terça-feira, 4 de junho de 2013

ÍNDIOS USAM FACEBOOK E LIBERDADE DIGITAL PARA TER SUA PRÓPRIA MÍDIA


Nas redes sociais criticam que desde 2011 no poder a Presidenta Dilma ainda não os recebeu

A agência de notícias Reuters, os sites BBC e Uol, bem como também o nosso blog da ecologia e da cidadania estão destacando hoje  - já dentro da semana mundial da ONU pelo meio ambiente - que índios brasileiros de variadas etnias, tanto na Amazônia, como no centro ou também no sul do país estão criticando enfoques da grande mídia, parciais, que adulteram o conteúdo de acontecimentos, bem como comentários preconceituosos nas reportagens, onde a sua própria voz ou opinião não é divulgada: diante disso, povos indígenas querem se distanciar de visões preconceituosas ou manipuladas sobre os fatos da sua realidade propagados por veículos jornalísticos, já criaram e utilizam sua própria mídia. "Eles estão usando equipamentos digitais e buscam na liberdade das redes sociais um enfoque mais próximo da verdade, mostrando os fatos segundo eles mesmos e todos precisamos respeitar o direito que também os índios tem à informação", comentou por aqui no Folha  Verde News nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, que finaliza: "Isso é um avanço em termos de comunicação". Ele abre o nosso webespaço para um resumo das matérias que estão na Internet sobre este assunto. Quando, na última quinta-feira o índio Terena Gabriel Oziel morreu baleado em confronto numa ação de reintegração de posse em Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul, poucos minutos bastaram para que uma batalha se organizasse em outro front, índios que presenciaram a morte logo publicaram vídeos e fotos de Oziel no Facebook, não se omitiram, acusando a Polícia Federal (PF) pelo ocorrido. O conteúdo da página Resistência do Povo Terena se espalhou rapidamente por uma extensa rede virtual composta por índios de outras etnias e apoiadores. Horas depois, quando o assunto já era divulgado até no exterior, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público dizer que a corregedoria da PF investigaria o caso. A repercussão à morte de Oziel, ocorrida em meio a uma escalada de conflitos que envolvem indígenas brasileiros, expõe como muitos desses povos têm cada vez mais se valido de redes sociais e das webferramentas para se articular, documentar e divulgar a sua realidade com a sua própria visão.


Índios de várias etnias e regiões usam a web e a linguagem digital...


