segunda-feira, 9 de setembro de 2013

AINDA ECOA A VOZ PACÍFICA DOS EXCLUÍDOS NAS RUAS NO FERIADO NACIONAL

Diferente das manifestações com confrontos o 7 de Setembro da periferia repercute ainda


Sarah Fernandes escrevendo e Rafael Stedile fotografando reportaram a manifestação, destaque no site Brasil de Fato e na Rede Brasil Atual dois dias pós-7 de Setembro: entoando gritos de “a juventude que ousa lutar constrói o projeto popular”, 8 mil pessoas marcharam da Praça Oswaldo Cruz à Assembleia Legislativa de São Paulo, no Grito dos Excluídos, que já há 19 anos reúne trabalhadores e movimentos sociais em um ato alternativo aos desfiles oficiais de 7 de setembro. Em um protesto pacífico, os manifestantes pediam  basicamente o fim da violência na periferia, em especial dos assassinatos de jovens negros cometidos pela polícia.  “O Mapa da Violência de 2012 mostra que os jovens negros são as principais vítimas dos homicídios nos centros urbanos, 53% do total”, diz a carta do Grito dos Excluídos 2013, que teve como tema central a a luta e o movimento dos jovens. “Responsável por parte significativa dessas mortes, a polícia paulista mata mais que toda a polícia dos Estados Unidos”, continua o texto oficial do evento. “O extermínio da juventude negra mata mais do que muitas guerras por aí”, afirmou por sua vez o coordenador da Central dos Movimentos Populares, Raimundo Bonfim. “A juventude é a maior vítima do chamado capital. Os jovens são os que ficam com os piores empregos, piores salários e piores serviços de educação e saúde". Ele lembrou que o Grito dos Excluídos começou em 1995, em protesto ao projeto econômico neoliberal, que ganhava força na época, com o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Queríamos mostrar que havia uma força grande contrária a isso no país. Escolhemos 7 de setembro para lembrar que a independência substancial ainda não aconteceu, e só acontecerá quando todos tiverem acesso a saúde, educação e ao poder público". Paralelo ao ato da Avenida Paulista, outro protesto do Grito dos Excluídos reuniu manifestantes na Praça da Sé, encabeçado pelas Pastorais Sociais. Segundo Bonfim, é positivo que aconteçam atos diferentes na cidade em prol dos mais pobres. “Queremos a inclusão, mas não pelo consumo e sim pela cidadania”, argumentou Raimundo Bonfim. "O fato de lutarem para enfrentar a onda de violência contra os menos poderosos é algo de muito, mas muito grande valor", comentou por aqui no blog da cidadania e da ecologia Folha Verde News, o nosso editor, Antônio de Pádua Padinha, que deu mais espaço a esta manifestação, explicando que "ela foi diferente na sua linguagem e no conteúdo, está repercutindo e ainda vai repercutir mais ainda, justamente porque usou mais a inteligência do que só a rebeldia". A massa dos manifestantes se concentrou desde às 8h30 e ocupou a Avenida Paulista, que foi fechada, por volta das 10h. Eles seguiram pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, com a Polícia Militar mesmo criticada pelo protesto, só acompanhando a manifestação, que foi até o Parque do Ibirapuera.
Participaram representantes de variados grupos do movimento da periferia, da Central dos Movimentos Populares, da Marcha Mundial de Mulheres, do Movimento dos Sem-Teto do Centro, do Movimento de Moradia do Centro, do Levante Popular da Juventude e da União dos Movimentos de Moradia. “A pauta da classe trabalhadora é extensa e queremos mostrar que há uma juventude que luta por ela”, disse a estudante de Direito, Beatriz Loureiro, de 24 anos, que participava do ato na Paulista. “Essa é uma alternativa ao 7 de Setembro militarizado. Não faz sentido comemorá-lo assim quando temos uma polícia militar que mata a juventude e mais ainda jovens negros e pobres". Jornalista ligada ao movimento
 Adriana Magalhães, lembrou que os jovens são os que mais sofrem com a perda de direitos trabalhistas: “Eles são a maioria dos terceirizados e dos desempregados e por isso estamos aqui pedindo o fim do Projeto de Lei das Terceirizações (4330)". O estudante de Economia Matias Domingo, de 20 anos, que participou do ato neste ano pela primeira vez, lembrou que o tema central da marcha é relevante por trazer à tona outros problemas sociais. “A questão dos jovens é transversal. Quando se fala neles falamos de acesso de todos à educação, saúde e cultura e mais, queremos lembrar à direitona que o povo não acordou agora. Os trabalhadores e os movimentos sociais estão nas ruas há anos, lutando por direitos e não vamos parar sem conquistas de verdade". A estudante de Direito Yasmin Casconi, de 24 anos, concordou: “Os movimentos sociais nunca dormiram. Há toda uma história de conquistas sociais.” Para o coordenador do Levante Popular da Juventude, Pedro Freitas, a onda de manifestações foi um incentivo para que a juventude participe mais da política do país. “Nossos grupos de discussão tem aumentado”, disse. “Hoje estamos aqui contra o extermínio da juventude negra e pobre e também  pelas cotas sociais e raciais nas universidades públicas do estado de São Paulo". O ato terminou com a ocupação pacífica do Monumento às Bandeiras, em frente ao Parque do Ibirapuera, uma obra que representa os Bandeirantes no Brasil colonial. Ele foi tomado por faixas pedindo o fim da violência nas periferias, habitação digna e apoiando o programa Mais Médicos, do governo federal, que prevê levar profissionais para regiões pobres e isoladas onde não há médicos. Neste ponto, houve controvérsia com jovens de outras tendências ou movimentos e protestos que aconteciam nas proximidades, mas nada que perturbasse a paz dessa manifestação, algo muito raro também na atualidade do país.

Milhares de manifestantes do movimento da periferia conseguiram se manifestar sem serem agredidos

Mas em geral nos protestos por todo o país o tom foi a violência contra jovens e gente do povo

Fontes: www.redebrasilatual.com.br
               www.brasildefato.com.br
               http://folhaverdenews.blogspot.com


5 comentários:

  1. Entre três ou quatro reivindicações mais claras dos manifestantes do movimento da periferia (que mobilizou também jovens da classe média) foi pedir o fim da violência contra a juventude mais pobre, em especial os negros, principais vítimas, e melhores condições de habitação, de saúde e de vida para a população.

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  2. Não nos pergunte porque policiais que foram muito violentos nas manifestações dos jovens mascarados, com um clima de rebeldia grande, neste protesto dos movimentos sociais e populares da periferia, só acompanharam se longe, embora estivessem sendo criticados pela manifestação.

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  3. A explicação talvez é que ao longo dos anos este movimento, desde o final dos anos 90, conquistou respeito pela forma organizada e pacífica com que realiza os protestos.

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  4. Mande aqui pro e-mail do nosso blog a sua opinião ou mensagem: navepad@netiste.com.br

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  5. No site Uol saiu análise dos protestos de 7 de Setembro.
    Violência e criminalização de atos esvaziaram protestos de 7 de Setembro, dizem especialistas
    Os protestos do último 7 de Setembro foram marcados por menos manifestantes e mais prisões e registros de violência que aqueles realizados em junho -- quando o país viveu uma onda de manifestações. País vive "retrocesso" ao criminalizar protestos, diz representante da Anistia Internacional no Brasil. Para especialistas consultados pelo UOL, a redução no número de manifestantes reflete um momento de maior violência nos protestos, associada à criminalização dos atos pelo país. A presença de black blocs, com táticas mais agressivas, seria um dos fatores que estaria expulsando estudantes e movimento sociais dos atos.

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