domingo, 24 de junho de 2012

SOCIEDADE CIVIL FOI O DESTAQUE DA RIO+20

Rio+20 foi o maior evento da história da ONU em termos de interesse popular por ecologia

O secretário-geral da ONU Ban Ki-moon discursa na Rio 20
Os dirigentes políticos de 193 países participantes perderam uma oportunidade histórica de avanço houve erros e limites na Rio+20


Isolados na Kari Oca em Jacarepaguá lídres indígenas vivenciaram a cultura da natureza


Cientistas reclamaram pouca atenção à questão de uma nova estrutura energética, essencial para a Terra

Segundo Pragati Pascale, coordenadora de comunicação, mais de 50 milhões de pessoas acessaram o site da conferência, sendo que a Rio+20 teve um público quase três vezes maior do que a ECO92: esta Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável já é o maior evento da história da organização multilateral. Durante os dez dias do encontro, que terminou ontem no Riocentro, com outros eventos paralelos em outros locais, como no Aterro do Flamengo, cerca de 45,4 mil pessoas foram credenciadas, segundo informou a porta-voz da conferência, Pragati Pascale. Os números registrados pela mídia brasileira mostram que cerca de mais 100 mil pessoas participaram ou acompanharam os acontecimentos no Rio de Janeiro sem credenciamento. Pascale informou que quase 11 mil credenciais foram emitidas para delegações de mais de 190 países, 10 mil para entidades não-governamentais, mais de 4 mil para profissionais da imprensa, além de 4,3 mil para agentes de segurança. Ainda segundo Pragati Pascale, mais de 50 milhões de pessoas acessaram o site da conferência. Somente no twitter em inglês, a hashtag Rio+20 apareceu mais de 1 bilhão de vezes e a plataforma brasileira sobre o evento teve mais de 1 milhão de acessos. “Isso indica a mobilização positiva que o evento gerou, que já produziu uma enorme quantidade de ações para o desenvolvimento sustentável", disse. A porta-voz da ONU adiantou que, ao longo do evento, foram feitos quase 700 compromissos voluntários “incluindo o assumido por várias entidades de investir US$ 175 bilhões em transporte sustentável e mais de US$ 50 bilhões no Programa Energia para Todos”. O chefe de comunicação da divisão de desenvolvimento sustentável da ONU, Nikhil Chandavarkar, acrescentou que os números de participação do evento indicam uma maior conscientização popular sobre o desenvolvimento sustentável. Consciente dos erros, limites e omissões do documento oficial dos dirigentes de países, a Presidente do Brasil Dilma Rousseff declarou no último dia que "a Rio+20 não deve ser vista como um fim e sim como o início das discussões e providências sobre desenvolvimento sustentável".
Por sua vez, a declaração final do evento paparelo dos movimentos sociais, a Cúpula dos Povos, foi sintetizada em um documento de quatro páginas e 20 parágrafos - ataca a mercantilização da vida e faz a defesa dos bens comuns e da justiça social e ambiental. A cúpula reuniu durante oito dias representantes da sociedade civil em atividades paralelas à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O documento critica as instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8 e G20, a captura corporativa das Nações Unidas e a maioria dos governos, “por demonstrarem irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta”.
A declaração ressalta que houve retrocessos na área dos direitos humanos em relação ao Fórum Global, que reuniu a sociedade civil também no Aterro do Flamengo, durante a ECO92.
“A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza.”
O megaesquema de segurança implantado na Rio+20 para receber as delegações de 180 países e seus chefes de Estado que visitaram o Rio de Janeiro nos últimos dias trouxe uma sensação de superproteção aos cariocas que vai deixar saudade.
Desde o dia 13 de junho, quando teve início a conferência, o efetivo policial na cidade praticamente dobrou. O governo do Rio colocou 7.000 PMs na rua, metade do efetivo de todo o Estado, e o Exército, mais 8.000 soldados nos locais que sediaram os eventos e em pontos estratégicos, como ao redor dos aeroportos e no corredor hoteleiro da zona sul.
"A gente fica mais segura, sem dúvida. A sensação é de que você vive em outro país. Seria um sonho que continuasse assim porque no dia a dia quase não vejo policial", disse a maitrise Adelaide Lourete Rodrigues, 62, que se sentiu encorajada pela presença de militares do Exército a trocar a caminhada matutina pela noturna no calçadão de Copacabana (zona sul). Só na orla da praia mais famosa do Rio havia seis comandos do Exército, cada um com ao menos quatro soldados, instalados no canteiro central da avenida Atlântica entre o Leme e o Forte de Copacabana. O maior deles estava em frente ao hotel Copacabana Palace, onde se hospedaram dez chefes de Estado. A todo momento, o som das sirenes e dos helicópteros cortava a avenida Atlântica. "O barulho incomoda, mas é melhor ter barulho e segurança do que andar na rua com medo", conta a assistente social Élen Nogueira, 58, moradora de Copacabana. No Aterro do Flamengo  e em toda zona sul PMs e guardas municipais circulavam em grupos de até seis policiais pela orla, enquanto militares do Exército ocupavam passarelas e passagens subterrâneas do trajeto entre os hotéis e o aeroporto Santos Dumont, no centro. Era possível encontrar soldados de Botafogo até a Glória, passando plea Urca, o megaesquema de segurança foi também para alguns pontos da periferia, como Jacarepaguá, onde aconteceu a Kari Oca, assembléia dos povos indígenas de todas as regiões do Brasil e de vários países, como Chile, Peru, Equador, Estados Unidos, Canadá, Austrália. "Até no Morro do Alemão, onde nossa equipe aqui do Folha Verde News foi para captar depoimentos da população, havia tanto policiamento que nem havia chance de incidentes, mas todo esse megaesquema maquiou a realidade do Rio, agora que a Rio+20 acabou, podem voltar as ocorrências de violência que sacrificam lá a qualidade de vida", comentou o editor do nosso blog de ecologia e de cidadania, Padinha, que faz em resumo a seguinte avaliação: "Enquanto é mesmo elogiável o espírito participativo de ecologistas, cientistas, indígenas - alguns viajando até 3 ou 4 ou 5 mil quilômetros para chegar no Rio, temos que criticar a falta de um fluxo de informações entre os dirigentes políticos dos mais de 190 países e os setores da sociedade civil que lá estavam para contribuir no sentido de mudar e avançar o planeta, mas não foram ouvidos". Ele avalia que os resultados objetivos a bem do desenvolvimento sustentável foram abaixo do esperado e do que era possível:"Teriam que ser definidas metas mais precisas, financiamento para gestões sustentáveis, estímulos para diminuir a violência e aumentar o índice de saúde da população mundial, precisaria ter sido criada uma agência especial para meio ambiente e sustentabilidade, como existe a OMS (Organização Mundial de Saúde), a sensação é de uma oportunidade histórica de avanço perdida na burocracia, desorganização ou falta de valorização das sugestões da sociedade civil. Os governos dos Estados Unidos e China, por outros interesses, não participaram da reunião da ONU com a intesidade necessária. Uma das poucas delegações mais abertas à colaboração e intercâmbio foi a da França, talvez porque o diplomada Lelonde tem atuação ecológica e o novo presidente francês, François Hollande, ser um político formado nas lutas da cidadania, mas esta abertura foi um exceção".

