segunda-feira, 1 de abril de 2013

MEGAINTERESSES TENTAM EMPURAR ENERGIA NUCLEAR AO NORDESTE E AO PAÍS

Energia nuclear e maledicências é o texto do cientista pernambucano Heitor Scalambrini Costa

Recebemos por e-mail, dentro de um movimento de cidadania, científico e pacifista, a favor das energias menos agressivas ao meio ambiente e mais favoráveis à saúde e qualidade de vida da população: desta vez, o Professor Scalambrini denuncia que ao invés de se implantar o desenvolvimento sustentável de energias como a Eólica e a Solar, há megainteresses em torno de uma reativação da Nuclear, "atualmente, uma opção rejeitada em todo o planeta, como perigosa e ineficiente e até obsoleta", comenta aqui no blog Folha Verde News nosso editor repórter e ecologista Padinha, que assim como muita e muita gente de variados setores pede um avanço no Brasil com um mudança radical e sustentável da estrutura energética. Mas vamos ao artigo de Heitor Scalambrini Costa, a quem abrimos com muita honra o nosso webespaço.

O movimento Não-Nuclear é uma das lutas ecológicas e de cidadania mais fortes hoje em todo o planeta

"Existem maledicências evidentes quando se defende a expansão de usinas nucleares no país, justificando-as com o que está ocorrendo em diversas partes do mundo, com a necessidade da núcleoeletricidade para garantir o crescimento econômico, e também de relacionar a construção dessas usinas no Nordeste com o desenvolvimento regional. No debate verifica-se uma intransigência de origem daqueles que comandam o setor. E um jogo de interesses de grupos que se beneficiariam caso estes projetos se concretizem, em detrimento dos interesses nacionais. Nem tudo é dito claramente, explicitado a sociedade, quando o assunto é energia nuclear. Há pouca informação manipulada que circula na grande mídia, desnudando o caráter antidemocrático e “fechado” que domina o setor energético, controlado por interesses políticos, econômicos e militares. Se propagandeia falsamente que a indústria nuclear está em plena efervescência e florescente no mundo. Com mais, e mais paises adotando esta tecnologia como solução para atender suas necessidades energéticas. Toma-se como exemplo, os Estados Unidos da América, país que menos respeita a natureza e o mais poluidor do mundo, juntamente com a China. O EUA declinou de assinar o protocolo de Kyoto, não se comprometendo a reduzir suas emissões de CO2 (o principal gás de efeito estufa – GEE), além de dificultar nos fóruns internacionais, propostas para combater o aquecimento global. Mais recentemente, optou pela produção de gás obtido a partir do betume, combustível fóssil e com grande capacidade de emissão de GEEs,. Com certeza, este país não é exemplo para ninguém no que concerne suas escolhas energéticas e a defesa do meio ambiente. Por outro lado, tenta-se desqualificar a decisão da Alemanha de abdicar da instalação de novos reatores nucleares e de desativar os já existentes em seu território. Chega-se a especular que tal decisão poderá se revista no futuro próximo. Não são citados outros paises que também abandonaram a construção de novos reatores, como a Itália, cuja decisão foi referendada em um plebiscito, onde mais de 95% dos votos foram contrários à construção de novas usinas nucleares. Também a Bélgica, Áustria dentre tantos outros que abandonaram a tecnologia nuclear. A França, símbolo mundial no uso da eletricidade nuclear, com seu governo socialista, prometeu aos seus eleitores na última campanha presidencial, diminuir ao longo dos próximos anos o uso da energia nuclear em seu território, substituindo-a por fontes renováveis de energia. Portanto, os indecisos sobre a questão nuclear devem procurar as informações em diferentes fontes sobre o que ocorre no mundo pós Fukushima.
No Japão, hoje ocorre uma verdadeira queda de braço entre o primeiro ministro, que insiste na reativação dos 50 reatores que permanecem desligados depois da tragédia de 11 de março, e a população. Recente pesquisa de opinião mostra que mais de 70% da população japonesa é contrária ao uso da energia nuclear, e está disposta a impedir que o plano do primeiro ministro de religar as centrais aconteça. A falácia de que a energia nuclear é essencial para atender as necessidades energéticas é um argumento que vem sendo utilizado desde a ditadura militar. Na época, para justificar o acordo Brasil-Alemanha em 1975, se previa a instalação de 8 reatores nucleares e se afirmava peremptoriamente, ser imprescindível esta fonte para ofertar mais energia para o crescimento do “gigante adormecido”. Somente uma foi construída, Angra II, iniciando sua operação em setembro de 1981. Quanto as 7 usinas restantes, realmente elas não fizeram falta, e o Brasil não entrou em colapso, conforme se apregoava. Hoje, a ladainha volta à tona, com uma propaganda enganosa relacionando os “apagões” e desabastecimento com a urgência de se expandir o parque nuclear. Uma mentira sem tamanho, suportada por um planejamento energético equivocado, onde predomina as decisões políticas de um grupo encastelado há anos no Ministério de Minas e Energia, que apóia esta ou aquela tecnologia energética, em função de seus interesses imediatos e não da maioria da população. Por outro lado, afirmar que a instalação de uma usina nuclear no sertão brasileiro é “uma oportunidade única que poderá ser o ponto de partida de um grande processo de desenvolvimento regional”, trata de uma promessa vaga, destituída de fundamento. E só quem acredita, em papai Noel, mula sem cabeça, saci pererê, coelhinho da páscoa, e tantos outros personagens do imaginário popular, crê nesta afirmativa. A instalação de uma usina nuclear, do modelo previsto, orçada em mais de 10 bilhões de reais, produz menos empregos que as industrias da tecnologia eólica, solar, conforme relatório empregabilidade das indústrias energéticas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Portanto, é um desrespeito ao já sofrido sertanejo alimentar o sonho de que investimentos de bilhões de reais na construção de uma usina nuclear, contribuirá para a melhoria de sua vida. O povo nordestino já foi enganado, ludibriado, inúmeras vezes com propostas deste naipe, superlativas, megalomaníacas, e não vai se deixar iludir mais uma vez". (Heitor Scalambrini Costa)

Fontes: Universidade Federal de Pernambuco
             www.mespe.com.br
             www.brasilantinuclear.ning.com
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Durante o governo ditatorial no Brasil estes mesmo megainteresses predominaram sobre a opinião dos cientistas e do bom senso, instalando no país o ineficiente projeto Angra.

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  2. Ainda na fundação do PV, o nosso editor-ecologista participou junto com cerca de 2 mil jovens de todas as regiões brasileiras de um protesto pacífico e pacifista em Angra dos Reis para que o Brasil ouvisse os cientistas e o bom na escolha de seu modelo de energia, o que precisaria de ser feito democraticamente. Claro que não foi.

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  3. Mas agora, vivemos uma nova época, de democracia política e a população está mais alerta sobre a necessidade de novas alternativas energéticas e da urgência da implantação de um desenvolvimento sustentável no Nordeste e em todo o Brasil.

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  4. Assim, estes argumentos do professor Scalambrini, da Universidade Federal de Pernambuco, com certeza vai circular via Internet por todo o país, ajudando ao esclarecimento e à mobilização da sociedade civil brasileira para se evitar esta loucura no Brasil, mesmo depois de tantos acidentes e problemas como Fukushima.

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  5. Caso você queira participar da articulação antinuclear entre nos sites indicados como fonte nesta postagem, se quiser mandar seu coimentário ou opinião, envie e-mail para nossa redação navepad@netsite.com.br
    A participação de cada um é da maior importância nesta movimento de cidadania e de criação do nosso futuro.

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