segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ESPECIALISTAS QUEREM REVOLUÇÃO PARA CIDADES AUMENTAREM A MOBILIDADE

Aqui, rescaldo do Dia Sem Carro: Claudia Visoni escreve sobre as cidades em movimento


Pesquisa sobre os transportes em São Paulo, eventos e opiniões de especialistas mostram uma revolução em curso. Ao que parece, a Carrocracia, a chamada Ditadura dos Carros, estaria com os dias contados. Confira o texto que a gente toma a liberdade de reeditar aqui no blog da ecologia e da cidadania, como um rescaldo da luta dos ciclistas e dos ecologistas, que em vários setores tenta mudar a realidade do Brasil, com vem mostrando sempre Folha Verde News e sites como o EcoDebate, todos os dias questionando temas sociambentais da maior importância atualmente.


"A Semana da Mobilidade foi até domingo, um evento internacional que tem por objetivo repensar os sistemas urbanos de transporte em prol de melhor qualidade de vida para as pessoas. Muita coisa aconteceu e tudo culminou com o Dia Mundial Sem Carro:
  • Os paulistanos que usam automóvel diariamente (ou quase diariamente) para se locomover são apenas 27%. E basta uma olhada para os espaços públicos para constatar que a paisagem foi totalmente dominada por essa minoria
  • Contando deslocamento por deslocamento, o meio de transporte mais comum é a caminhada (54%) seguida por ônibus (24%), carro (14%), metrô (12%), lotação (9%), trem (8%), moto (3%) e bicicleta (2%)
  • Cerca de 50% das residências paulistanas contam com carro na garagem. Entre as famílias motorizadas, 80% possui apenas um veículo. 17% dois. Os multiveiculares são apenas 3%
  • 47% dos paulistanos gasta entre 1 e 2 horas por dia para ir e voltar de sua atividade principal. A média chega a espantosos 2h15 se forem computados todos os deslocamentos
  • Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade, lembrou que o modelo rodoviarista é o principal problema ambiental e de saúde de São Paulo. Além da poluição atmosférica (que mata mais do que cigarro por aqui), contribui para ilhas de calor, contaminação do solo, colisões e atropelamentos, sedentarismo forçado e poluição sonora.
Agora, a melhor notícia: o Império do Automóvel está com os dias contados
  • 79% dos motorizados deixariam o carro em casa se tivessem uma boa alternativa de transporte público. Quanto a isso, tenho observado algo curioso: muitas pessoas que dizem essa frase nunca experimentam fazer seus trajetos cotidianos de ônibus ou metrô. Obviamente, a qualidade geral desse serviço é ruim na cidade. Mas existem horários e percursos muito bem servidos por transporte público e falo isso por experiência própria
  • 93% são a favor da ampliação das faixas exclusivas de ônibus (86% entre os usuários freqüentes de automóvel). De acordo com Jilmar Tatto, Secretário Municipal dos Transportes, é para lá que vamos. Ele disse: “São Paulo tem hoje 120km de faixas exclusivas para ônibus e pretendemos implantar mais 150 km até 2016. O ideal seria chegar em 460km”. Analisando a fala completa do secretário,  percebi que, tecnicamente, transporte de larga escala seria atribuição do metrô, mas é quase impossível São Paulo chegar perto de Paris, que tem uma estação quase em cada esquina na região central. Vamos quebrar o galho com ônibus mesmo.  E os planos imediatos da prefeitura incluem uma reforma do sistema e até mesmo ações ousadas como um concurso para criação de aplicativos que ajudem o usuário a saber em tempo real quando chegam e para onde vão os ônibus que passam no ponto onde ele está
  • 56% são favoráveis à proibição total de estacionar no centro expandido, 49% aprovariam o aumento do rodízio para 2 dias na semana e 45% aceitariam de bom grado um imposto sobre os combustíveis para financiar o transporte público
Podemos comemorar o fato de que boa parte dos paulistanos pretende dar sua contribuição individual em prol de uma melhoria coletiva, não é? Mas a mudança de cultural ainda precisa avançar muito: “Não dá para pensar em mobilidade sem pensar em habitação”, afirmou Maurício Lopes, promotor do Ministério Público. De acordo com ele, para reduzir a necessidade de deslocamento, na periferia mais empregos são necessários e mais habitações populares no centro. Por outro lado, estou acompanhando algumas discussões do Plano Diretor em que associações de moradores de bairros residenciais resistem ao adensamento em torno de eixos de transporte proposto pela prefeitura. Concordo que o tema é polêmico e que as alterações nas normas de uso do solo precisam ser muito cuidadosas. Mas não dá para querer preservar a todo custo quarteirões canadenses em meio a um padrão africano de urbanização. Teremos que negociar, repensar, buscar a melhoria da cidade para todos, o que significa inclusive diminuir a desigualdade territorial. “Uso bastante transporte público e cada vez mais eu acho de mau gosto sair de casa de carro. Compre seu carro, mas no dia-a-dia deixe na garagem. Melhor usar só no final de semana, para viajar ou em casos especiais”. Quem falou isso foi o próprio Jilmar Tatto. Estamos ou não num mundo novo? Nem tanto… Enquanto escrevia sobre poluição, ilhas de calor e mudanças culturais, minha vizinha veio pedir que eu derrube uma árvore que está em meu terreno para que as folhas não caiam na casa dela...Não resisto a acrescentar esse mapa de caminhadas feito pelo pessoal do Sampa a Pé. Vamos nessa, ocupar as ruas sem motores!

