quarta-feira, 3 de abril de 2013

VIOLÊNCIA E IMPUNIDADE REVOLTAM JORNALISTAS E POPULAÇÃO DE MINAS

Jornalistas mineiros cobram definição sobre morte de radialista que investigava execuções

Um grupo de comunicadores de Ipatinga (MG) onde ocorreram os fatos, contando também com a cobrança e a solidariedade de jornalistas e radialistas de Belo Horizonte e de outras cidades de Minas   planeja fazer manifestação nesta próxima segunda-feira, 8 de abril, para esclarecer os detalhes do assassinato de Rodrigo Neto, morto quando fazia matérias investigativas sobre execuções policiais no interior mineiro: "Já está por fazer um mês que aconteceu este crime e até agora ele está impune, não há nenhuma informação sobre os assassinos e a impunidade neste e em outros casos favorece ainda mais a onda de violência que assola todo o Brasil, até mesmo cidades interioranas", comentou aqui no Folha Verde News o ecologista e repórter Padinha que no dia dos acontecimentos que vitimaram o jovem radialista e jornalista Rodrigo Neto em Ipatinga fez matéria aqui no blog da ecologia e da cidadania, noticiando então que a Ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) estava indo até lá para acompanhar caso de radialista executado, algo que motivou declarações da OAB de BH e manifestações na Assembléia Legislativa. Mas na próxima segunda-feira, a execução de mais este profissional de comunicação no Brasil (foram 24 no período de um ano no país, pelos levantamentos da ONU) estará completando um mês e até agora não foram feitos esclarecimentos públicos sobre a ocorrência. Hoje, o site r7 está destacando a manifestação de jornalistas mineiros contra mais este caso de impunidade, alertando também sobre a violência contra os profissionais de comunicação (o Brasil está entre os 5 países onde a atividade tem maior riscos, pelos dados da ONU). A morte do jornalista Rodrigo Neto, executado a tiros em Ipatinga, no Vale do Aço, continua sem solução. Inconformados com a falta de informações sobre a investigação, um comitê de jornalistas formado na cidade planeja para segunda-feira (dia em que o crime completa um mês) um protesto para cobrar providências com relação ao caso. Os manifestantes pretendem espalhar cruzes e cartazes ao logo da BR-381, no trecho que corta Ipatinga. Além disso, uma passeata está sendo planejada para acontecer no centro da cidade com apoio de diversos setores da população, ainda chocada com os fatos, devendo ter como ponto final a delegacia regional do município, que até agora se mantém em silêncio.
Pelo que alguns repórteres de jornais, rádios e TVs de Minas Gerais já apuraram, até agora, a polícia teria três linhas de investigação no trabalho sobre a apuração do assassinato, mas não revela quais seriam. O delegado Emerson Morais, da Divisão de Crimes contra a Vida, de Belo Horizonte, responsável pelos trabalhos, tem-se negado a dar entrevistas, segundo ele, para não prejudicar as investigações que estariam sendo feitas. Como os internautas que consultam diariamente nosso blog já estão informados, há um mês,
o radialista, que também é bacharel em Direito, saía de uma barraca de churrasquinho na avenida Selim José de Salles, no bairro Canaã, e se preparava para entrar no carro quando foi surpreendido por dois suspeitos em uma motocicleta. O homem que estava no banco do carona disparou várias vezes e Neto foi atingido por cinco tiros. O jornalista Rodrigo Neto, conhecido por denunciar crimes praticados por grupos de extermínio no Vale do Aço, leste de Minas, foi assassinado a tiros, na madrugada de uma sexta-feira, em Ipatinga (a 223 quilômetros de Belo Horizonte). O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, deputado Durval Ângelo (PT), chegou a dizer que Rodrigo Neto o tinha procurado alguns dias antes para denunciar o assassinato de um idoso em Santana do Paraíso (Vale do Aço). O jornalista suspeitava de vingança, pois a vítima era pai de um dos suspeitos da morte, duas semanas antes, de um cabo da PM supostamente envolvido com grupos de extermínio. Durval Ângelo revelou também que, em conversa com Rodrigo Neto soube que o jornalista estava escrevendo com um colega, cujo nome mantém em segredo, um livro chamado “Crimes perfeitos”, sobre assassinatos em série na região envolvendo quadrilhas formadas por policiais militares e civis. Radialista e formado em Direito, Rodrigo Neto, de 38 anos, trabalhava no jornal “Vale do Aço” e era apresentador do programa “Plantão Policial”, da Rádio Vanguarda. O delegado responsável pelas investigações havia descartado a tese de  latrocínio (roubo com morte da vítima) hipótese descartada, já que os assassinos não levaram carteira, notebook, máquina fotográfica e celular que estavam com o jornalista, que já havia anteriormente procurado autoridades do Judiciário local para comunicar ameaças de morte que vinha sofrendo. Um talento para fazer reportagens investigativas, Rodrigo havia também apurado há sete anos atrás a chamada chacina de Belo Oriente, como ficou conhecido o assassinato de quatro pessoas da mesma família na zona rural do Vale do Aço. As vítimas eram parentes do suspeito pela morte de um policial militar. Um ano depois, o jornalista voltou à carga ao denunciar o grupo de extermínio da “moto verde”, referência à cor da moto envolvida em crimes de extermínio e que pertenceria a um cabo da PM. Há um mês, quando da morte de Rodrigo Neto,
a Associação Nacional dos Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em notas, lamentaram o crime e cobraram providências já há 30 dias atrás para a punição dos culpados.

O jovem jornalista deixou mulher, uma criança e a herança de suas matérias contra a violência no Vale do Aço

Fontes: www.r7.com.br
             www.em.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Recentemente no Fórum de Mídias Livres em Túnis, na África, evento paralelo ao Fórum Social Mundial, jornalistas e lideranças de cidadania denunciaram também a impunidade no caso de Rodrigo Neto e de centenas de mortes de profissionais de comunicação em todo o mundo.

    ResponderExcluir
  2. Há cerca de 20 dias atrás fizemos aqui a postagem do Fórum de Mídias Livres (reiterando nosso luta pela liberdade de informação e segurança dos profissionais de jornalismo), apresentando dados e detalhes levantados pela ONU e pela UNIC sobre a situação de risco e os assassinatos de jornalistas, radialistas, fotógrafos e câmeras, um tipo de violência que tem aumentando muito atualmente.

    ResponderExcluir
  3. Há um mês, nosso blog noticiava a morte de Rodrigo Neto, que estava escrevendo um livro sobre a violência no Vale do Aço, além de atuar em jornal e rádio na região de Ipatinga (MG), na época, tantas foram as manifestações, a gente tinha expectativa (ou ao menos esperança) que este caso poderia vir a ser emblemático para mudar a situação de impunidade nestes tipos de casos.

    ResponderExcluir
  4. Mais uma vez nos solidarizamos e divulgaremos aqui também o protesto desta próxima segunda-feira de jornalistas de Ipatinga, de BH, de Minas, em busca de uma nova realidade para o caso e para o exercício do trabalho de jornalismo.

    ResponderExcluir
  5. Devido às constantes ocorrências contra a liberdade de informação e a segurança ou a vida de repórteres, também no Brasil, podemos resumir dizendo que um novo nome do jornalismo pode ser... profissão perigo. E esta situação mostra mais um ângulo da cultura da violência na atualidade.

    ResponderExcluir

Translation

translation