sexta-feira, 22 de junho de 2012

AMBIENTALISTAS REPUDIAM TEXTO FINAL DA RIO+20

No Brasil se fala em "futuro que não queremos" e no mundo em "atentado aos povos"

Na avaliação da organização Amigos da Terra Internacional, uma das maiores organizações ambientalistas do mundo, o documento oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, é "um atentado aos povos, porque é um documento vazio, sem alma e sem compromissos concretos com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável". O movimento socioambiental brasileiro também repudiou o texto final das autoridades políticas, foi redigido por Marina Silva e logo no título deixa claro o tom extremamente crítico, "O futuro que não queremos", ao parodiar um dos slogans da ONU para o evento que se encerra neste sábado no Rio de Janeiro. Aqui no blog Folha Verde News já havíamos em duas ou três postagens publicado críticas de cientistas e de ecologistas, por exemplo, pela ausência no documento oficial da Rio+20 dos problemas de saúde e de violência, que consideramos vitais para mudar e avançar a realidade: "Como pode uma análise da questão socioambiental de hoje no país e no planeta omitir o drama da saúde pública em pelo menos metade dos países e a tragédia do aumento da violência em praticamente todo o planeta?", tem questionado nosso editor Antônio de Pádua, o ecologista Padinha, que inclusive ficou 8 dias na capital carioca realizando um documentário que se chama "Não-Violência X Fim do Mundo": o documentário ainda terá mais gravações e filmagens em outros lugares do país, não é um registro somente da Rio+20 e sim deste problema que ele considera fundamental na atualidade: "Como podemos buscar um equilíbrio sustentável entre economia e ecologia com os índices atuais de violência?"...Ontem à noite em uma plenária a Ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, debateu democraticamdente com ecologistas os erros e os limites das conclusões da Conferência Mundial mas negou qualquer chances de mudança neste documento final da ONU na Rio+20 que em resumo poderia ter avançado muito mais se indicasse objetivamente as alternativas para mudar a realidade de agora.

Marina Silva ajudou a redigir o documento crítico "O futuro que não queremos"...
 
A sociedade civil participou intensamente, índios vieram de todo país e planeta
 
O jornal inglês Financial Times criticou trânsito, poluição das praias, desorganização do evento

Nosso documentário mostrou a única praia despoluida, no Recreio dos Bandeirantes
 Socioambientalistas criticam conteúdo da Conferência Mundial da ONU


Entrevistada pelo site Terra e pela Agência Brasil a ativista da organização, Lúcia Ortiz, sa entidade Amigos da Terra, um das mais fortes internacionalmente, já criticou hoje a síntese do documento oficial que será publicado amanhã, ao qual teve acesso por causa de suas funções técnicas no evento da ONU. Na avaliação de Lúcia Ortiz, é gritante a falta de compromisso dos chefes de Estado e de governo para com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável "em um momento em que se necessita, de fato, de medidas urgentes para que os governos possam prevenir e mudar os rumos que a humanidade está tomando".
Segundo ela, há toda uma preocupação com a questão da promoção da justiça climática, da perda da biodiversidade e da contaminação dos oceanos. "O que a gente vê é a elaboração de um documento que ainda abre portas para a mercantilização dos bens comuns, sejam eles o ar, a biodiversidade e a água, ou mesmo a comunicação ou as diversidades culturais, que também estão sendo mercantilizadas em um processo onde a política está sendo substituída pela 'financeirização'". No entendimento da ativista, mesmo com o texto não explicitando tanto quanto esperavam os países industrializados e as grandes corporações o sentido da promoção de "uma falsa economia verde", ainda assim, ficou claro que "mais importante que uma decisão sobre o meio ambiente na Rio+20 foi a indicação do grupo do G20 (formado pelas maiores economias mundiais) e dos poderosos, de que continuarão a fazer empréstimos para salvar os bancos europeus e a gerar para esses bancos em crise novas oportunidades de negócios, que se traduzirão em especulação, em novas bolhas financeiras - como seria a bolha da economia verde". Lúcia Ortiz ressaltou que os participantes da Cúpula dos Povos ficaram com a plena consciência de que, em parte, "derrotaram os poderosos ao enfraquecer a agenda da economia verde e mudar a correlação de forças, ao chamar a atenção para a necessidade de que a voz povo venha a ser escutada, e não só a das grandes corporações".
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza. Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento ingressou quarta-feira na etapa definitiva e mais importante. Até amanhã, ocorre no Riocentro o Segmento de Alto Nível da Rio+20, com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas. Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não vieram ao Brasil, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo, que segue sofrendo críticas dos representantes mundiais. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro. O jornal inglês Financial Times também critica desorganização do evento e falta de preparo do Rio de Janeiro para sedir a conferência mundial na sua edição de hoje.

Fontes: Agência Brasil
             www.terra.com.br
             FT
             http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Nossa equipe do blog Folha Verde News teve que encarar congestionamentos de até duas horas para percorer distâncias de menos de 10km, a Rio+20 se dividiu em eventos em vários locais, como no Riocentro, no Aterro do Flamengo, na Colônia em Jacarepaguá e no Cristo Redentor, onde funcionários do Ibama fizeram protesto...

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  2. Procuramos mostrar o que o povo carioca estava pensando sobre a Rio+20 que acontecia na cidade, fomos até pontos distantes como a Ponte Rio-Niterói e o Morro do Alemão, em busca desta informação.

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  3. Centenas de tribos indígenas, do Brasil e de países como Peru, Bolívia, Chile, Austrália, fizeram grandes esforços para participar de um avanço da realidade em busca do desenvolvimento sustentável, mas nãop foram ouvidos pela ONU, apenas por alguns poucos jornalistas e pelo nosso documentário.

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  4. Vamos esperar até amanhã, encerramento oficial do evento da ONU no Rio, para dar uma avaliação mais completa, mas desde já também criticamos o cointeúdo da Rio+20 e a forma como foi estruturada, privilegiando autoridades políticas e dividindo ou enfraquecendo a participação da sociedade civil do país e do mundo em vários eventos, um longe do outro, neutralizando a força das sugestões do povo.

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