quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O AQUÍFERO GUARANI TEM AGORA MAIS UMA GRANDE AMEAÇA

Extrair xisto (fracking) é o xis da questão, diz ambientalista

“Muitas medidas que parecem boas para a economia podem ser muito danosas ao meio ambiente, como é o gás de xisto”, adverte Suzana Pádua, doutora em desenvolvimento sustentável pela UnB e mestre pela Universidade da Flóridaela que é também uma das maiores lideranças  da Rede Folha de Empreendedores Socioambientais. Suzana Pádua fez a denúncia ao IHU On-Line e ao site EcoDebate: nós aqui do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, que temos alertado sobre outras ameaças ao Aquífero Guarani, divulgamos mais este problema, talvez o pior deles, a extração do xisto, argumenta aqui o ecologista Antônio de Pádua Padinha, nosso editor.

 
Extração do xisto contamina lençol freático e pode destruir maior reserva de água doce do planeta



Outra ameaça já conhecida ao Aqüífero Guarani, maior reservatório subterrâneo de água doce do mundo, além do agrotóxico em excesso nas plantações de soja, são as perfurações descontroladas de poços irregulares. Há até uma lista de empresas registradas no Paraguai para explorarem irregularmente nossa água potável, 4.716 empresas de vários países como Estados Unidos, Argentina, Holanda, Alemanha, Brasil e Itália que se uniram a empresas paraguaias para pagar menos impostos com o objetivo de explorar o mercado de água mineral. "Nós temos o dever de cuidar das águas superficiais, como é o caso do rio Paraguai, mas também devemos zelar pelas águas subterrâneas, como o Aqüífero Guarani", já alertara Walberto Caballero (Diário ABC Color de Assunção) na Ecosul. E agora temos esta terceira grande ameaça, no alerta da ambientalista que preside o Instituto de Pesquisas Ecológicas, IPÊ. A extração do gás não convencional, conhecido popularmente como Xisto, pode causar impactos ambientais “irremediáveis”, alertou Suzana de Pádua por e-mail. Segundo ela, “o processo de exploração do gás de xisto contamina a água por causa do local em que o xisto se encontra, aprisionado em pequenas bolhas de formações rochosas altamente impermeáveis”. Outros especialistas confirmam e comentam que a tecnologia de extração não está suficientemente desenvolvida a ponto de preservar recursos hídricos fundamentais, como é o caso do nosso Aquífero Guarani. Nós aqui no blog Folha Verde News já havíamos informado, via denúncia do jornalista Walberto Cavallero na Ecosul, em Corumbá, sobre as ameaças dos agrotóxicos e das perfurações para o Aquífero Guarani, que sobrevive também por aqui no interior do país (e por enquanto) no subsolo de toda a nossa macrorregião. O uso indevido de agrotóxicos nas plantações de soja é uma ameaça constante ao Aqüífero Guarani e é um dos maiores problemas que também o Paraguai tem enfrentado. A questão do Xisto é a mais recente e a maior ameaça do momento, no Brasil, no Paraguai e no aquífero. Suzana Pádua explica: “Enquanto o gás natural e do petróleo ocorrem em estruturas geológicas e nichos próprios, o gás de Xisto está impregnado nas rochas e na própria formação geológica. Sua extração tornou-se eficiente e econômica em tempos recentes por conta de avanços tecnológicos. A eficácia nas perfurações horizontais e o procedimento de fraturar a rocha, conhecido como ‘fracking’, injeta, sob alta pressão, grandes quantidades de água, explosivos e substâncias químicas. É nesse processo que ocorrem vazamentos e a contaminação de aquíferos de água doce, que estão localizados acima do Xisto”. Na avaliação da ambientalista, a possível extração de Xisto no Brasil pode contaminar de vez o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água subterrânea do país e do mundo. “Qualquer país com inteligência e sagacidade em relação ao futuro estaria defendendo esta maior reserva planetária de água com unhas e dentes, ao invés de planejar formas de danificá-lo por conta de divisas que serão resultado de práticas insustentáveis e irresponsáveis”, disse a Drª Suzana Pádua, que concedeu hoje longa entrevista ao site de assuntos socioambientais EcoDebate. "Um documento de muito valor para os que lutam pela sustentabilidade e pela vida do nosso futuro", comenta aqui agora no nosso blog, repórter Padinha. 