Fontes: Agência Brasil
             www.exame.com
             BBC
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Nossa equipe iniciou no Rio durante a Rio+20 a realização do documentário "Não-Violência X Fim do Mundo", atuou junto a lideranças indígenas, contatou cientistas e ecologistas de vários lugares do mundo, distribuiu mensagens via adesivos e sementes de uma planta que é uma alternativa biológica de combater a Dengue, um kit da empresa francana MacBoot.

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  2. No caso do movimento indígena, ajudamos líderes dos povos da floresta, como Gaspar Waratzere Tsiauri (Xavante, da aldeira de Namunkurá, lutando contra a contrução de uma megausina hidrelétrica, que acabará com os peixes e a vida do Rio das Mortes, ali na região deles no Mato Grosso do Norte) e também, Olímpio Guajajara (do Maranhão, que lá estava em nome de 25 mil índios de sua aldeia, que sobrevive à base de agroecologia).

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  3. Em todos os contatos e por todos os lugares onde passamos durante a Rio+20, fazendo o documentário sobre violência, distribuindo mensagens de ecologia e desenvolvimento sustentável em português, inglês, francês e espanhol, o sucesso foram as sementes de Crotalária, sementinhas dum kit da MacBoot que distribuimos bastante, esta planta alimenta a libélula que come o mosquito da Dengue, esta alternativa biológica de combate era disputada a tapa por gente do povo, da imprensa, ecologistas, cientistas, todos queriam conhecer e plantar a Crotalária, uma florzinha amarela, típoca do interior do nosso país.

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  4. Outro destaque no nosso trabalho durante a Rio+20 foram os flashes de informação que diariamente fazíamos entre 11h e meio dia, dentro do espaço de jornalismo da Rádio Imperador AM de Franca, que tem um alcance regional, sendo sintonizada desde a Serra da Canastra, passando pelo sudoeste mineiro e nordeste paulista, difundindo assim o evento da ONU através da visão da nossa equipe do blog Folha Verde News. Um avanço histórico para o rádio do interior do Brasil.

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  5. Cerca de 110 mil pessoas foram ao Rio de Janeiro, na semana passada, para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, gerando para a cidade um rendimento extra de R$ 274 milhões em hospedagem, transporte e alimentação. O dado consta do balanço operacional da Rio+20, divulgado neste domingo, 24, pela prefeitura carioca. Agência da ONU promoveu na orla do Rio bicicletada em favor da mobilidade urbana
    Especial: cobertura da Rio+20. Aproximadamente 45 mil pessoas estiveram presentes no Riocentro, local que sediou a conferência da ONU, e mais de 1 milhão de participantes estiveram nos eventos paralelos, com destaque para a Cúpula dos Povos, no Parque do Flamengo, que reuniu 300 mil pessoas, e para o Espaço Humanidade 2012, no Forte de Copacabana, que teve 210 mil visitantes. A informação é do site estadao.com.br

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