sexta-feira, 20 de julho de 2012

ESPANHÓIS E EUROPEUS SOFREM REALIDADE DE PAÍS POBRE

Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Madri, onde estava o repórter Gabriel Rubio da AFP ontem: para protestar contra as últimas medidas de austeridade do governo conservador, que preveem a elevação do imposto sobre o valor agregado (IVA), a suspensão do abono de Natal para os funcionários públicos e a redução do valor do seguro desemprego, milhares de espanhóis foram à manifestação, que ocorreu sem violência e em um ambiente quase festivo, mas ao final pequenos grupos se dirigiram ao Congresso e agentes da tropa de choque agiram para dispersá-los na zona da emblemática Puerta del Sol. Segundo o comando da Polícia de Madri, sete pessoas foram detidas e outras seis ficaram feridas durante os incidentes.
"Por um futuro digno para nosso povo", "Quero meu Natal" - diziam os cartazes dos manifestantes, incluindo muitos policiais, bombeiros, agentes administrativos, aposentados e estudantes. "Mãos ao alto! Isto é um assalto!" - gritavam os manifestantes contra o novo pacote de austeridade do governo, que pretende poupar até 65 bilhões de euros até o final de 2014. "Não podemos fazer outra coisa que sair às ruas. Já perdi entre 10% e 15% do meu salário nos últimos quatro anos", disse Sara Alvera, 51 anos, funcionária do Tribunal de Contas. "Que Natal fantástico vamos passar este ano sem qualquer tipo de abono", lamentou Paloma Martínez, funcionária do ministério do Interior, de 47 anos, cética sobre a eficácia do novo pacote econômico. "Elevam os impostos, tudo está mais caro, e se não podemos comprar, as lojas vão fechar, vão demitir mais gente", concluiu Paloma Martínez. O orçamento do Estado espanhol para 2012, que já era de uma austeridade histórica visando poupar 27,3 bilhões de euros, não foi suficiente e Madri terá que se submeter a novas exigências de Bruxelas em troca de um prazo mais amplo para reconduzir seu déficit público a 3% do PIB e de uma ajuda aos bancos espanhóis, de até 100 bilhões de euros.
"É uma situação injusta porque o governo, no lugar de fazer o setor financeiro pagar pelo que produziu, coloca todo o peso nos desempregados, nos doentes, nos aposentados", disse à AFP o ator Javier Bardem.
"Fazem exatamente o contrário do que diziam em seu programa eleitoral", afirmou José Ignacio Gil, 50 anos, administrador de uma empresa privada, em meio à multidão que formou uma massa única da Plaza Neptuno até a Puerta del Sol, cobrindo cerca de 1,5 km. Segundo o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, a situação é tão grave que o executivo não pode mais decidir entre o bem e o mal, tem que optar entre o ruim e o pior". O ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro, advertiu que "não há dinheiro nos cofres públicos para pagar os serviços". As manifestações convocadas pelas centrais sindicais UGT e CCOO em 80 cidades dão sequência aos protestos espontâneos surgidos nas redes sociais desde que se conheceram as novas medidas de austeridade do governo, principalmente envolvendo o funcionalismo público. Bombeiros com seus capacetes, funcionários da justiça vestidos de amarelo, professores com camisetas verdes e policiais identificados ocuparam as ruas na última semana para protestar. Os sindicatos exigem do governo a convocação de um referendo sobre as medidas de austeridade e não descartam a possibilidade de uma greve geral no outono, mobilizando mais setores da população contra o que chama de "desgoverno econômico".

Bombeiros ficam nus para protestar contra pacote econômico espanhol
Fontes: AFP
             www.yahoo.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com
             Reuters

5 comentários:

  1. Inimaginável o que acontece na Europa, não só na Espanha, com a crise de agora e as medidas governamentais que não corrigem a essência dos problemas na economia, afetando a qualidade de vida da população, vivendo um sufoco típico e "normal" em países historicamente mais pobres.

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  2. Asa informações e fotos da France Press e da Reuters enfatizam o tom pacífico e até de bom humor das manifestações: os bombeiros protestando só de botas e capacetes - como se fossem as ativistas do Grupo Femen que se manifestam nuas ou seminuas - mostram outra tendência da atualidade e na cultura do século 21.

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  3. De toda forma, as razões são sérias e já merecem pesquisas, estudos e críticas de comentaristas especializados em economia na Europa e em todo o planeta: uma situação que lembra a realidade de alguns anos atrás no Brasil, mas nos alerta sobre o que poderá acontecer, também por aqui, daqui há alguns anos.

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  4. Outro dado: esta situação alerta também que não somente no Brasil e em países em desenvolvimento, urge a implantação por parte dos governos e também das empresas e empreendimentos de uma gestão de desenvolvimento sustentável, equilibrando qualidade de vida em geral com avanço da economia.

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  5. Se a moda pega, o mundo vai virar uma tribo de índios, sem roupa, sem voz...

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