quinta-feira, 9 de agosto de 2012

OAB FAZ HOMENAGEM PÓSTUMA A ADVOGADOS DE FRANCA


Entre eles destacamos aqui o Dr. Odorico que fez a diferença no trabalho e na vida

Os mais velhos se lembram de um garoto clarinho, muito vivo e com um sorriso bom. Ele foi no Champagnat muito participante, tocava na fanfarra, fazia teatro, me lembro dele se vestindo em casa para uma versão da ópera Barbeiro de Sevilha, a avó e a mãe que fizeram a roupa, o figurino. Odorico era bom de matemática e de português também, fazia amizade fácil com a garotada. Porisso, chamou a atenção dos Padres Maristas do Champagnat, que falaram com a família e o convidaram a ir estudar no colégio central da instituição no Brasil, em Mendes, no Espírito Santo, onde se formavam os religiosos desta ordem. Ele foi e ficou lá quase 2 anos, voltando por saudade dos familiares e amigos, na primeira férias mais longa que teve, não voltou mais. É o que me lembro desse cara, que desde garoto fazia a diferença.
Foi assim também no seu trabalho no Cartório do Jair, na Faculdade de Direito, no convívio com a família e com os amigos, tinha muitos, até montaram o Clube dos 12. Ele se divertia caçando rã com os amigos. E vizinho do craque da Franca, Tõe Rosa, desde muito jovem manteve amizade com esta família de esportistas, ia nos jogos mas não se interessava em jogar, daí talvez nasceu o seu amor pela Francana. Em casa, nosso pai Jayme Pinheiro Silva, sempre que tinha uma brecha na Nossa Farmácia, ia aos jogos e até treinos do time, isso também ajudou, assim como o fato de nosso Tio Manoel (o mais velho da família, o patriarca, que mantinha na praça central de Franca a Farmácia Modelo), ele havia sido o presidente do clube em sua época áurea, quando a equipe tinha Tõe Rosa, Luizinho Rosa, Tim, Tidão, Eca, era um esquadrão de respeito no interior do país. De toda forma, o Doricada amava a Francana e fez a diferença lá também, como um torcedor que tentava levar o time à frente, também escrevendo artigos no jornal Comércio da Franca e dialogando com Jovassi Corrêa Dias, da Rádio Imperador. Na OAB não foi diferente: muito atuante e prestativo, se preocupava com o desenvolvimento profissional dos jovens advogados e deu muita força ao Conselho de Ética, dedicando-se junto com seus colegas e amigos à entidade que é  sempre de muito valor e cidadania. Hoje, presidida pelo Dr. José Nelson Salerno faz este resgate ao querido Odorico e outros advogados que fazem parte de sua história.
Como advogado, nosso homenageado também fez diferença, especializado em Direito do Trabalho, mas com muita cultura e visão de todas as áreas, amor pela profissão, que o consagrou no Sindicato dos Sapateiros. Foi brilhante também no Sindicato dos Comerciantes. Esse era o Dr. Odorico, se dava bem com todos, empresários ou trabalhadores, colocava em primeiro plano o lado humano.
Não foi um santo e aqui também não se trata de uma cerimônia de canonização.
Mas o Odorico Antônio Silva, boêmio, que curtia músicas melodiosas e gostava de ouvi-las em volume baixo no quarto à noite, no quarto que a gente dividiu por um tempo, antes de eu ir embora de Franca, ele sempre me tratando como se eu fosse uma criança. A gente ouvia no rádio de noite também os jogos do Corinthians e fazíamos um ritual de torcedores. Nas vitórias, a gente pulava a janela e ia comemorar na rua.
Dr. Odorico, como profissional e como pessoa, foi um líder de cidadania, com visão humanitária, nem de direita nem de esquerda, muito pelo contrário (como dizia, imitando Ulisses Guimarães). Era muito ligado e participativo nas questões da comunidade, mas nunca aceitou dezenas de convites para se candidatar, poderia ter sido um vereador aqui nesta casa, mas preferia em vez da política, o trabalho cultural.
Foi diferente. E a sua alegria, às vezes de palhaço, imitando o Odorico Paraguaçu, faz falta por onde passou. Severo, ele tentava com bom humor atenuar suas críticas e desavenças, priorizando a lealdade e o valor humano das pessoas, desde autoridades a um simples varredor do Forum. Na família, se destacava pela sua inteligência e carinho aos filhos. A sua inteligência, eu acho que foi maior, ele tinha a perspicácia daqueles que buscam a sabedoria da vida, algo que aproxima a gente de Deus. Querido, perspicaz nas suas decisões, inteligente a todo o tempo, amigo, Dr. Odorico anda fazendo muita falta. Ele continua fazendo a diferença em nossas vidas. Agora, por não estar fisicamente aqui no dia a dia do nosso lado. (Antônio de Pádua, ecologista Padinha)

Foto recente do Odorico Antônio Silva, advogado ligado à OAB     

 Fontes: 13ª Subseção da OAB Franca
              folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Em termos esportivos, Dr. Odorico era um dos raros corinthianos...verdes, pois a outra paixão sua era a Francana. Ele que nunca jogou bola, conviveu com craques como Tonho Rosa, curtia muito este esporte e sabia todas as estratégias e táticas de jogo, se ligava na arte e na cultura da bola, a mais popular aqui no país do futebol.

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  2. Fã das músicas de Frank Sinatra e de canções melodiosas, também italianas, curtia muito as letras das músicas brasileiras, outra paixão cult de sua vida. Sua vida que foi dedicada em extremo ao trabalho, em especial, em Direito, atuando no mais das vezes em causas trabalhistas no Sindicato dos Sapateiros em especial.

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  3. Sua devoção aos direitos dos trabalhadores e à busca da Justiça era uma forma de orar no dia a dia: ele me disse que trabalhando se sentia em paz e se aproximava de Deus, como numa oração: "A busca da justiça é o que dignifica qualquer pessoa", dizia sobre isso.

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  4. Um detalhe a mais: Dr. Odorico não gostava de se vangloriar de suas vitórias no Fórum e nem na vida, buscava ser humilde e era sempre crítico da realidade e de si mesmo. "Bela roba", falava sobre a sua decantada inteligência, falava isso no dialeto vêneto de sua avó Ignês Furini Marangoni.

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  5. Uma forma de resgatar o valor e a memória do Dr. Odorico e levar adiante os seus ideais de vida, por exemplo, criticando e buscando um avanço da nossa realidade.

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