domingo, 21 de abril de 2013

ENERGIA EÓLICA É O CAMINHO PARA AUMENTAR O POTENCIAL DO PAÍS

Especialistas apontam vantagens da Energia Eólica para o meio ambiente e a infraestrutura

O Brasil ainda precisa superar uma “visão turva” sobre a energia eólica, que coloca em desconfiança a geração energética que provém dos ventos, sob o argumento de que esse recurso seria “sazonal e intermitente”. A crítica foi feita pela presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeólica), Élbia Melo, em audiência realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), nesta semana, no Congresso Nacional em Brasília. Como observou a expositora, toda fonte que vem da natureza é, por definição, sazonal e intermitente. Observou que o mesmo fator está presente na produção de energia hidráulica, especialmente nas usinas hidrelétricas construídas a “fio d’água”, sem reservatórios. No caso da energia eólica, explicou ainda que hoje já é perfeitamente possível conter riscos através de um aumento da quantidade de geradores montados: - Temos que acabar com esse mito da confiabilidade, algo que ainda não está claro inclusive para os nossos técnicos e para os formuladores de políticas públicas – afirmou Élbia Melo ao site de assuntos sociambientais Eco Debate, fonte para esta postagem assim como a Agência Brasil e o site Ambiente Brasil aqui para nosso blog da ecologia e da cidadania, Folha Verde News. Além de parlamentares, participou do debate desta semana o engenheiro Adão Linhares Muniz, diretor da RM Soluções em Infraestrutura. Assim como Élbia Melo, ele defendeu a diversificação da matriz energética do país, destacando que o importante é harmonizar as diversas fontes disponíveis, para garantir ao país um sistema forte e coordenado. "Um sistema múltiplo unindo hidrelétricas a eólicas a parques solares e ainda outras fontes de energia poderá vir a ser realmente a solução sustentável para o Brasil aumentar o seu potencial energético e ao mesmo tempo preservar melhor os recursos da nossa natureza", comentou aqui no blog o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, nosso editor. Aliás, conforme se concluiu no debate desta semana em Brasília, existe ampla complementaridade entre a geração hidráulica e eólica, inclusive por conta de aspectos climáticos. Os expositores explicaram que a ocorrência de ventos sempre é mais intensa nos períodos de estiagem, exatamente quando a escassez de água pode afetar a produção hidroelétrica. Entre outros benefícios da energia eólica,especialistas destacam ainda os ganhos de renda nas localidades onde são implantados os parques. De acordo com Élbia Melo, para cada megawatt instalado são gerados 15 empregos. Ela informou que os 12 mil postos de trabalho atuais, em todo o país, podem subir para 280 mil até 2020. Do ponto de vista ambiental, lembrou também que a energia eólica não é emissora de gases de efeito estufa nem agride o equilíbrio ecológico do ambiente.

No interior do país em várias regiões os parques eólicos...

...podem vir a ser polos de energia e desenvolvimento sustentável

O Brasil precisa investir mais nas alternativas eólica e solar a bem da economia e ecologia