em São Paulo, vá a pé

Claudia Visoni é jornalista, paulistana e dirige a empresa Conectar Comunicação (www.conectar.com.br). Desde a adolescência, pesquisa assuntos ligados à ecologia e ao consumo, buscando alternativas para viver bem economizando recursos naturais:  claudia@conectar.com.br



A poluição do ar é o efeito direto da carrocracia segundo Cláudia Visoni/Conectar

Especialistas dizem que só uma revolução urbana é capaz de mudar essa realidade

Pesquisa mostra que hoje 54% dos paulistanos andam a pé na maior cidade sulamericana


Fontes: www.ecodebate.com.br
               http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Informações muito atualizadas e superimportantes neste texto de Cláudia Visoni postado aqui hoje, ouvindo também especialistas e concluindo que a "ditadura dos carros" nas cidades está perto do fim. Isso poderá vir a ser realmente uma revolução no modo de viver urbano.

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  2. Outro argumento surpresa do texto é que a maiori caminha, anda a pé: o meio de transporte mais comum é a caminhada (54%) seguida por ônibus (24%), carro (14%), metrô (12%), lotação (9%), trem (8%), moto (3%) e bicicleta (2%)...

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  3. Nesta questão, abrimos aqui um parêntesis para elogiar o programa especial sobre andarilhos, feito por Fernando Gabeira na Globo News. Claro que os caminhantes aqui citados por Cláudia Visoni são jovens estudantes, executivos, trabalhadores e gente que opta por andar a pé diante dos erros e limites dos transportes ou da falta de mobilidade do trânsito. Mas é um assunto da hora.

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  4. Mande vc tb o seu comentário, opinião ou mensagem aqui para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania sobre este assunto: navepad@netsite.com.br e participe deste movimento para mudar e avançar as cidades, todos os dias.

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  5. O arquiteto J. Pereira nos manda por e-mail informação do site Ambiente Brasil que resume o tema de nossa postagem de hoje aqui no blog: Poluição dos veículos causa 4,6 mil mortes ao ano em São Paulo: segundo a pesquisa do Instituto Saúde e Sustentabilidade, esse tipo de poluição do ar é responsável pela redução de 1,5 ano de vida da população na região metropolitana de São Paulo, que concentra em seus 38 municípios mais de 20 milhões de pessoas.

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  6. "A gente fez uma manifestação no Aterro do Flamengo contra a poluição do ar e a violência do trânsito, foi a forma que encontramos no Dia Sem Carro, reunimos muita gente além de uns 3 mil ciclistas": é a informação que nos enviou por e-mail Gilberto Minck, do Rio de Janeiro.

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