quarta-feira, 24 de abril de 2013

BBC RELATA A TENSÃO DOS ÍNDIOS MATSÉS NA FRONTEIRA BRASIL-PERU

Exploração de petróleo preocupa índios em aldeias remotas na Amazônia, escreve Lucas Bunolo


Os índios Matsés são a vida da fronteira Brasil-Peru e eles lideram naquela região da Amazônia os povos da floresta e a luta ecológica: comitivas de aldeias vizinhas, tanto brasileiras quanto peruanas, se reuniram com eles para discutir a concessão de 40 anos de exploração petroleira em suas terras tradicionais. Este fato levou Lucas Bonolo a fazer uma reportagem especial na BBC, que está repercutindo em variados países: "Nós aqui do blog da ecologia e da cidadania  - Folha Verde News - reproduzimos na íntegra, pela superimportância desta matéria na questão indígena e na defesa dos recursos naturais amazônicos, que interessam aos cidadãos e cidadãs brasileiros e latinoamericanos de todos os lugares", comentou aqui na nossa redação o repórter e ecologista Padinha, nosso editor de conteúdo. Confira a reportagem da BBC.

Lideranças indígenas da Amazônia na fronteira Brasil-Peru se aliam aos índios Matsés

Mulheres e crianças de aldeias indígenas da região dos Matsés participam da luta

Matsés ficam alerta e de plantão na noite do Javari na Amazônia

Todo o equilíbrio ambiental da Amazônia na região preocupa índios e ecologistas do Brasil e do Peru
Em um conjunto de aldeias encravado na Amazônia brasileira, na fronteira com o Peru, os índios Matsés - já familiarizados com a exploração da borracha, da madeira e de minérios - agora vivem às voltas com um novo "adversário". "Dizem que petróleo dá dinheiro, mas não queremos dinheiro", afirma Waki Mayuruna, cacique da aldeia Lobo, a 2 mil quilômetros a oeste de Manaus. "Devemos pensar em nossos filhos e netos, e eles precisam de terras limpas." Por décadas, os Matsés, que vivem entre o Brasil e o Peru, ouviram histórias sobre a atuação de empresas petrolíferas nos vales tropicais do Equador e os problemas que elas causaram. A bacia hidrográfica do Javari, território tradicional dos Matsés e de outros povos indígenas, também era tema de cobiça de representantes do setor energético de vários países. Mas as tentativas de prospecção no local nunca tiveram início. Os anos se passaram, o cenário mudou. Consolidadas as atividades petrolíferas na fronteira com o Equador, o governo peruano acaba de conceder o direito de exploração de petróleo em dois lotes de terra encostados na fronteira com o Brasil, que rodeiam e abrangem este território indígena já demarcado. Se encontrar hidrocarbonetos, uma empresa canadense terá direito a 40 anos de exploração das terras no lado peruano de um rio binacional. "É nossa responsabilidade supervisionar os trabalhos petroleiros, e que a empresa cumpra com aquilo que foi autorizado, gerando impactos mínimos", afirmou Maria Elena Díaz, chefe do parque natural peruano Zona Reservada Sierra del Divisor, ligado ao Ministério peruano do Meio Ambiente. "Por outro lado, deve-se considerar que os lotes concessionados pelo governo peruano também passam por outras terras, e algumas comunidades mestiças são favoráveis à extração petroleira", ponderou a executiva governamental do Peru.
A aldeia Lobo faz parte da Terra Indígena Vale do Javari, que inclui outros seis povos espalhados em dezenas de aldeias e reúne cerca de 3,6 mil índios no Brasil. A área demarcada é de 8,5 milhões de hectares - hoje a segunda maior área de terra indígena do país. Para discutir a defesa do território onde vivem, cerca de 200 índios matsés de várias aldeias se reuniram, no início de março, com representantes da Funai, do Ministério Público e do Exército. Órgãos ligados ao Ministério do Meio Ambiente peruano, políticos locais e pesquisadores também participaram do encontro. Foram três dias de intensos debates e seminários, que mudaram o ritmo tranquilo da comunidade indígena Lobo, durante a 4ª Reunião Binacional Matsés Brasil-Peru. Pouco acostumados com a movimentação, os índios – inclusive mulheres e muitas crianças – lotaram a casa central para ouvir as comitivas da região e os convidados. Durante o evento, um grupo de cozinheiras serviu sucos e bolachas, além de fartas refeições com arroz, feijão, banana, mandioca, farinha e a saborosa carne de uma anta macho, caçada ali mesmo, e que deu conta de toda a comitiva. Eles
vestidos como guerreiros, os líderes Matsés ocupavam logo cedo a grande maloca da aldeia Lobo, por volta das cinco da manhã, com microfone em punho chamando nome a nome as pessoas para tomar o café e retomar os trabalhos. O motor de um velho gerador elétrico ecoava alto entre as árvores amazônicas, mas não foi suficiente para aplacar as vozes vindas da maloca, amplificadas com a ajuda de um microfone. "A floresta não entende de fronteiras, eu sou filho de minha terra e vou ficar aqui pra protegê-la", afirmou o anfitrião do evento, Waki Mayuruna. A preocupação com a exploração de petróleo não é só ambiental. Observadores temem que a atividade ameace também um patrimônio etno-cultural que poucos países possuem: entre o Brasil e o Peru vivem índios isolados, nunca contatados, e que rejeitam relações com a sociedade ao redor. Esses grupos sobrevivem em uma situação ecocultural delicada, que poderia ser afetada por possíveis embates com a sociedade e por qualquer alteração no equilíbrio local. "A sociedade brasileira não consegue entender o serviço que o índio presta ao defender os limites territoriais e zelar pela natureza, à qual estão profundamente vinculados até hoje", avalia Walter Coutinho, analista pericial do Ministério Público Federal. "Além dos serviços de fiscalização, as sociedades indígenas oferecem ao Brasil recursos de cultura, medicina, tradição, arte e beleza, recursos que não custam nada", conclui Walter Coutinho, brasileiro que se identifica com a causa dos índios Matsés da Amazônia.

Fontes: BBC
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. A reportagem da BBC, um dos sites de jornalismo mais acessados em todo o mundo, divulga com destaque a luta dos índios Matsés e povos da floresta a ele aliados na Amazônia na região de fronteira entre o Brasil e o Peru, ameaçados com a entrada de empresas petroleiras.

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  2. Nosso blog que está sempre divulgando diferentes lutas da causa indígena republica esta reportagem especial, com texto e fotos de Lucas Bunolo com o objetivo de alertar ecologistas, autoridades ambientais e outras tribos indígenas de outras regiões do país que consultam nosso webespaço de ecologia e de cidadania.

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  3. Só se admitiria uma exploração de petróleo nestas terras demarcadas dos índios Matsés e outros povos da floresta (alguns ainda sem nenhum contato com a civilização branca)caso fosse um projeto sustentável, respeitando toda a segurança ambiental daquela região amazônica, uma reserva de natureza e de vida para o futuro do Brasil, do Peru, da América Latina.

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  4. Como deixa claro o líder dos índios Matsés, esta defesa da ecologia da Amazônia não estrá sendo levada em conta pela empresas que querem explorar petróleo na região: Waki Mayuruna falou inclusive que os índios não querem saber de dinheiro nem de petróleo e sim conservarem a riqueza natural de suas terras e sobreviverem dentro de sua cultura nativa.

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  5. Nossa expectativa (ou esperança) é que esta postagem chegue também até as autoridades da ONU, bem como às redações de jornais e sites brasileiros e peruanos, para que o alerta dos Índios Matsés seja ouvido. É a voz da Amazônia.

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