segunda-feira, 13 de agosto de 2012

UMA CIDADE E ECOLOGISTAS LUTAM CONTRA MULTINACIONAL



Na Hungria havia uma fábrica de chocolates, que vendia para o mercado interno e exportava para os países vizinhos e todo o Leste Europeu. A Nestlé comprou a fábrica, botou todos os funcionários no olho da rua, demoliu as instalações e saiu do país. A Nestlé não quer concorrência: assim começa matéria no site Circuito das Águas, relatando um caso no interior de Minas Gerais que divulgamos com liberdade de informação aqui neste blog da ecologia e da cidadania..

                 

               Nestlé versus Água Mineral São Lourenço

Parque das Águas de São Lourenço ameaçados de destruição por erro de exploração da Nestlé



Aqui, uma das fontes de água em São Lourenço já destruídas pelo processo ilegal





Franklin Frederick conseguiu mais apoio na Suiça do que no Brasil

A denúncia explica que já faz alguns anos a Nestlé vem utilizando os poços de água mineral de São Lourenço para fabricar a água marca PureLife. Diversas organizações da cidade vêm combatendo a prática, por muitas razões. As águas minerais, de propriedades medicinais e baixo custo, eram um eficiente e barato tratamento médico para diversas doenças, que entrou em desuso, a partir dos anos 50, pela maciça campanha dos laboratórios farmacêuticos para vender suas fórmulas químicas e remédios alopáticos, através dos médicos que entraram de cabeça nesssa loucura. Mas  mesmo com este erro, o poder dessas águas permanece. Médicos da região, por exemplo, costumam curar a anemia das crianças de baixa renda apenas com água ferruginosa em uma das fontes de São Lourenço.
Para fabricar a PureLife, a Nestlé, sem estudos sérios de riscos à saúde ou ao ambiente, desmineraliza a água e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição brasileira. E cientistas europeus afirmam que nesse processo a Nestlé desestabiliza a água e acrescenta sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras, a
PureLife acaba virando uma água química. E a Nestlé está faturando em cima de um bem comum, a água, além de o estar esgotando, por não obedecer às normas de restrição de impacto ambiental, expondo a saúde da população a graves danos alguns
desconhecidos. O ritmo de bombeamento da Nestlé está acima do permitido. Troca de dutos na presença de fiscais é rotina. O terreno do Parque das Águas de São Lourenço está afundando devido ao comprometimento dos lençóis subterrâneos. A extração em níveis além do aceito está comprometendo os poços minerais, cujas águas têm um lento processo de formação. Dois poços já secaram. Toda a região do sul de Minas está sendo afetada, inclusive estâncias minerais de outras localidades da macrorregião do sul mineiro.
Durante anos a Nestlé vinha operando, sem licença estadual mas, acabou por obter essa licença no início de 2004, não se sabe como, nos bastidores da política à brasileira...Mas há brasileiros e brasileiros...Um deles, é um dos líderes mais atuantes no movimento de defesa das águas de São Lourenço: Franklin Frederick, após anos de tentativas frustradas junto ao Governo e à imprensa para combater o problema, conseguiu apoio, na Suíça,
para interpelar a empresa, que ele considera criminosa, obteve o apoio da Igreja Reformista, a Igreja Católica, de Grupos Socialistas e da ONG verde ATTAC: médicos, cientistas, ecologistas uniram esforços contra a Nestlé, que
na Suíça já havia tentado a mesma prática ilegal. Em janeiro deste ano, graças ao apoio desses grupos, Franklin conseguiu interpelar pessoalmente, e em público, o presidente mundial do Grupo Nestlé. Este, irritado, respondeu que mandaria fechar imediatamente a fábrica da Nestlé em São Lourenço. No dia seguinte, no entanto, o governo de Minas
(PSDB), baixou portaria regulamentando a atividade da Nestlé. Ao invés de aplicar multas, deu-lhe uma autorização, mesmo ferindo a legislação federal e a ética desta situação. Sem aproveitar o apoio internacional para o caso, apoiou uma corporação privada, muito famosa e poderosa, porém, com este histórico duvidoso.
Se a grande imprensa brasileira, misteriosa e sistematicamente vem ignorando este polêmico caso, o mesmo não ocorre na Europa, onde o assunto foi publicado em jornais de vários países, além de duas matérias de meia hora na televisão em rede nacional.
Mais preocupante ainda: o Governo Federal anuncia que irá alterar a legislação, passando assim a legalizar e a permitir o erro técnico, sanitário e ambiental da desmineralização "parcial" das águas em São Lourenço. O que é isso? Como será regulamentado? Se a Nestlé vinha bombeando água além do permitido e a fiscalização nada fez, como irão fiscalizar agora a tal desmineralização "parcial"? Além do que, "parcial" ou "integral", a desmineralização é combatida por cientistas e pesquisadores de todo o mundo. E por que alterar a legislação em um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós, cidadãos, ganhamos com isso?...É simples. Sabemos que outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo
caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes de água. É para essas empresas que o Governo governa?... Diante destes fatos, no momento em que encaminhava algumas informações sobre este polêmico escândalo ao ecologista e repórter Padinha, editor do nosso blog, o presidente e líder da associoação nacional de alimentos orgânicos, que é de Franca e ligado ao PV,  sugere que "para colaborar com a solução deste problema e evitar outros deste tipo, para nós da sociedade civil o que é mais importante neste momento é transmitir estas informações e denúncias para o maior número de pessoas e para todos os veículos da mídia que você tenha acesso, como também boicotar este produto, que prejudica a nossa saúde", finaliza José Alexandre Ribeiro, participando deste alerta aqui do Folha Verde News com a perspectiva de que as autoridades governamentais brasileiras e a grande mídia não se omitam e cumpram a sua função neste caso. de meio ambiente, saúde e cidadania ou até soberania nacional.

4 comentários:

  1. Parece até mesmo tramas de um filme ou de uma novela de TV mas se trata da realidade e infelizmente, acontecendo no Brasil: em nosso país, o silêncio da mídia e a omissão do Governo estão permitindo um crime ambiental da Nestlé.

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  2. Publicamos esta denúncia, este alerta, com a perspectiva que o as autoridades governamentais e ambientais tomem as providências legais e éticas que se fazem urgentes neste caso, que é praticamente desconhecido pela opinião pública brasileira mas que já virou escândalo em duas grandes reportagens de TV na Suiça.

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  3. A luta do cidadão de São Lourenço, Franklin Frederick, em nome dos interesses da sua cidade e da ecologia do sul de Minas Gerais, ganhou apoio de entidades ligadas em ambiente, saúde do consumidor e ética da Suiça. No Brasil, apenas sites e blogs de ecologia ou de cidadania, como o nosso, dão espaço a este escândalo, que fere a imagem de uma das maiores empresas da sociedade de consumo mundial.

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  4. O caso precisa ser mais abertamente debatido e o Ministério Público também precisa de posicionar, como sugere o ecologista e líder dos Orgânicos, José Alexandre Ribeiro. Em termos nacionais, este fato já está gerando que nasça um movimento de boicote de todos os produtos da Nestlé, devido ao que acontece com a PureLife, agredindo as leis e a natureza no Parque das Águas de São Lourenço, segundo estas denúncias de fontes sérias e idôneas, no Brasil e na Europa.

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