segunda-feira, 23 de julho de 2012

UM CASO DE VIOLÊNCIA À LIBERDADE DE INFORMAÇÃO EM SÃO PAULO



Repórter da Folha relata ameaças depois de denúncia contra apologia à violência da PM

O jornalista recebeu ameaças após revelar as apologias à violência policial feitas pelo ex-chefe da Rota e candidato a vereador, comandante Telhada: por sua vez, o repórter André Caramante recebeu a solidariedade do Sindicato dos Jornalistas, bem como de ativistas contra a censura ou que lutam pela liberdade da informação em várias mídias, inclusive na Internet, como aqui no blog Folha Verde News.

O site Brasil de Fato em matéria do jornalista José Francisco Neto deu destaque especial nesta semana a este acontecimento, a seguir um resumo desta ocorrência que não tem nada a ver com cidadania..
Após escrever uma matéria sob o título “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”, o jornalista da Folha de S.Paulo André Caramante passou a receber inúmeras ameaças dos seguidores da página pessoal do ex-comandante da Rota e também candidato a vereador pelo PSDB em São Paulo, Adriano Lopes Lucinda Telhada. Este atual candidato a vereador vem usando sua página no Facebook para fazer apologia à violência policial nas periferias da capital. Como resultado, seus seguidores têm deixado comentários do tipo: “bandido tem que ir pra cova” ou então “vamos arrancar o pescoço desses vagabundos”. Uma das “pérolas” de Telhada diz sem rodeios: “que chore a mãe do bandido, porque hoje o bote é certo”.
Após Caramante ter feito a reportagem em forma de denúncia, os seguidores de Telhada – dentre eles muitos policiais – começaram a ameaçá-lo, através de comentários como “é isso aí Telhada, vamos combater esses vagabundos” e “esse Caramante é mais um vagabundo. Coronel, de olho nele”.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo protocolou um documento  na Ouvidoria das Polícias, a Corregedoria da Polícia Militar (PM) e órgãos públicos estaduais, além dos diretórios municipal e estadual do PSDB a que se integra Adriano Telhada e também junto à Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República relatando o problema. Em um dos trechos do documento, o sindicato solicita às autoridades resguardar a liberdade de imprensa e a integridade física dos profissionais da área jornalística. O Sindicato denuncia também a grave atitude do ex-comandante da Rota de incitar a violência física e moral contra o repórter através das redes sociais. O Portal dos Jornalistas faz um alerta sobre o que significa esta situação. "E aqui o Folha Verde News, nosso blog de ecologia e de cidadania, sempre atento às lutas pela liberdade de informação ou contra eventuais formas de censura, não poderia silenciar sobre este fato que é também um sinal de advertência da violência da realidade hoje em dia no país", comenta nosso editor, o ecologista Padinha, que tem realizado nas últimas edições uma série de posts sobre variadas formas de violência na atualidade do país e do planeta. Este fato é mais uma forma de violência.

 

Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de São Paulo, que chegou a ter sua foto confundida com a do repórter André Caramante, lamenta o equívoco, se solidariza com o repórter do seu jornal que assim como o MP criticou também um Coronel da PM , mas não endossa o tom exagerado de comentários que sairam depois em redes sociais 

Ex-comandante da Rota nega que esteja se promovendo e estimulando a violência

Veja o que diz o Portal dos Jornalistas


Após publicar no último sábado (14/7), na Folha de S.Paulo, a matéria intitulada Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook, André Caramante estaria sofrendo ameaças. Em seu texto, o repórter relata que um coronel reformado da PM, Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, tem publicado em sua página na rede social um discurso exageradamente agressivo, cujo propósito seria conquistar adesões às vésperas das eleições nas quais é candidato a vereador pelo PSDB. É alta a probabilidade de serem procedentes as ameaças de partidários de Telhada contra André. O coronel comenta o texto do repórter em um de seus posts e, após chamá-lo de “notório defensor de bandidos”, conclama: “Gostaria de solicitar aos amigos que enviassem e-mails de repúdio ao referido jornal”, fornecendo um endereço eletrônico e um telefone do jornal.
A J&Cia, Sérgio Dávila, editor-executivo do jornal, disse que “embora não concordemos com os termos usados por ele [o coronel], respeitamos seu direito de crítica. Houve excessos nos comentários colocados a seguir, como quase sempre acontece no meio digital”. Em nota publicada na edição desta 4ª.feira (18/7), o jornal repercutiu manifestação do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que repudiou os comentários de Telhada e pediu providências ao governador Geraldo Alckmin e ao secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, para que “a segurança e a integridade do repórter sejam garantidas”.

