quarta-feira, 15 de maio de 2013

AGRAVADA A SITUAÇÃO DOS "SEM ÁGUA" EM TODAS REGIÕES DO PLANETA


Dados da ONU mostram que hoje metade da população mundial bebe água de má qualidade
Martine Valo fez uma reportagem especial para o jornal Le Monde. que está chamando a atenção em especial na web de todo o mundo, com tradução Lana Lim, bem como do blog de Paulo Oliveira Mello, apresentamos aqui no Folha Verde News um resumo das informações desta importantíssima matéria: "Está pior do que poderia estar a condição de vida, tanto do ponto de vista humano como ecológico, isso afeta a chance de existir futuro em muitos lugares da Terra, as providências têm que ser imediatas, as previsões da ONU de que os problemas de carência e má qualidade da água estariam solucionados por volta de 2015 estão furadas, os problemas viraram um drama maior do que era esperado pelos governantes mundiais", comenta o editor de conteúdo do nosso blog, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha.
A realidade é uma batalha de números cujas consequências afetam o futuro da saúde de milhões de pessoas. Quem no mundo realmente tem acesso a uma fonte de água potável? Em 2012, as Nações Unidas haviam anunciado que uma das ambições do sétimo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – a saber, reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso a água potável até 2015 – estava prestes a ser atingida. Em outras palavras, segundo a ONU, "somente" 783 milhões de seres humanos não teriam acesso ao recurso. Mas até mesmo esta má "boa notícia" acaba de ser invalidada pela publicação agora do relatório de 2013 da Organização Mundial de Saúde (OMS): o número oficial foi reavaliado para 2,4 bilhões – ou seja, a verdade é que hoje um terço da população mundial está sem ou com água de má qualidade. Logo, o ODM ainda está longe de ser atingido. Tanto que recentemente, em março, Catherine de Albuquerque, relatora especial da ONU sobre o direito à água potável e ao saneamento básico, já havia reconhecido que as Nações Unidas haviam pecado pelo otimismo em 2012.


Um terço da população mundial está sem ou com água de má qualidade, diz a OMS

3,6 bilhões de pessoas usam água "que não é segura", e mais de 1,8 bilhão chegam a consumir diariamente água perigosa

O Brasil tem muitos recursos hídricos mas ao mesmo tempo problemas enormes na questão da água

Metade da humanidade está bebendo hoje água de má qualidade, suspeita ou perigosa
A publicação do relatório da Organização Mundial da Saúde veio na hora certa para os membros da delegação francesa estão nestes dias em Daegu-Gyeonbuk (Coreia do Sul) para o início das reuniões preparatórias do Fórum Mundial da Água de março de 2015. Representantes da "Parceria francesa pela água" – que reúne agentes tão diversos quanto a Suez, a Veolia, a Agência Francesa de Desenvolvimento, a prefeitura de Marselha, o Ministério da Agricultura, ONGs etc.-, carregam a mesma mensagem: a situação dos "sem-água" é amplamente subestimada. Um aspecto perigoso, pois traz o temor de que possa haver um relaxamento nos esforços e nos financiamentos internacionais. "As pessoas costumam me perguntar se vai faltar água no futuro por causa da mudança climática, sendo que a urgência é o fato de que metade da humanidade hoje bebe água suspeita!", diz Gérard Payen, membro do Conselho Consultivo sobre a Água e o Saneamento (Unsgab), que aconselha o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. O recenseamento oficial tem problemas, ele explica resumidamente. Todos aqueles que possuem acesso a uma "fonte melhorada", ou seja, não dividida com animais e protegidas de seus dejetos, são considerados beneficiários de água potável. Mas podemos colocar no mesmo patamar um poço com uma tampa na saída de um vilarejo, uma fonte de bairro, uma perfuração profunda, uma torneira individual ou coletiva? A vida cotidiana de seus usuários evidentemente não é a mesma. Os progressos no campo não são rápidos o suficiente, segundo Gérard Payen, 3,6 bilhões de seres humanos usam água "que não é segura", e mais de 1,8 bilhão chegam a consumir diariamente água perigosa. Sem falar nos cortes diários de água, um pesadelo recorrente em inúmeros países. Agora em 2013, existem mais habitantes que não têm torneira em casa do que no século 20, detalha o especialista no livro que acaba de publicar ("De l'eau por tous" ou "Água para todos", Ed. Armand Colin, 2013). Entre 2000 e 2010, mais 600 milhões de pessoas (em média, 275 mil por dia) passaram a receber água corrente em domicílio, mas ao mesmo tempo a população mundial aumentou em 770 milhões. E o balanço é muito desigual: a situação tem melhorado na China, na Índia, mas piora na África subsaariana, na Ucrânia…Os progressos no campo não são rápidos o suficiente, o estresse hídrico sofrido pelos agricultores acelera o êxodo rural. Já nas cidades, a demografia galopante torna o problema insuperável, especialmente quanto à questão do saneamento. Gérard Payen, membro ativo de organizações que reúnem as grandes empresas do setor (a federação Aquafed, principalmente) compartilha do mesmo diagnóstico que as associações que militam a favor do acesso ao recurso para todos. "Pela primeira vez, estamos lutando do mesmo lado e estou feliz com isso", diz Emmanuel Poilâne, diretor da fundação France Libertés. "Queremos pressionar o governo francês juntos para que ele consiga com que a água e o saneamento básico figurem como tais nos próximos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que devem suceder os ODM depois de 2015." Esta mesma abordagem já foi aprovada por outros países como a Suíça e a Hungria. e agora graças a estas informações do jornal Le Monde, a questão da água começa a ser rediscutida em todo o planeta, esperamos que por aqui no Brasil também, "por aqui é grande quantidade de água mas também de fontes de poluição, contaminação, ciclos de seca, somente uma gestão pública sustentável deste setor, que envolve meio ambiente e saúde ou condição humana de vida, só com este avanço os problemas poderão ser resolvidos", argumenta ainda o ecologista Padinha, aqui do Folha Verde News. Em termos mundiais, a proposta da ONU é água gratuita para todos, mas este estágio está muito longe ainda. Permitir que cada um beba água salubre era uma briga antiga, que terminou em julho de 2010 com a aprovação por 122 países do "direito ao abastecimento suficiente, fisicamente acessível e a um custo razoável de água salubre e de qualidade aceitável para os usos pessoais e domésticos de cada um". Esta formulação escolhida pela ONU não faz da água por si só ou por um passe de mágica um bem universal gratuito. Evita o debate sobre a delicada questão da mercantilização do recurso por parte do setor privado. Só que esse problema não diz respeito unicamente aos países mais pobres. Um estudo de pesquisadores internacionais publicado na revista "Sciences Eaux et Territoires" em sua última edição mostra que a França, assim como o Reino Unido, por exemplo, também têm sofrido dificuldades para aplicar esse direito humano para seus "pobres em água", ou seja, em cada um desses dois países, há de 1 a 2 milhões de usuários que não conseguem pagar suas contas de consumo de água.


