quanto uma explicação. O autor guarda informalmente o codinome de vampiro desde 1965, quando publicou o metafórico O vampiro de Curitiba. Desde então, o escritor paranaense alimenta a lenda em torno da própria figura envolta pelo mistério da reclusão. No conto que batiza essa coletânea, ele auto-ironiza sua estranha maneira de "promoção delirante", mas não é pela mania de viver escondido que o leitor se sente sugado pelas mini-histórias. Não deixa de ser um de seus principais personagens; recluso em sua vida pessoal a ponto de ser conhecido pela alcunha de um de seus livros - o Vampiro de Curitiba. (Informações do site passeiweb.com)

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  3. O que interessa agora é que, com esta superimportante premiação em Lisboa, os livros do escritor Dalton Trevisan venham a ser lidos no país ou pelo menos na terra do Vampiro de Curitiba. Muitos curtem só a celebridade, a fama ou a vaidade, não lêem uma linha de nada, talvez porisso também, este autor tenha escolhido este caminho meio enigmático para se posicionar no dia a dia de sua vida. Ele parece dizer: "O que importa é o que eu escrevo".

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  4. "Trevisan é autor de mais de 40 obras, a maioria formada por tramas psicológicas com toques tradicionais, comuns e presentes no cotidiano."

    Compartilhando do GRUPO Fotografia para a Educação, Ciência e Cultura via Facebook

    Link:
    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=4058855155834&set=o.130758221406&type=1&ref=nf

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  5. caro padinha, vc. pegou na veia, em cima da hora. parabéns pela notícia, com o enfoque que lhe deu. certamente o público está satisfeito com a folhaverdenews.
    abraços,
    kellner

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