sábado, 18 de agosto de 2012

LARRISA BAQ NA TRILHA DA MÚSICA ECOLÓGICA


Como Diego Figueiredo (ou seu parceiro Eduardo Marson) ela é talento nativo

Ouvi/vi tudo que tem de Larissa Baq na Internet (aqui na webcentral do nosso blog Folha Verde News) pra ter uma idéia do trabalho dela, tudo muito nativo, um som que vem da alma e da natureza do interior do Brasil: assim como o já internacionalmente consagrado Diego Figueiredo, ela é de Franca, interior paulista, divisa com Minas Gerais e o seu som está na fronteira entre o passado da música brasileira (Pixinguinha, Baden Powell, João Gilberto, Noel Rosa, Cartola) que ela curte e sempre mostra nas suas apresentações, o presente do som brasileiro (que com certeza passa por Caetano, Gil, Chico, Almir Sater e até Elis Regina ainda) e... o futuro. O futuro que eu pessoalmente vejo como música ecológica, que ainda está sendo criada, lado a lado com ecologistas que lutam para mudar e avançar a realidade, criando o futuro da vida. Ela é branca mas seu som é negro. Descendente de imigrantes italianos (Nalini) que nem o branco Elvis Presley era, ela é negra no som. Fisicamente lembra um pouco Janis Joplin mas sua batida tem um quê de Jimmy Hendrix, pode? Pode, ela até tem uns toques pops de Betinho Eliezer, também seu conterrâneo, no caso, quando ela faz melodia.
Larissa Baq  - que foi batizada com o nome do batuqe do Recife em Pernambuco - já vinha estraçalhando juntamente com seu parceiro Eduardo Marson, no grupo Duolá, um duo superinteressante que e uma oásis entre as milhares de duplas sertanejas. Os dois estiveram no ano passado na Europa, agora, ela volta para o Brazilian Day em Barcelona na Espanha, no 7 de Setembro, aqui é feriado e lá ela vai trabalhar. Assim como Diego e toda essa nova geração nativa, ela parece ter mais espaço no exterior do que aqui no país da (des)natureza. Mas isso, creio, por enquanto, Larissa ainda está sendo descoberta assim como toda esta musicalidade nativa do interior brasileiro. Passando por BH (MG) vi um pessoal fazendo um som desse tipo e era uma festa de rua de hip-hop e MPB, sem tabus ou preconceitos. E tinha um pouco do som atonal africana de Estevão Maya, que misturava o afro com o experimentalismo do seu mestre de música contemporânea, Kollereuter
Eu a vi/ouvi ainda garotinha tocando uma vez  no Projeto Guri mas agora é que realmente estou vendo/ouvindo, além do seu rosto, do visual de rebeldia e da batida nativa do seu som. E ele revela a sua alma.
Larissa começou a mexer com música com 12 anos, profissionalizou-se aos 20, com 15 já fazia música da noite, num dos bares vi/ouvi ela tocando/cantando Asa Branca do Luiz Gonzaga com um som negro bem sertão do país, o som extravasava as conversas do bar, onde as pessoas bebem e falam mesmo durante o show dos artistas. Depois fiquei sabendo que ela toca violão, guitarra, trompete, pandeiro, compõe, é multinstrumentista (quem nem Diego Figueiredo, de novo ele) e curte muito a percussão, num rítmo às vezes nordeste, às vezes Bahia, de repente escravos, outra hora do rock, das mãos, dos instrumentos, da cabeça, do coração e da alma ela tira um som supernativo. Eu antevejo nela, no Eduardo Marson, no Diego, nesta rapaziada e moçada a nova música contemporânea e ecológica do Brasil.  Para usar a irreverência ou a informalidade de que Larissa Baq gosta muito, vou aqui chamar este sentimento (pshhh) de música ekológika, prá não dar a ela muita responsabilidade e assim, esta menina continuar  avançando com a espontaneidade de uma criança, embora ela já seja uma grande música. É na criança que está a poesia da vida, com o rítmo da natureza e sem a violência dos homens no dia a dia de hoje, aqui ou em qualquer lugar do mundo. É assim que eu leio no som e no visual de Larissa Baq a sua alma. (Padinha)














Fontes: www.larissabaq.com/tecutuco
             http://folhaverdenews.blogspot.com




 " Acredito que quando se é apresentado pra uma criança o universo da musica, é muito visível e muito compreensível também que a criança fique deslumbrada com aquele monte de possibilidades. Demorei pra escolher um caminho que realmente me deixava feliz, e a percussão é assim, é onde me vejo mais.  (Larrisa Baq, lançando CD Te Cutuco, uma batida bem nativa)

9 comentários:

  1. Foi proposital a gente aqui da equipe do blog de ecologia e de cidadania não colocar legendas quando editamos o comentário do Padinha sobre o trabalho musical de larissa Baq. Com o comentário, as fotos dela nem precisam de legenda. O texto busca revelar a sua alma, além das palavras.

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  2. Diego Figueiredo, Eduardo Marson, Larissa Baq, eles três são alguns dos novos talentos nativos que a música tem no interior do Brasil, tem muita gente criando e avançando agora o som do nosso país. No caso dela, "com um rítmo da aldeia da tribo da ecologia", como nos disse aqui na redação, o Padinha.

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  3. Toda essa rapaziada e moçada contemporânea e atual da músika do Brasil faz muito mais pela nossa tera e nossa gente que a maioria dos políticos ou autoridades.

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  4. "Tudo o que é bom no Brasil vai pro exterior, talvez porisso também, Diego Figueiredo, Marson e Larissa sejam mais conhecidos (e respeitados pelo seu trabalho) lá fora do que aki", este foi o e-mail que recebemos do musicólogo Estevão Maya, de São Paulo, quando viu no blog este post sobre o Texutuco.

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  5. Por telefone, o jornalista Paulo Roberto Freitas, do Rio de Janeiro, manda mensagem prá comentar que o trabalho de Larissa Baq tem a ver com o de Mônica Salmazo.

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  6. Paulo Freitas tem razão, os trabalhos se entrecruzam e isso não é só com Mõnica Salmazo: nosso editor Padinha reconhece que também deixou de citar a relação entre os Triablistas e Duoá ou entre Larissa e Marisa Monte, Arnaldo Antunes e no pique do som, Carlinhos Brown. Mas na música tudo se relaciona quando se dirige para uma mesma cultura, que ele vê como sendo a da não-violência, da ecologia, a cultura da vida.

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  7. Mensagem de internauta Zeca Morais: Ainda bem que Larissa se parece com Janis Joplin e o seu som com o de Jimmi Hendriz mas ela, ao contrário deles, não está ligada na loucura das drogas pesadas que levaram embora os dois grandes músicos norteamericanos.

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  8. Pssssh....Guardadas as devidas proporções entre os dois trabalhos, Tecutuco tem um pouco da influência de Elis e em especial de Tom Jobim, especialmente de Águas de Março, né.

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  9. Parabéns pela excelente matéria e maravilha desta Folha Verde News! Paz amigo.

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