O problema da água não é mais somente dos países mais pobres

Fontes: Le Monde
             http://paulooliveiramello.blogspot.com.br
             OMS
             http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Devido a esta situação mundial, também, a luta em defesa dos recursos hídricos fantásticos de nossa macrorregião (entre a Serra da Canastra e o Aquífero Guarany, entre o sudoeste mineiro e o nordeste paulista), por aqui, a questão da água ficou de maior importância ainda.

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  2. Mais do que nunca temos que conseguir uma gestão pública de desenvolvimento sustentável por aqui na macrorregião e em toidas as regiões do planeta, se é que realmente os governos querem solucionar o problema da falta ou da água de má qualidade.

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  3. No século passado,nós que estamos recém-saídos do Século 20, a possibilidade de escassez de água era uma coisa que ninguém imaginava. Mas os anos foram se passando e a população mundial aumentando, mais indústrias, mais irrigação nas lavouras, gerando maior consumo e principalmente maior desperdício e poluição de água, entre outras causas deste drama da atualidade.

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  4. Segundo a ONU, cerca de 80 países, hoje enfrentam problemas de abastecimento, mais de um bilhão de pessoas não tem acesso a fontes de água de qualidade. Somente 3% da água do planeta é própria para o consumo, o que não é suficiente para toda população.

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  5. Para evitar a crise da água, serão necessários grandes investimentos em produção, tratamento, fornecimento de águas e tratamento de esgotos. Também teremos de evitar principalmente o desperdício, interromper os processos poluidores e criar novas maneiras de captação, controle e distribuição. A população também tem um papel de suma importância no processo de economia de água, evitando desperdício com pequenas mudanças no cotidiano em suas casas. No Brasil se gasta cerca de cinco vezes mais água do que o necessário. Nosso consumo é cerca de 200 litros por dia por pessoa, sendo que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda gastos de 40 litros por dia por pessoa.



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  6. Vários países têm adotado programas de conscientização e medidas especificas para diminuir o desperdício de água. O Japão reutiliza cerca de 80% de toda água destinada a indústria. Nos condomínios, hotéis, hospitais, a água que vem dos chuveiros e banheiras segue por uma tubulação até chegar a um pequeno reservatório e assim reabastecer os vasos sanitários. Mas acima de medidas localizadas ou parciais, urge um programa sustentável mundial no setor.

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