No momento, a capacidade instalada em energia eólica é de apenas 2,69 mil megawatts, o equivalente a 2% da matriz energética. Se os investimentos governamentais neste setor continuarem no atual rítmo, a projeção é de que, até 2017, serão 8,8 mil megawatts, chegando a 5% da matriz. Muitos cientistas da área têm sugerido uma intensificação da implantação de parques eólicos e solares para complementar o potencial energético brasileiro. No debate, outra conclusão foi que esse atualcrescimento da opção eólica no país se deve a projetos de novos parques iniciados em 2009, quando se comprovou a produtividade dessa modalidade de energia e o governo federal realizou leilão para contratar oferta. Para Adão Muniz, a trajetória de crescimento do setor pode ser ainda mais forte, mas infelizmente ainda há contenção por parte do Governo. Ele enxerga isso com preocupação, fala de uma espécie de “freio”, em relação aos limites de contratação de garantia de compra. Muniz disse que há uma visão diferente em outros países, como na Espanha e na Dinamarca, onde a geração de energia eólica está sendo preponderante e prioritária: - Não pode ter freio, ao contrário, tem que ter um motor empurrando, pois se trata de energia com enorme potencial, precisa se intensificada no Brasil. Élbia Melo concordou que o momento é de avançar para a consolidação do setor no país. Além de investimentos na expansão de novos parques produtivos, ele considera indispensável desenvolver toda a cadeia produtiva, com pesquisa e desenvolvimento de equipamentos nacionais adequados às características dos ventos do país. Outra questão é a resolver diz respeito à capacitação de mão de obra, de técnicos a engenheiros. Adão Muniz apontou a necessidade de solução para a questão dos licenciamentos ambientais. Disse ser “paradoxal” haver algumas dificuldades de licenciamento para a produção de energia limpa. Também cobrou “sincronia” entre a implantação dos parques e das linhas de transmissão, problema que no momento impede o aproveitamento da energia produzida em parque situado na Bahia. Muniz discorda da solução estudada pelo Governo para que os parques fiquem restritos a regiões onde já existam linhas: - A localização deve estar onde tenha vento, de preferência o melhor vento. Nós é que temos de buscar a energia onde esteja a fonte, assim como fazemos com a energia elétrica. Na opinião de engenheiros participando do debate, além destes pontos mais cruciais da questão aqui discutidos, é também necessário ampliar o potencial energético sustentável do país, com o aumento simultâneo dos parques de energia eólica e solar em várias regiões: - Há certa resistência à energia solar, que dentro dos atuais limites e planos, continua cara, mas com um planejamento e uma intensificação de ofertas poderá haver o mesmo sucesso dos parques eólicos também nos solares, concluiu Adão Muniz.
Houve ainda a participação de telespectadores, que enviaram perguntas à CI, a audiência é parte do programa de debates "Investimento e gestão: desatando o nó logístico do Brasil". E houve mais um painel de debates depois, dedicado ao exame de energias alternativas, dentro do ciclo temático “Energia e Desenvolvimento Sustentável". A capacidade eólica brasileira instalada em seus 108 parques alcançou 2,5 gigawatts (GW) no ano de 2012, crescimento de 73% em relação a 2011, segundo o balanço anual divulgado na segunda-feira pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). Com isso, esse tipo de energia respondeu, no ano passado, por 2% da matriz elétrica do país. Existe muito potencial e uma grande necessidade econômica e ecológica também para se aumentar os parques eólicos no Brasil.


Fontes: www.ecodebates.com.br
             Agência Brasil
             www.ambientebrasil.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. O debate desta semana em Brasília é um espelho do grande potencial energético dos parques eólicos. Dos 2,5 gigawats (GW)implantados no país, segundo a Abeeólica, 622 megawatts (MW) que fazem parte da segunda fase estão fora de operação, sem linha de transmissão, em dois parques localizados no Rio Grande do Norte e dois na Bahia.

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  2. Isso significa que é urgente também um avanço em termos de planejamento e de gestão no setor. Em média, 7,5 milhões de brasileiros receberam, por mês, a energia gerada pela fonte eólica em 2012. Essa média considera residências de famílias com três moradores. Até o final deste ano, a expectativa da Abeeólica é que a capacidade instalada em todo o país chegue a 6,05 GW, alcançando até 2017 os 8,8 GW. Poderia ser muito mais.









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  3. O Fator de Capacidade (FC) da fonte eólica em 2012, que é a proporção entre a geração efetiva das usinas e a sua capacidade total, foi 33% na média. Entre as usinas de primeira fase, a média foi 27%, enquanto na segunda fase, o percentual subiu para 54%, segundo informações técnicas da Agência Brasil. Informação existe para mudanças na gestão energética brasileira.

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  4. A presidenta executiva da Abeeólica, Elbia Melo, disse que fatores como o avanço tecnológico dos aerogeradores, o modelo de leilão competitivo e o melhor entendimento do Brasil sobre aproveitamento dos ventos foram as principais razões para o aumento do desempenho das usinas de segunda fase (percentual de 54% em FC, Fator de Capacidade).

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  5. A geração realizada pelos parques eólicos bateu recorde histórico em outubro de 2012, chegando a 771 MW em média. “Foi justamente esse período que o sistema estava precisando, porque nós estávamos esperando o período úmido para encher os reservatórios e isso não aconteceu, houve um atraso das chuvas. No momento em que estava seco, a eólica gerou e contribuiu para o sistema. Isso é muito interessante, isso demonstra a complementaridade entre as fontes hidrelétrica e eólica”, disse ainda Élbia Melo, por telefone, ao nosso blog.

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