domingo, 25 de agosto de 2013

ARTESANATO DE MULHERES DO INTERIOR DO BRASIL EXPORTADO PARA NOVA IORQUE

Vendas do artesanato tradicional brasileiro passaram de 10 mil para 6 milhões de dólares

Esta boa notícia neste domingo vem com o repórter Paulo Henrique Lobato, que atua no site e jornal Estado de Minas em BH, bem como, também chega também de outras regiões do país, onde mulheres do interior se dedicam tradicionalmente a variadas formas de artesanato, como Piauí, Paraíba e Acre, além de Minas Gerais: "São uma herança cultural de índios e de negros, fundamentais na formação do nosso povo", comenta aqui no blog Folha Verde News nosso editor Antônio de Pádua Padinha, que relaciona a arte popular com a ecologia, a cidadania e o ecoturismo. Três das artistas selecionadas são artesãs de mãos cheias, explica o site em:  Gercina Maria de Oliveira, Juracy Borges da Silva e Maria José Gomes da Silva não escondem a satisfação de terem sido selecionadas para expor seus trabalhos, de 2 a 13 de setembro, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (Estados Unidos), onde ocorrerá a exposição Mulher Artesã Brasileira. De um lado, a exposição tem o objetivo de divulgar a cultura popular do Brasil, de outro, reconhece a relevância econômica de um setor cujos profissionais começam a dar maior valor à capacitação e que cresce a passos largos também no mercado de exportação. Para ter ideia, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) destacam que as exportações do segmento subiram de US$ 10 mil, em 2002, para US$ 6 milhões em 2012, devendo agora ultrapassar esta marca. Parte desse aumento se deve aos diversos projetos de capacitação de homens e mulheres que ganham a vida transformando barro, madeira, argila, pedra e outras matérias-primas em arranjos, utensílios domésticos, decoração. A explosão de associações e cooperativas que estimulam a venda em grupo, abrindo novos mercados, também tem parcela significativa no resultado superpositivo. Dona Gercina, por exemplo, constatou aumento de 200% nos negócios depois que ela e amigas fundaram, há cinco anos, a Associação das Artesãs de Sagarana – o nome homenageia a comunidade rural em que elas moram, no distrito de Arinos, importante cidade do Vale do Urucuia, no Noroeste de Minas. “Conseguimos, unidos, que todo o produto fosse armazenado na central, que comercializa a mercadoria. Antes só vendíamos a quem vinha até aqui. Nosso mercado foi ampliado. Agora, entregamos encomendas até no Museu do Folclore, no Rio de Janeiro. Estou otimista com a viagem aos Estados Unidos". Gercina, fiandeira que aprendeu o ofício ainda pequena, já colocou na mala os produtos que vai expor na mostra: “Uma colcha (R$ 150), um par de cortinas (R$ 180) e uma manta para sofá (R$ 140). Todas coloridas e feitas com algodão. Eu mesma planto o algodão, colho e o transformo em fios. Faço tudo. Sou descendente de índios Caetés. Aprendi as tarefas com minha avó Laura Maria de Jesus e com minha mãe, Ana Maria. Pena que infelizmente, elas já faleceram”. A avó e a mãe da fiandeira teriam orgulho em ver Gercina na ONU. Seus 12 filhos podem usufruir isso. Orgulho semelhante ao dos parentes e amigos de Juracy, outra artesã que já aceitou o convite para embarcar aos Estados Unidos. Ela é uma dos 29 integrantes da Associação de Artesãos Sempre-Vivas, fundada em 2001, em Galheiros, comunidade rural de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. A associação ensinou aos membros a importância de programas sustentáveis no uso das sempre-vivas, uma espécie de flor nativa daquela região, como matérias-primas para arranjos. A entidade também organizou melhor as vendas dos integrantes. “Quanto mais bem organizados são os artesãos, melhor eles atendem ao mercado. É a questão da gestão dos negócios. Se há uma boa gestão em associação, em sua unidade produtiva, eles conseguem ter oportunidades para acessar o mercado. É preciso fazer uma leitura da demanda. É o comportamento empreendedor desses profissionais”, avaliou por sua vez a analista do Sebrae Minas Simone Silva de Aguiar, acrescentando que 15 artesãs foram selecionadas para a mostra. Minas é o estado com maior número de convidadas. Uma outra mineira selecionada para a mostra é dona Maria José, moradora de Campo do Buriti, na área rural de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. Maria José, mais conhecida como Zezinha, transforma barro em bonecas. “Aprendi a fazê-las com minha mãe. Aqui em casa, meu marido, Ulisses, e minhas filhas, Aline e Cláudia, também trabalham no ramo”, conta a mulher. Suas peças custam de R$ 350 a R$ 1,5 mil. A exposição no saguão da ONU em Nova Iorque está sendo organizada pela Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa) e conta com o patrocínio do Sebrae Nacional.
 
As bonecas de Zezinha,do Vale de Jequitinhonha, são uma das atrações em NY


O artesanato tradicional do interior que era desprezado, se valoriza internacionalmente

A arte popular das mulheres do interior do Brasil já é sucesso de vendas no exterior


 Fontes: www.em.com.br
              http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Em 2002, as vendas chegavam a 10 mil dólares e pouco mais de 10 anos depois chegaram a 6 milhões de dólares: esta força de exportação, além de uma revalorização das origens culturais do nosso povo explicam a exposição agendada para setembro na ONU em Nova Iorque.

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  2. Bem na divisa entre os estados de São Paulo e de Minas Gerais, a Serra da Canastra, onde nasce o rio São Francisco, entre o nordeste paulista e o sudoeste mineiro tem também um alto nível de artesanato popular tradicional ainda pouco conhecido, que desta vez ainda não participará desta exposição internacional.

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  3. Em praticamente todas as regiões do país e em especial nas menores cidades existe muitas artesãs e artesãos tradicionais, criando muita beleza em objetos de decoração, lazer, cultura e uso doméstico: agora com toda esta valorização, é possível que o setor avance mais, também como uma alternativa de sobrevivência para muitas famílias.

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  4. Além do artesanato originado de raízes indígenas e africanas do nosso povo, há ainda outros que foram originados com os imigrantes italianos, portugueses, espanhóis, alemães, o que amplia ainda mais o potencial do setor e acaba sendo um fator de cidadania, ecoturismo e até mesmo de desenvolvimento sustentável no interior do país.

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  5. Mande seu comentário, opinião ou mensagem para o e-mail do nosso blog de ecologia e cidadania: navepad@netsite.com.br sobre algum tipo de artesanato que você conheceu em alguma região brasileira e sobre este boom atual de exportação.

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