Fontes: IHU On-line
             www.ecodebate.com.br
             www.riosvivos.org.br
             www.gaslandthemovie.com
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Esta denúncia sobre a ameaça do Xisto é muito qualificada,além do que citamos no post, a Drª Suzana Pádua tem tido atuação muito elogiada no Instituto Humanitas Unisinos (Universidade Vale dos Sinos, São Leoppoldo, Rio Grande do Sul).

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  2. O Brasil não precisa extrair Xisto e está entrando nesta aventura por causa do interesse de algumas multinacionais e de alguns outros países, porém, os riscos ambientais são os piores, também no caso do Aquífero Guarani: outros cientistas pedem que se analise melhor o atual processo de extração, que ainda precisaria evoluir mais.

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  3. A quem interessa a chamada "revolução do Xisto"?..."O Brasil é um dos poucos países do planeta a ter uma posição confortável em termos de recursos naturais. Por isso, deveria estar ditando regras, e não cedendo a pressões econômicas internacionais. Segundo o geólogo e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do Projeto Rede Guarani/Serra Geral, Luiz Fernando Scheibe, especialista na questão do gás de xisto, nosso país nem precisa de gás neste momento, menos ainda entrar no processo de explorar o gás de xisto sem precisar. Ele defende uma moratória de cinco anos, período em que estudos podem ser realizados para aumentar as chances de se evitar danos maiores, especialmente ao maior patrimônio da atualidade: a água". Trecho da entrevista de Drª Suzana Pádua ao EcoDebate.

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  4. "Qualquer país com inteligência e sagacidade em relação ao futuro estaria defendendo o Aquífero Guarani com unhas e dentes, ao invés de planejar formas de danificá-lo por conta de divisas que serão resultado de práticas insustentáveis e irresponsáveis". (Idem, Ibidem).

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  5. IHU On-Line – Como vê a intenção do governo brasileiro de incluir o gás de xisto na matriz energética brasileira?
    Suzana Padua - O Brasil parece querer progresso a qualquer custo. Ainda não acordou para o grande valor do que temos em nosso território em termos de biodiversidade e outras riquezas naturais. Deveríamos estar investindo maciçamente em tecnologias sustentáveis e salvaguardando nosso patrimônio natural. Temos feito o inverso, o que é uma lástima. Uma vez que a natureza seja impactada, jamais retorna ao estado original. Mesmo em casos de sucesso, como a recuperação de áreas degradadas, ou a despoluição de rios, por exemplo, o resultado final jamais alcança a diversidade do que havia originalmente. São bilhões de anos de evolução para se ter a vida encontrada em biomas como os encontrados no Brasil, mas para se destruir é rápido. Não que tenhamos de tratar a natureza como intocável. Não é isso. Simplesmente, é optar consciente e responsavelmente por caminhos que levem à vida e não à morte. Todos queremos desenvolvimento, conforto e progresso. Mas que tipo e a que preço é o que precisamos pensar agora. Se investíssemos em alternativas sustentáveis e limpas, chegaríamos a níveis altos de satisfação sem colocarmos em risco o que temos ainda em nosso território. As escolhas determinarão nosso destino, e o Xisto é apenas mais um elemento que está mostrando a força do poderio econômico frente à nossa própria preservação nessa Terra. Quando não houver mais água, e oxalá isso não aconteça, espero que lembremos que foi por conta de escolhas irresponsáveis que ficamos à deriva de um destino nada promissor.

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