domingo, 29 de julho de 2012

ESTADOS UNIDOS TAMBÉM QUESTIONADO SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E JOVENS

Norte-americanos mantêm criança presa em Guantánamo, apesar da advertência da ONU

Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para Crianças em Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy  (ONU/T. La Rose)
 Radhika Coomaraswamy representa via ONU os direitos da "criança-soldado" presa pelos USA


A Representante Especial da Secretaria-Geral da ONU para Crianças em Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, renovou seu apelo ao Canadá e aos Estados Unidos para transferir Omar Khadr, que está há uma década em Guantánamo (prisão norteamericana em território cubano) e, ao que consta, seria a última criança-soldado ainda presa neste centro de detenção dos EUA no exterior. Khadr, um cidadão canadense, foi detido no Afeganistão em 2002 – quando tinha 15 anos de idade – por supostamente jogar uma granada que matou um soldado norte-americano, fato que nem mesmo chegou a se comprovar. "Hoje, ele já é um adulto de 25 anos, com certeza, marcado por estes fatos violentos que chocam qualquer ser humano, ainda mais quando criança ou adolescente", comentou por sua vez o ecologista Padinha ao editar hoje o blog Folha Verde News. A informação é que Coomaraswamya apelou aos dois Governos para transferir Khadr para o Canadá, como foi acordado em outubro de 2010: “Omar Khadr foi uma criança-soldado e nossa experiência em todo o mundo indica claramente que um sistema focado na reabilitação é muito mais adequado para essas crianças que foram exploradas e abusadas por adultos do que a prisão”, afirmou. “Transferi-lo para o Canadá para uma reintegração adequada é a coisa certa a fazer”, acrescentou Coomaraswamya, que deixa o cargo no final deste mês e quer fazer isso mais tranquila com a liberdade a este prisioneiro político dos Estados Unidos. Guantânamo é uma prisão política que contradiz a imagem de democracia que os norteamericanos buscam difundir em todo o planeta. Nesse sentido, veja a seguir a matéria de Willian Fisher, que ele postou já há algum tempo nos sites historianet e envolverde. E as denúncias ainda não foram objetivamente negadas. Confira.


