domingo, 15 de julho de 2012

EM MEIO À VIOLÊNCIA CONTRA AS FLORESTAS UMA ESPERANÇA QUE VEM DA COLÔMBIA

Índios da Amazônia Colombiana ensaiam alternativas de sustentabilidade nas florestas

Neste domingo estamos focalizando aqui no nosso webespaço de ecologia e de cidadania, Folha Verde News, um grupo de cinco indígenas todos vivendo na Amazônia, mas na Colômbia,  eles foram recentemente tema de reportagem no site O Eco por causa da proposta deles em realizar uma missão de “guardiões da selva”: afirmam eles, também, que no dia a dia dão a sua parcela de contribuição na preservação da floresta e no resguardo da biodiversidade. No grupo, estava Roberto Marina Noreña, 46 anos, da etnia Barasano, que vive na divisa dos estados Vaupés e Amazonas, sudeste da Colômbia. Os Barasanos vivem no Rio Pirá Paraná e tem a gestão legal de seu território desde 1991, ano da nova Constituição colombiana, que incluiu os direitos dos povos indígenas de gerir seus territórios. A Colômbia se destacou na região por conceder, há 21 anos, pelo então presidente Virgilio Barco,a entrega aos povos indígenas da Amazônia dos títulos de propriedade sobre 20 milhões de hectares. Hoje, metade do território colombiano é coberto por florestas. E os indígenas, que representam apenas 2% da população colombiana, detêm 30% das áreas verdes. “Somos originários desse lugar. Foi uma conquista que o Estado colombiano reconheceu. Temos, hoje, o nosso direito de igualdade como qualquer pessoa do país. Culturalmente, nossos ancestrais deixaram toda a política necessária para bem administrar os recursos do meio ambiente”, disse Roberto Noreña. Este indígena da tribo Barasano é ligado à Associação de Capitães e Autoridades Tradicionais Indígenas do rio Pirá Paraná (ACAIPI), que desenvolveu um plano de salvaguarda da manifestação Hee Yaia Kéti Oka (Jaguares do Yurupari), o conhecimento tradicional para o manejo do mundo dos grupos indígenas do rio Pirá Paraná. “Para garantir nossa existência, temos um manejo de cultivo típico, um sistema de conhecimento e, dessa forma, temos cpnseguido levar adiante a política de sustentabilidade”, explicou com ajuda de intérpretes. Somente a associação ACAIPI reúne 17 comunidades indígenas e 39 malocas tradicionais, com uma população de 2.500 pessoas, que vivem em uma área de 4.500 quilômetros quadrados. Noreña admitiu que o diálogo inicial com as autoridades foi difícil. “No início, desconfiavam que nós não seríamos capazes de assumir essa descentralização administrativa. Mas sempre fomos pacíficos, responsáveis e enfrentamos as barreiras com calma, temos uma missão a cumprir”.
A experiência dos Barasanos e de outros, como os Piapoco e os Curipaco do rio Negro, os Tanimuka e Letuama dos rios Wakaya e Oiyaca, foi reunida na publicação “Guardiões da Selva – Governabilidade e Autonomia na Amazônia Colombiana”, em espanhol, editada pela Consolidação Amazônica (COAMA) em parceria com o programa de bosques tropicais da União Europeia.
Para o antropólogo Martin Von Hildebrand, da Fundação Gaia Amazonas e coordenador da COAMA, ainda que restrita ao território colombiano, que ocupa 7% do total da Amazônia, esta experiência começa a dar frutos. Ele defende a necessidade de governos e técnicos ambientalistas trabalharem em parceria com os povos indígenas para preservar a floresta: “O nordeste da bacia amazônica ainda é uma região desconhecida e bem conservada pelos povos indígenas, uma área com alta biodiversidade. Eles são povos que já estavam aqui antes dos europeus, são culturas tão antigas e diferentes, e não destruíram o planeta como nós. Eles têm muito a oferecer”, disse Von Hildebrand. “Eles dão uma enorme contribuição ao conhecimento da medicina, alimentação e proteção ao meio ambiente. Há coisas que os indígenas entendem e que a ciência ainda não pode medir”.
Somente na Colômbia, existem 85 etnias indígenas e 68 línguas distintas e, segundo a COAMA, 95% dos povos detêm hoje o direito legal de gerir suas terras. Algo que precisa também ser discutido e regulamentado em outros países da América Latina, em especial da região amazônica. Os índios  na Colômbia, na Venezuela, no Equador, no Peru ou no Brasil são tão vulneráveis diante das variadas formas de violência na atualidade como as florestas e ambos representam uma reserva de futuro para a nossa vida: "A Amazônia precisa ser revista, assim como  está ensaiado nesta reportagem, algo que extravasa nosso país e um embrião de uma nova maneira de viver junto à natureza ou em harmonia com ela, isso, quando houver um encontro das culturas, das diferenças ou contrastes e semelhanças entre ecologistas, cientistas, indígenas e todos os que se preocupam com mudar a atual realidade e criar o futuro da nossa vida", comentou nosso editor Padinha, ao postar estas informações aqui neste webespaço da ecologia e da cidadania, sempre em busca de informações que possam avançar alternativas para os problemas atuais.

A preservação da ecologia e de uma maneira de viver mais sustentável...
 
...faz dos indígenas da Amazônia uma reserva de alternativas para o futuro da vida

Fontes: http://www.oeco.com.br/
             http://folhaverdenews.blogspot.com/

3 comentários:

  1. Em meio à realização, que ainda continua, do documentário "Não-Violência X Fim do Mundo", a equipe do blog Folha Verde News conviveu por 8 dias com índios do Mato Grosso e do Pará, Xavantes e Guajajaras, que se mostraram aptos a uma missão aqui no Brasil deste tipo que é planejada por indígenas colombianos.

    ResponderExcluir
  2. Claro que convivemos ou debatemos com outros índios, que ao contrário, não assumem esta missão ecológica, têm vendido madeiras das florestas, permitido o garimpo de ouro ou diamantes, se corrompem por dinheiro, bebida, poder. Mas estas lideranças mais autênticas dos indígenas (e não só da Amazônia) precisam ser focalizadas pela mídia, respeitadas em suas posições e apoiadas em suas iniciativas para que seja possível uma fusão ou uma síntese entre culturas e brancos com índios possam se interagir na criação do nosso futuro.

    ResponderExcluir
  3. Este tipo de postagem como a de hoje aqui em nosso blog de ecologia e de cidadania vai também no rumo contrário da violência da atualidade, que predomina nas cidades e nas florestas, dentro dos erros e limites da atual sociedade de consumo, prevalecendo em todo o planeta.

    ResponderExcluir

Translation

translation