terça-feira, 24 de julho de 2012

JOVENS JOGADORES E TAMBÉM GAROTAS MODELOS PASSAM SUFOCO NO EXTERIOR


Futebolistas brasileiros denunciam maus-tratos em clubes do exterior em pelo menos oito países


Lucas Camargo Alves teve problemas no futebol do Irã. Foto: Arquivo Pessoal / Lucas Alves/ Divulgação Lucas Camargo Alves é um entre vários casos: teve problemas graves no futebol do Irã

Nestes dias a mídia internacional e do Brasil noticia dificuldades e preconceitos sofridos por mulheres brasileiras, que atuam como modelo, em alguns países como na Índia, mas em termos de quantidade de casos a maior incidência de problemas está no futebol, como conclui nosso blog a partir das informações de sites como BBC e Terra: os esforços do governo para coibir a exploração de brasileiros no exterior em vários setores de atividade também têm como público-alvo um grupo profissional que já atua internacionalmente há várias décadas, os jogadores de futebol. Segundo o Itamaraty, nos últimos três anos, entre 50 e 100 atletas brasileiros procuraram representações diplomáticas do Brasil em busca de ajuda. Eles relataram, na maioria dos casos, descumprimento de contrato pelos clubes, más condições de trabalho e dificuldades para voltar ao nosso país, quando surgem os problemas."É possível que tenhamos até 300 futebolistas hoje nessas condições", calcula Luiza Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior. O Itamaraty já registrou queixas de jogadores brasileiros na Armênia, China, Coreia do Sul, Grécia, Índia, Indonésia, Irã e Tailândia. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), há cerca de 6 mil brasileiros em times estrangeiros.
O Itamaraty criou até uma Cartilha de Orientações para o Trabalho no Exterior,  onde se diz  que boa parte dos jogadores explorados são vítimas de "agentes inescrupulosos, intermediários de propostas tentadoras que escondem armadilhas". O texto afirma que os agentes costumam dar prazos curtos para a decisão do jogador, para evitar que ele se informe melhor. Há casos em que, uma vez no exterior, o atleta encontra condições de vida e de trabalho ruins, é tratado com brutalidade pelos treinadores e tem o contrato de trabalho desrespeitado. "Com frequência, o jogador é submetido a uma carga de treino excessiva, instalado em alojamento precário e vê seu salário ser descontado diariamente - sem que isso tenha sido explicitamente acordado - com alimentação, acessórios esportivos e outros itens", diz a cartilha. Em outros casos, os jogadores são rejeitados pelo clube e abandonados sem passagem de volta nem assistência.

Dois casos que expressam bem esta situação
 
Contratados por um time de Sari, no Irã, o paranaense Lucas Camargo Alves, 22 anos, e o gaúcho Cassius Lumar Viana Rosa, 25 anos, mudaram-se para o país persa em julho do ano passado, atraídos pelo que consideravam uma boa oferta de trabalho. Três meses depois, no entanto, o clube não entrou no campeonato local e suspendeu os pagamentos dos atletas. "Pedimos para vir embora, mas disseram que os nossos passaportes tinham sido extraviados", afirma Alves. Após insistirem, o clube disse que só entregaria os documentos se os jogadores pagassem, cada um, US$ 30 mil (cerca de R$ 71,3 mil) referentes a gastos com hospedagem, passagens e comissões recebidas. "Fugimos para a capital (Teerã) sem ninguém saber", afirma Lumar. Em Teerã, a dupla procurou a Embaixada brasileira, que contatou o clube e conseguiu recuperar os passaportes. No entanto, os atletas descobriram que, para deixar o país, teriam de pagar uma multa de US$ 3 mil (R$ 6,1 mil) por causa do vencimento de seus vistos. "Foi uma surpresa, achávamos que estávamos legais", diz Alves. Ao pagar a multa e comprar a passagem de volta, Alves afirma que gastou todas as economias que tinha feito na viagem. "Desanimei com o futebol depois disso", diz o jogador, que voltou a morar em Cascavel (PR) e tem pensado em abandonar a carreira, embora possa encontrar um clube no Rio Grande do Sul, Paraná ou Santa Catarina, onde tem amigos de infância que viraram jogadores profissionais em pequenas e médias equipes: "Fora do futebol fica difícil, não tive tempo de completar os estudos ou fazer faculdade", argumenta ainda o gaúcho Cassius Lumar, com o que concorda o paranaense Lucas Camargo. Ambos pensam em tentar a sorte no futebol paulista, mineiro ou carioca, mas depois de ponderar pelo que passaram no exterior, Lucas e Lumar pensam duas vezes em se afastrar de suas casas.

Além de mirar jogadores de futebol brasileiros, a cartilha do Itamaraty também alerta sobre riscos no exterior para candidatas a modelo, churrasqueiros e professores de danças brasileiras, entre outras profissões de muitas atrações e de grandes riscos no exterior hoje em dia. "O que mais importa é o jovem futebolista ou outro profissional checar bem a proposta, o contrato, buscar previamente informações no Itamaraty em Brasília, no caso de atletas de futebol, uma das primeiras providências é saber se o empresário é agente credenciado da Fifa, informação que pode encontrar na CBF, evitando assim este tipo de problemas", comenta o editor do blog Folha Verde News, o ecologista Padinha: "O sonho de ganhar fortunas no futebol ou na moda atrai muitos garotos e garotas mas é preciso de realismo na hora de decidir algo tão problemático como mudar de país. Em todos os países, prevalecem outros interesses e há esquemas de exploração do trabalho de jovens profissionais".

Se até campeões mundiais como Kaká têm dificuldades no exterior, imagine jovens desconhecidos

Garotas atletas ou modelos estão entre as profissões de maior risco para o Itamaraty

Leis brasileiras já limitam a transferências de garotos menores de idade para clubes do exterior


Fontes: BBC
             www.terra.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

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3 comentários:

  1. De repente, um desentendimento com o treinador do time dificulta a carreira ou o trabalho até de jogadores consagrados, como é o caso de Kaká, agora no Real Madrid: se isso acontece com atletas famosos ou muito conhecidos, a situação é dramática quando se trata de jovens anônimos.

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  2. Mesmo jogadores profissionais em grandes clubes estrangeiros, até mesmo na Europa, têm sofrido dificuldades, como preconceito racial ou perseguições e maus tratos, mas com os jovens futebolistas a situação é muito mais complicada e nossa postagem tem o objetivo de alertar a garotada e seus familiares.

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  3. Especialmente, no caso de garotas que sonham em se tornar modelos há ainda a agravante de um perigo de a pessoa ser escravizada num circuito de trablho que leva à prostituição. Mas mesmo jovens atletas não estão livres deste risco. Vai daí que a prevenção e o realismo são a alternativa mais segura para o sonhoi de trabalhar no exterior.

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