Filmes de ficção já questionam também o alcance da realidade de violência

O horror ainda se renova em Guantânamo

A mais antiga das organizações norteamericanas de direitos civis alertou que o Governo continua ocultando o resultado das investigações sobre abusos contra prisioneiros no centro de detenção militar  dos Estados Unidos em Guantánamo, em Cuba. Os documentos recebidos pela União de Liberdades Civis da América (Aclu) "deixam sem resposta mais perguntas do que respondem", advertiu a organização. Mesmo assim os papéis entregues narram o que mais de um observador denomina de "tratamento não apenas agressivo, mas ofensivo", que inclui deixar prisioneiros acorrentados em posição fetal e cobertos de urina e fezes. Pressionado pelo Congresso, o Departamento de Defesa anunciou que iniciará a sua própria investigação sobre as últimas denúncias de violações de direitos humanos na base que a Marinha norte-americana ocupa em Guantânamo. As informações foram divulgadas pelo Escritório Federal de Investigações (FBI). A investigação do Pentágono tem como responsável o brigadeiro John T. Furlow. O comandante-geral de Guantânamo, Jay Hood, disse que seria necessária uma equipe independente de investigadores, alheios à base naval, para que entrevistasse funcionários que deixaram seus postos e que agora estão fora de seu controle. Por sua vez, a Aclu advertiu que "voltará aos tribunais para questionar os registros das agências" governamentais às quais se solicitou informação e "a redação" de alguns dos documentos. "Por que o FBI estreitou sua investigação? O FBI fez alguma entrevista de acompanhamento? O FBI entregou um sumário formal de suas descobertas ao Departamento de Defesa? Se assim foi, por que o FBI não divulgou uma cópia desse informe?", pergunta o advogado da Aclu Jameel Jaffer. Os documentos foram divulgados depois da ordem judicial ao Departamento de Defesa e outras agências do governo para que cumpram a determinação feita há um ano, com base na Lei de Liberdade de Informação, pela Aclu, pelo Centro de Direitos Constitucionais, Médicos pelos Direitos Humanos, Veteranos pelo Senso Comum e Veteranos pela Paz. Entre os documentos do FBI entregues à Aclu consta um e-mail enviado já há 10 anos referente "ao plano de entrevistas militares" e que inclui o comentário: "Não vão acreditar nisto!". Outros documentos obtidos pela Aclu incluem um muito editado referente a uma investigação denominada "Corrupção em funcionário federal - Ramo executivo" que parece se referir ao FBI, devido à menção de um "conflito de interesses". Anexo a esse documento consta um sumário de "estatutos criminais potencialmente relevantes", referentes a crimes de guerra, tortura, abuso sexual agravado e de menores de idade. Os novos documentos evidenciam que muitas das descrições de abusos foram a resposta a um pedido por e-mail do diretor do Escritório de Inteligência da agência, Steve McCraw, a mais de 50 agentes que estiveram destacados em Guantânamo. McCraw solicitou a eles informes sobre "tratamentos, interrogatórios ou entrevistas agressivas" que pudessem violar as normas do FBI. Quatrocentos e setenta e oito agentes responderam, dos quais 26 informaram sobre maus-tratos por parte de funcionários de outros organismos. Esses relatórios foram analisados pela assessora-geral do FBI, Valerie Caproni, para quem 17 desses casos de maus-tratos estavam de acordo com "técnicas aprovadas pelo Departamento de Defesa". Assim, observou Jaffer, esses 17 casos não foram alvo de investigação. Por razões desconhecidas, segundo a Aclu, Caproni se recusou a investigar esses abusos. A funcionária "se concentrou em abusos que não estavam ainda aprovados pelas normas permissivas" do Pentágono. Portanto, "somente nove incidentes foram alvo de investigações posteriores", acrescentou Jaffer. A análise feita pela Aclu dos documentos que recebeu demonstra que alguns registros não foram divulgados. Os novos documentos obtidos pela Aclu indicam que os abusos em Guantânamo foram ou vão muito mais além do admitido antes pelo Governo. Em 2004, um agente do FBI cujo nome foi apagado informou ter visto um preso em Guantánamo "deitado no chão da sala de interrogatório, envolto em uma bandeira israelense, com música estridente e uma luz estroboscópica". Em outro,posteriormente, outro agente do FBI informa que "em duas oportunidades" entrou nos locais de interrogatório de Guantânamo e encontrou presos "com pés e mãos acorrentados em posição fetal no chão, sem cadeira, alimento ou água. Em certa ocasião o ar-condicionado estava desligado e a temperatura era tão fria que o preso, descalço, tremia. Os policiais militares me contaram que os interrogadores do dia anterior haviam determinado esse "tratamento", acrescentava a denúncia que ainda não foi respondida à altura, como parece indicar a representação enviada nesta semana por Radhika, representante oficial da ONU em problemas ligados a crianças envolvidas em conflitos armados ou vítimas de violência, fatos que já deveriam estar no passado mas que infelizmente ainda predominam em variados pontos da Terra.

Fontes: www.onu.org.br
             www.historianet.com.br
             www.revistaforium.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

3 comentários:

  1. Não se trata de uma denúncia feito no calor duma guerra civil no Afeganistão ou no Oriente Médio, a representação está sendo feito agora pela ONU, o que atualiza e agrava a situação de violência.

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  2. O auge da violência com certeza é quando ela envolve crianças.

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  3. O objetivo da nossa postagem não é polemizar sobre Guantânamo, a prisão política dos Estados Unidos na América Central, mas questionar a situação-limite a que chegou a violência na atualidade contra as crianças, como é também o caso de denúncias de acontecimentos com menores palestinos em prisões do governo de Israel ou de crianças sendo treinadas para a guerra em outros países.

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