Fontes: folha.com
            www.brasildefato.com.br
            portaldosjornalistasd.com.br
            http://folhaverdenews.blogspot.com

4 comentários:

  1. Em uma semana, esta é a quarta postagem sobre problemas variados de violência aqui em nosso blog de ecologia e de cidadania, ocorrências que no país e no planeta mostram erros e limites na estrutura cultural da realidade de hoje.

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  2. Ao longo de dois anos, tempo de vida de nosso blog Folha Verde News, temos feito inúmeras matérias, referências e comentários sobre o valor da liberdade de informação - em variadas situações - e tambem críticas sobre várias formas de violência. Esta é mais uma, que postamos aqui como uma forma de solidariedade ao profissional de comunicação e como um alerta à cidadania.

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  3. A atual sociedade de consumo, que vigora em praticamente todos os lugares do mundo, tem causado variadas formas de violência, alertando que esta realidade precisa ser mudada: para mudar e avançar esta realidade é necessário o respeito mútuo entre diferentes setores, fundamental a liberdade de informação e essencial a não-violência, o uso da inteligência ao invés da força, da pressão desmedida ou de alguma forma de censura ou intimidamento. Trata-se de uma questão de cidadania e de interesse geral avanaçr esta realidade, a bem da condição humana de vida, de todos.

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  4. O internauta José Aparecido de Lima nos manda direto de SP esta noticia que saiu no site Yahoo.
    ..Pesquisa mostra o que faz PMs virarem assassinos
    Por Bruno Paes Manso | Agência Estado –Reuters - 6 horas atrás
    Um dos policiais sonhava em proteger a sociedade e trabalhava dobrado para prender suspeitos. Mas nada adiantava - levados à delegacia, eles eram soltos após pagar propina. O outro se sentia superpoderoso com a arma na mão e achava que seria admirado pela tropa depois de praticar assassinatos. Os dois se tornaram policiais assassinos e cumpriram pena no Presídio Romão Gomes, em São Paulo.
    Identificados pelos pseudônimos Steve e Mike, contaram suas histórias e motivações ao tenente-coronel Adílson Paes de Souza, que foi para a reserva em janeiro. As entrevistas estão na dissertação de mestrado A Educação em Direitos Humanos na Polícia Militar, defendida no mês passado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco.
    A discussão sobre o que leva um agente público a atirar e matar ganhou força na semana passada, quando uma abordagem equivocada da Polícia Militar causou a morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, no Alto de Pinheiros, zona oeste. O erro fez a polícia rever anteontem seu treinamento de como abordar veículos suspeitos de forma correta.
    Na entrevista, Steve explicou ao coronel sua rotina de visitar velórios de policiais mortos. Inúmeras frustrações o levaram a assumir o papel de "juiz, promotor e advogado". Já o policial que se identificou como Mike relatou que imaginava que, ao praticar homicídios, seria mais respeitado por colegas de tropa.
    "Como meu trabalho mostra, existe razão na preocupação de entidades nacionais e internacionais com a violência na sociedade brasileira", diz Souza. "O quadro é considerado grave. Fiz o estudo e ouvi os policiais por acreditar que a mudança da situação passa por melhorias na educação do policial."
    Formado em Direito, o tenente-coronel também integra a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo desde 2007. Foi orientado pelo professor Celso Lafer e participaram de sua banca o filósofo Roberto Romano e o professor André de Carvalho Ramos. O trabalho cita dados da Ouvidoria de São Paulo sobre violência policial: com população quase oito vezes menor que a dos Estados Unidos, o Estado de São Paulo registrou 6,3% mais mortes por policiais militares em um período de cinco anos.
    Direitos humanos. A educação de baixa qualidade em direitos humanos é apontada pelo coronel como uma das causas da violência policial. A dissertação mostra que, no ano 2000, eram dadas 144 horas/aula de direitos humanos. Dezoito anos depois, os currículos com matérias de direitos humanos diminuíram no Estado. Atualmente, o tema corresponde a 90 horas/aula, o que significa 1,47% do total da carga horária do curso. Souza ainda sugere em seu trabalho maior participação da sociedade civil para ajudar a criar um tipo de educação de perfil crítico, com debates mais transparentes e participação popular. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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