domingo, 3 de junho de 2012

RIO+20 E CÚPULA DOS POVOS A CAMINHO DO NADA?

Especialistas já temem que Rio+20 seja um fracasso e Cúpula dos Povos um fiasco

No artigo mais polêmico do site Eco Debate nesta semana, para o especialista em clima e professor da UnB, Eduardo Viola, a Rio+20 será um fracasso porque Estados Unidos e China não estão interessados em negociações ambientais: a outra superpotência, a UE parece mais atenta às questões de meio ambiente, porém, os países europeus não chegam a demonstrar tanto interesse e tanto poderio nas decisões quanto seria o necessário. E em relação à Cúpula dos Povos a expectativa não fica mais animadora. Acontece que, segundo o ecologista ligado à Não-Violência, Antônio de Pádua, o editor Padinha do blog Folha Verde News, em cima da sua experiência como repórter, que cobriu há 20 anos a ECO-92, as condições objetivas e organizacionais dos dois eventos não estão favoráveis para um resultado positivo nem da Conferência Mundial das Nações Unidas nem da Cúpula dos Povos (o evento paralelo, que poderia vir a ser uma pressão para que houvesse um avanço do desenvolvimento sustentável, que afinal é o tema central do acontecimento que envolverá mais de 180 países): "Não existe uma ligação orgânica entre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos, os eventos são simultâneos mas isolados um do outro", comenta Padinha: "E o pior é que os ecologistas, os cientistas e lideranças socioambientais, que na minha opinião deveriam ser os protagonistas dos dois eventos, estão fora de ambos, no caso da conferência da ONU, nem todas as autoridades governamentais têm a mesma inspiração ou todas as informações que têm os ecologistas, cientistas e líderes socioambientais, no caso da Cúpula dos Povos, estes maiores especialistas estão sendo substituídos pelas lideranças dos movimentos sociais e populares, sindicatos, entidades de classe e organizações políticas". Dentro deste contexto, Padinha neste momento concorda com a visão meio que pessimista do mestre em clima da Universidade de Brasília, que prevê um fracasso da Rio+20, e se arrisca a dizer que também, por seu lado, a Cúpúla dos Povos poderá vir a ser um fiasco: "Acredito que haverá um maior trânsito de informação, sejam críticas ou especializadas em sustentabilidade, entre o Global Greens (que será um terceiro evento fora do Rio Centro e do Aterro do Flamengo) e os técnicos da ONU, mas sem ter a representatividade, em termos de mídia pelo menos, da Cúpula dos Povos, mesmo porque este terceiro evento por enquanto quase anônimo está meio restrito aos integrantes do Partido Verde, que atua em mais de 100 nações do planeta mas ainda não tem a força dos grandes partidos políticos".
Diante deste quadro, o editor do nosso blog, que tem know-how em assuntos de ecologia, de cidadania e é ativista da Não-Violência, está indo pessoalmente ao Rio de Janeiro nos próximos dias para sentir in loco ou de mais perto esta situação: "Vou ver como andam os acontecimentos, pode ser que eu tenha uma grande surpresa positiva, contudo, a príncípio, estou com poucas expectativas que a Rio+20 e a Cúpula dos Povos venham a se interagir e então representar um avanço para mudar a realidade atual e iniciar nos países participantes uma implantação de gestões realmente de desenvolvimento sustentável, o que aí sim seria um avanço rumo a uma criação do futuro".
Padinha vai nestes próximos dias ao Rio com uma equipe que inclui o repórter fotográfico e camera-man João Noronha, da Image Press de Curitiba, com quem ele já fez um trabalho no Pantanal; vai também com um líder indígena do Mato Grosso, Gaspar Waratzere, formado em História pela Universidade Federal (ele voltou a viver e a liderar em sua aldeia natal em Namunkurá), indo na equipe também, o designer, especialista em arte digital, em informática e na criação de quadrinhos, Aguinaldo Lazarini, que atua também nesta função aqui no Folha Verde News. Também simpatizante da da Não-Violência e da luta pela natureza, um quarto integrante desta equipe é Creusney Di Pereira dos Anjos, de Goiás. Os quatro têm como uma das funções, além da cobertura de imagens e de informações sobre a Rio+20, a Cúpula dos Povos e a edição especial do Global Greens, todos eventos agora em breve na capital fluminense, mais uma missão, realizar um documentário sobre estes acontecimentos, que Padinha considera superimportantes na atualidade: "Assim como existe a Broadway, a Off-Broadway e ainda a Off-Off Broadway, é a situação que por enquanto estou vendo nestes três eventos, sem contrapartida ou interação entre eles, acontecem ao mesmo tempo mas cada um vai para uma direção, falta uma organicidade para estabelecer um diálogo entre todos, este diálogo vai poder ser feito pela mídia ou por produções independentes e alternativas ou mais livres como este nosso documentário. Asim como o debate sobre desenvolvimento sustentável, o nosso documentário vai começar na Rio+20 mas não vai acabar no dia 23 de junho, quando todos voltam prá casa. Nosso trabalho tem um compromisso de questionar e de lutar pela criação do futuro de verdade".
Por sinal, uma das comunicações a serem feitas por esta equipe no Rio de Janeiro nestes dias será um adesivo em português, francês, inglês e espanhol, comunicando a seguinte idéia: "Se nós não criarmos o futuro, ele não existirá". Os quatro integrantes do Folha Verde News distribuirão também sementes de Crotalária, campanha da MacBoot, empresa que apóia o blog de ecologia: esta planta é uma leguminosa que atrai e alimenta libélulas e por sua vez, as libélulas são um inimigo natural do mosquito Aedes Aegypt, que transmite a doença da Dengue, um dos maiores problemas da saúde pública do Rio de Janeiro. O trabalho de comunicação, o documentário e as sementes fazem parte duma missão ecológica. Esta missão parece até conter uma mensagem positiva mas crítica à Rio+20 e aos eventos paralelos à Conferência da ONU: parece ser fundamental haver menos discursos e mais ecologia.


