domingo, 29 de setembro de 2013

WANG JIANLIA PODERÁ REVITALIZAR O CINEMA NO BRASIL?

Avançar o cinema do Brasil é mais do que somente um crescimento dos negócios do setor

O homem mais rico da China, com uma fortuna pessoal estimada em R$ 49 bilhões, o investidor  do setor imobiliário Wang Jianlin quer expandir seus negócios  para o Brasil e o seu interesse aqui é o de comprar salas de cinema: "Estou à espera de convites de parceiros brasileiros”, disse o bilionário Wang  durante o lançamento do megaestúdio que ele está custeando  na cidade costeira de Qingdao, leste da China, já chamada de Cidade do Cinema. Através dela, o megaempresário chinês pretende rivalizar com centros de produção como a Cineccitá e até especialmente com Hollywood. Dinheiro e know-how no setor ele tem, tanto para montar a Cidade do Cinema em seu país como para transformar o mercado cinematográfico brasileiro num negócio de ponta. Na China, os números de Wang Jianlin  são mais do que impressionantes: são  6.000 salas de cinema, 71 shopping centers, 57 lojas de departamentos, 63 karaokês e 38 hotéis cinco estrelas. No total, o seu patrimônio construído se estende por 12,9 milhões de metros quadrados, quase o dobro da área do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. No ano passado, o conglomerado Wang comprou por R$ 5,8 bilhões a AMC Entertainment, a segunda maior cadeia de salas de cinema dos EUA. Agora Wang pretende repetir a operação no Brasil. "Já temos uma equipe estudando possibilidades de investimentos no Brasil. Nosso plano é comprar ou construir salas de cinema neste país", afirmou Wang. "Sei que a população brasileira é jovem e adora cinema, há muito potencial no setor". Depois que o plano de Wang veio a público, alguns distribuidores brasileiros já se agitam. Até mesmo a distribuidora Paris Filmes, que foi a empresa cinematográfica com um maior faturamento no Brasil em 2012 e que em 2103 continua no mesmo rítmo, segundo dados divulgados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema): a Paris, pela liderança de mercado que estes números indicam, poderá vir a ser a empresa procurada por Wang Jianlia, o bilionário chinês que pretende investir em distribuição de filmes aqui em nosso país. A Paris Filmes, que tem parcerias com a RioFilme e a DownTown, obteve participação em 18,7% dos ingressos vendidos ao longo do último ano, superando empresas americanas, como a americana Paramount/Universal, que ficou em 2º lugar, com 14,9%. Entre os grandes sucessos da companhia brasileira em 2012 destacam-se “A Saga Crepúsculo – Amanhecer: Parte 2″ e comédias nacionais populares, como “Até que a Sorte Nos Separe”. A Paris Filmes lançou 7 dos 10 filmes nacionais mais vistos do ano. “Até que Sorte nos Separe” lidera este ranking com 3,3 milhões de espectadores. Já “Amanhecer – Parte 2″ foi a segunda maior bilheteria geral do país, ficando atrás apenas de “Os Vingadores”, com 9,4 milhões de ingressos vendidos. Apesar do sucesso de distribuição com as comédias nacionais, o cinema brasileiro tem pouco a comemorar. O mesmo relatório indica que o público dos filmes nacionais recuou 12,9% em um ano e em consequência, a renda encolheu 3,7%. Os números contrastam com o crescimento do mercado cinematográfico no país, que faturou R$ 1,6 bilhão, um aumento de 12% entre 2011 e 2012, graças ao sucesso de grandes blockbusters americanos, mas também pelo encarecimento dos ingressos. O fator preço pode ser facilmente comprovado diante do número de pessoas pagantes. O crescimento do público foi pequeno (1,7%) comparado ao ano anterior, evidenciando que as salas VIPs e 3D, mais caras, influenciaram na arrecadação final.

88872  Bilionário chinês quer comprar salas de cinema e investir no Brasil
Homem mais rico da China quer rivalizar com Hollywood tendo o Brasil como um de seus parceiros

Glauber Rocha e a luta pelo cinema autoral ainda são atuais e podem fazer a diferença...

...para que o cinema do Brasil com parceiros como Wang Jianlin evolua mais do que só como negócio