...fazem faculdade e avançam suas lutas

















A realidade do índio mostrada pelo próprio índio
A postura, dizem indígenas, também visa contestar visões preconceituosas ou imparciais sobre os índios propagadas por veículos jornalísticos. O advogado Terena Luiz Henrique Eloy, 24, diz que jornais e TVs que cobrem conflitos agrários em Mato Grosso do Sul costumam se posicionar contra os índios: "Quando nos ouvem, colocam apenas a parte que interessa a eles". Eloy diz ainda que muitos jornalistas, em vez de divulgar as opiniões dos índios sobre temas que lhes dizem respeito, costumam tratar a Funai (Fundação Nacional do Índio, órgão subordinado ao Ministério da Justiça), ONGs e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário, ligado à Igreja Católica) como representantes legítimos dos indígenas e nem sempre etas entidades expressam a realidade indígena dos acontecimentos. Em alguns casos, afirma ele, os veículos vão além e endossam posição frequentemente emitida por fazendeiros, políticos ruralistas, CNA e alguns setores do governo: a de que essas organizações manipulam os índios, incitando-os a invadir terras e a acirrar os conflitos. "É o contrário: muitas vezes a Funai e o Cimi chegam até a ser expulsos de nossas reuniões porque tentam impedir ações, desencorajar retomadas de terras", diz por sua vez o antropólogo Guarani-Kaiowá Tonico Benites, de 41 anos. "A iniciativa é sempre do povo, das lideranças. Afinal, quem vai para a guerra, quem vai receber bala somos os índios e não eles", argumenta o internauta Kaiowá. Benites é um doutorando em antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Eloy, recém-formado em direito por uma faculdade privada de Campo Grande, ambos integram um grupo cada vez maior de índios matogrossenses que têm chegado ao ensino superior e, com isso, ampliado a ressonância das demandas de seus povos. Há hoje cerca de 800 indígenas em cursos de graduação, mestrado e doutorado em universidades de Mato Grosso do Sul. Índios Terena, Xavante, Kaiapó alguns são doutores em história e agronomia nas terras retomadas por eles. Ao entrar na universidade, afirma ele, boa parte desses índios passa a ter acesso frequente às ferramentas da Internet e a estender a militância às redes sociais. De volta às aldeias ou a áreas em conflito, usam celulares para postar informações em tempo real. Foi o que ocorreu quando Gabriel Oziel foi alvejado na fazenda Buriti, enquanto a polícia cumpria uma ação de reintegração de posse. A área, reivindicada pelo ex-deputado estadual Ricardo Bacha (PSDB), foi declarada terra indígena Terena em 2010. Em 2012, porém, o Tribunal Regional Federal (TRF) aceitou recurso de Bacha para garantir seu domínio da área, possibilitando a ação policial. Na segunda-feira, uma decisão judicial que dava 48 horas para os índios deixarem a área foi suspensa. Benites, que administra no Facebook a página Aty Guasu - nome da tradicional assembleia Guarani de Mato Grosso do Sul -, diz que a militância virtual fez com que muitos brasileiros que não sabiam dos conflitos agrários neste estado se posicionassem em favor dos indígenas. A causa ganhou grande projeção no fim de 2012, quando índios Guarani-Kaiowá da Tekoha (termo em guarani para terra de ocupação tradicional) Pyelito Kue divulgaram um manifesto em que se diziam dispostos a morrer caso tivessem de deixar o local. Milhares de usuários do Facebook então se solidarizaram aos indígenas, adicionando Guarani Kaiowá a seus nomes, como uma forma de gente de variados setores da população brasileira apoiarem a luta dos índios. Cmo a Terra Indígena Buriti, outros milhares de hectares de terras no centro-sul do país estão, há décadas, em processo de demarcação. Parte dos territórios estão à espera de homologação (última etapa do rito burocrático); outros, paralisados por processos judiciais movidos por fazendeiros e/ou pelo lobby ruralista. Com forte influência sobre a bancada ruralista no Congresso, a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) pressiona pela suspensão de todas as demarcações no país. A suspensão, diz a organização, deve durar até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue os embargos declaratórios (pedidos de esclarecimento) sobre a decisão da corte referente à demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Na decisão, de 2009, o STF definiu uma série de condições à demarcação, como a proibição de que reservas já homologadas sejam ampliadas. Os ruralistas querem que as condições se estendam a todas as outras demarcações, mas não há consenso entre os membros do STF quanto ao tema. A matéria não tem prazo para ser analisada. Presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) tem dito que as terras indígenas, que abrigam cerca de 600 mil índios (menos de 1% da população brasileira), somam 12,6% do território nacional. Nas últimas semanas, o movimento indígena obteve uma vitória quando a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, anunciou que o Governo mudaria os procedimentos de demarcação, reduzindo os poderes da Funai. Segundo Gleisi, a fundação, que hoje lidera o processo demarcatório, conduzindo-o com base em estudos antropológicos, passará a dividir a atribuição com os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. Num sinal da falta do prestígio da Funai no Governo Dilma, a presidente do órgão, Marta Azevedo, não foi convidada para uma reunião que a Presidência da República convocou na última semana para discutir problemas envolvendo indígenas. O encontro porém contou até com o presidente da Embrapa, estatal de pesquisa agropecuária. Em outros estados, indígenas também têm intensificado protestos. Há duas semanas, índios Gavião bloqueiam duas rodovias no sudeste do Pará em manifestação contra os serviços de saúde na região. Nesta segunda, índios Kaingang ocuparam um escritório do PT em Curitiba e fecharam estradas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As ações respondem a um pedido da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para que o Ministério da Justiça paralise as demarcações de terra em seu Estado natal, o Paraná, a cujo governo ela deverá concorrer em 2014. E há também, claro, Belo Monte. Desde a semana passada, índios Munduruku ocupam o canteiro de Belo Monte e exigem dialogar com o Palácio do Planalto. Habitantes de aldeias à margem do Tapajós, a cerca de 800 km da usina, eles dizem que não foram consultados pelo governo federal sobre planos de construir hidrelétricas no rio Xingu. O movimento também tem forte atuação no Facebook, por meio da página Campanha Munduruku. Após tensa negociação, os índios tiveram seu pleito atendido e viajarão a Brasília para uma reunião amanhã, diua 5 de junho, dia mundial do Meio Ambiente. Não será dessa vez, porém, que Dilma Rousseff  deverá recebê-los. O encontro foi agendado pela Secretaria Geral da Presidência, que deverá ter como principal representante o ministro-chefe da pasta, Gilberto Carvalho. E desde que tomou posse, em 2011, a Presidente não se reuniu nenhuma vez com indígenas: isso segundo seus posts nas redes sociais deixa bem claro o preconceito que o índio sofre no Brasil.

Fontes: BBC
             Reuters
             www.,uol.com.br
             Campanha Munduruku
             Resistência do Povo Terena
             Pyelito Kue
             Aty Guasu (página no Facebook)
             http://folhaverdenews.blogspot.com

7 comentários:

  1. O Brasil não é mais terra dos índios mas eles são os pais do nosso país e precisam ser respeitados em seus direitos como qualquer um do nosso povo, inclusive o direito da liberdade de informação.

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  2. Na semana mundial do meio ambiente da ONU, o enfoque desta matéria aqui no Folha Verde News, os índios procurando ter a sua própria mídia e exercerem a liberdade de informação, em defesa dos seus direitos de cidadania, são um avanço de comunicação.

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  3. Os ecologistas nada menos nem nada mais somos os índios urbanos.

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  4. É importante que você como cidadão ou cidadã que interneta, interaja com as páginas dos índios na web, fazendo valer esta conquista indígena no Brasil de agora.

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  5. Mande a sua opinião ou visão destes fatos, seja vc índio ou internauta, enviando seu comentário para o e-mail da redação deste blog: navepad@netsite.com.br

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  6. Amigo internauta e ecologista nos envia informação, extraída do site da revista Veja/Abril: Pedro Murilo nos diz que a reitegração de posse da área dos índios Terena foi anulada judicialmente e agora haverá nova decisão sobre Buriti em breve. "Pelo menos, às vésperas do dia da ecologia estão respeitando os direitos indígenas", comenta Pedro Murilo.

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  7. Índios na civilização da informática. Paz.

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