Cientistas, ecologistas e lideranças socioambientais deveriam ter mais espaço na Rio+20

A Cúpula dos Povos conseguirá influir nas decisões governamentais da Rio+20?

O presidente da Rio+20, o diplomata francês Lalonde conseguirá por em ação o tema do evento da ONU?


Fontes: http://www.ecodebate.com.br/
            http://folhaverdenews.blogspot.com/

5 comentários:

  1. Não há um intercâmbio ou uma interação entre a Conferência da ONU e a Cúpula dos Povos. Um terceiro evento simultâneo e paralelo, o Global Greens, também não tem uma via de comunicação direta com os outros eventos, esta situação dentro da estrutura da Rio+20 poderá levar a nada todo o esforço coletivo para avançar os países rumo a um desenvolvimento sustentável?...

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  2. Apesar de todo o trabalho e boa vontade da organização da Rio+20, no evento governamental não há no momento muito espaço para um avanço do desenvolvimento sustentável, apesar deste ser o0 tema central desta conferência internacional da ONU. Na Cúpula dos Povos, um dos principais critérios de participação foi relacionado à inscrição ser feita por redes, coletivos e conjuntos de organizações sociopolíticas, nem todas com um conteúdo ligado diretamente ao tema central. O Global Greens por sua vez esta mais isolado ainda dos outros eventos, todos acontecendo nos mesmos dias no Rio de Janeiro, agora.

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  3. A conclusão da equipe do nosso blog de ecologia e de cidadania é que a mídia terá que trabalhar muito e ter liberdade de ação e de informação para conseguir estabelecer um diálogo entre estes três eventos paralelos e mais ainda, também com as lideranças socioambientais, com os cientistas e ecologistas, que precisam ser ouvidos neste momento de decisão sobre os rumos a serem tomados em busca de um desenvolvimento sustentável, o melhor para o meio ambiente.

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  4. Mobilização GLOBAL. Parabéns pelas informações contidas aqui no Folha Verde News. Paz

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  5. Com o seu know-how em imagens, João Noronha, nosso trabalho poderá estimular um avanço, como comunicação e também como cobrança ou estímulo a que a Rio+20 não fique só no oba oba e que o país e o planeta comecem a praticar a sustentabilidade e deixem prá lá o blá blá blá. O documentário e as mensagens que estaremos levando ao vivo ao evento da ONU e aos paralelos, poderá ajudar um avanço, nossa luta é a luta de milhares de ecologistas de todos os lados da Terra. Paz na luta.

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