 
A gente espera que com mais salas de cinema e uma distribuição mais profissional ou mais avançada, além de mais estúdios e maiores recursos em produções de variados tipos, isso abra maior espaço para filmes brasileiros, também os menos comerciais ou mais autorais, que nem chegam ao mercado e  também  para os filmes de arte de todas as origens e estilos, enriquecendo a vida cult também dos espectadores de cinema por aqui no Brasil. Isto não é um desafio impossível para alguém como Wang Jianlin que, entrevistado pela France Press, afirmou com todas as letras que a futura Chinawood vai superar Hollywood, o complexo terá 20 estúdios, incluindo “o maior do mundo” com 10.000 metros quadrados, devendo produzir “pelo menos uma centena de filmes anualmente".  O Wanda Group referiu também ter concluído “acordos de princípio” para garantir que anualmente serão rodados no complexo cerca de três dezenas de filmes estrangeiros, entre eles, de roteiristas e diretores brasileiros, informou por sua vez a Agência Lusa. A força bilionária do Wanda Group é inegável e poderá revitalizar o cinema no Brasil, como negócio.
Mas como está na realidade o cinema brasileiro hoje?
Kléber Mendonça Filho escreveu sobre este assunto que a cinematografia nacional está achatada e enfraquecida pelos megalançamentos mundiais. Por sua vez, Karin Ainouz criticou a média das produções brasileiras atuais, dizendo inclusive que atualmente na verdade os cineastas brasileiros não fazem comédia popular mas algo bem pior, tipo chanchada. E o site iG recentemente entrevistou cineastas brasileiros com atuação em muitos anos e em vários tipos de produção por aqui, os que viveram a época da Embrafilme e pós-Embrafilme, a maioria afirmou que temos no país agora uma certa estabilidade de produção cinematográfica, o que é positivo, até mesmo filmes mais autorais são produzidos, embora haja a prioridade de mercado para os mais comerciais: o grande problema continua sendo a distribuição. Os filmes que não têm nada a ver com as chanchadas atuais são expulsos das salas de exibição, por força da preferência do mercado. Não precisa ser algo como foi a Embrafilme, mas deveria haver uma política de estado no setor do cinema no Brasil, tanto para fiscalizar os negócios como para incentivar a realização de filmes que fogem do formato de comédias populares, que é o que predomina. "Também, não é possível filmes estrangeiros  entrarem neste país tomando conta de 90% do mercado, como acontece com os blockbusters. Também não é possível ter uma visão tacanha de querer apenas conquistar o mercado e por isso ficar apostando só em comédias populares. Elas são importantes e têm de existir, porque o mundo cinematográfico precisa de todos os estilos, precisa ser diversificado. Mas é uma visão tacanha achar que você pode construir uma identidade sem trabalhar com o chamado cinema autoral, que também quer ter comunicação com o público, mas parte de um ponto de vista que não quer apenas satisfazer uma realidade já existente. Isso para mim é o cinema comercial: fazer só o que as pessoas querem ver", comentou a diretora de filmes autorais Murat. Ela e quase todos aprovam as co-produções com outros países e as colaborações mútuas com profissionais de cinema de outros lugares, mas em geral, os cineastas sabem que somente um avanço de uma linguagem mais autoral e de um estilo brasileiro mais definido e mais diversificado de filmes, somente isso reafirmará o cinema do Brasil, algo por que viveu e morreu Glauber Rocha, pioneiro desta luta com o Cinema Novo, que bateu de frente com os erros e limites do governo ditatorial nos anos 60, 70, 80. Agora, no século 21, com o grande momento da Internet e da cultura digital, também da tecnologia da multimídia, a entrada na distribuição e na produção de cinema no Brasil de Wang Jianglin poderá revitalizar este setor da nossa produção cultural, desde que respeite as características locais e as necessidades reais do mercado, como também o feeling  dos cineastas mais autorais. Não adianta só produções bancadas por uma rede de TV que domina o mercado de imagens e sim também um projeto de produção de filmes que possam causar um avanço dos filmes brasileiros numa situação de grande competitividade na mídia contemporânea: "Só um cinema com um estilo nacional, sustentável e diversificado em seus formatos é capaz de fazer sucesso na indústria mundial de filmes hoje", comenta aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, o nosso editor Antônio de Pádua Padinha que considera positiva a invasão chinesa do cinema do Brasil, planejada por Wang Jianglia: "Pelo menos, o impacto de mercado poderá  tirar os filmes brasileiros da mesmice, da mediocridade e da falta de perspectiva de futuro".

Fontes: iG
               France Press
               Agência Lusa
               www.planosequencia.com
               www.ionline.pt
               www.rjnoticias.com
               www.pipocamoderna.com.br
               http://folhaverdenews.blogspot.com 

8 comentários:

  1. Espera-se que com mais salas de cinema e uma distribuição mais profissional ou melhor exibição, além de mais estúdios e maiores recursos em produções de variados tipos, isso abra maior espaço também para os filmes brasileiros de variados formatos e até para os autorais e de linguagem mais cult.

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  2. A possível entrada no Brasil de dinheiro e melhor estrutura de distribuição só representará um avanço para o cinema brasileiro com a produção de filmes de variados formatos, regionais, autorais, para se criar um estilo nacional: só com uma linguagem brasileira, o cinema do Brasil poderá ser universal e avançar definitivamente.

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  3. A foto de Wang Jianglin, um megaempresário, lado a lado com as imagens críticas sobre o cinema feitas por Glauber Rocha (na época do Cinema Novo, censurado), este contraste dá o tamanho do desafio que é a indústria de cinemas e hoje, de multimídia no país.

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  4. Chanchadas da Atlântida, Mazzaroppi, Embrafilme, pornochanchadas, as atuais comédias com elenco da TV, o cinema brasileira vem se mantendo vivo, com erros e limites de cada época, mas carece de uma revolução cult, em sua linguagem, criando-se um novo estilo de multimídia: só isso poderá aproveitar bem um megaparceiro como Wang Jianglin.

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  5. Você considera uma invasão ou vê como positivo o plano do chinês Wang Jianglin de entrar no negócio do cinema no Brasil? Mande a sua opinião, informação ou comentário para navepad@netsite.com.br aqui na redação do nosso blog.

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  6. "Acho importante a avaliação que este blog fez deste assunto, colocando coisas que precisam mudar no cinema brasileiro, já que não é mesmo só dinheiro que poderá mudar a situação complexa deste setor de produção cultural que anda ultimamente mediocre": é a mensagem que nos enviou Rogério Mendes que estuda comunicação na Unesp de Bauru.

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  7. A internauta Jô da Silva nos mandou um comentário:"Na universidade em Salvador estudei as várias fases do cinema brasileiro, primeiro teve as Chanchadas, depois a Vera Cruz, o Cinema Novo, as Pornochanchadas e mais recente as comédias com gente da Globo, tomara que esta fase da China traga bons filmes e não só mais dinheiro para o bilionário chinês".

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  8. Também para responder uma pergunta do engenheiro José Américo, que acessou nosso blog em Formiga (MG), nosso editor Padinha comenta ainda: para o cinema brasileiro ter um estilo creio que o principal será focar a realidade do país, do povo, de nossas raízes, aí será um produto cult, você e muita gente gostaria de ver nas telonas a vida do Brasil.

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