segunda-feira, 28 de outubro de 2013

CIENTISTAS E ECOLOGISTAS QUESTIONAM A EXPLORAÇÃO DO XISTO NO BRASIL

Geólogo considerado "pai do pré-sal" está entre os que questionam a exploração do Xisto

Guilherme Estrela, geólogo, ex-diretor da Petrobrás, foi entrevistado hoje pelo site Uol em especial sobre a questão do petróleo no Brasil, mas devido à importância do tema, acabou resumindo o que ele vê como principais problemas ou desafios da exploração do Xisto, algo que vem se desenvolvendo há mais de 10 anos nos Estados Unidos, onde já se explora o gás desta rocha subterrânea. Não há em nosso país um know-how aqui desenvolvido para se explorar o gás de Xisto e este é um dos poréns que cientistas e ecologistas colocam neste exploração, já agendada pelo Governo para 2014, além do mais, ela aconteceria exatamente nas regiões brasileiras onde estão as maiores reservas de água doce, como o Aquífero Guarany (que abrange também o subsolo de nossa macrorregião), "comprometendo a qualidade e a quantidade de água, fundamental para vida e para o país", como argumenta o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, editor do nosso blog Folha Verde News. Aqui, a seguir, você terá um resumo das críticas à exploração do Xisto (captadas na entrevista de Guilherme Estrela ao Uol) e depois, mais informações do site iG (Brasil Econômico). "1. As reservas potenciais são, realmente, muito grandes. 2. Os poços exaurem-se muito rapidamente, não duram meses. 3. Perfuram-se milhares de poços, em áreas rurais e nas cercanias de cidades do meio-oeste americano. Como os poços duram muito pouco, a atividade de perfuração é frenética, descontrolada. Exige infraestrutura de suprimento de grandes dimensões, com grandes impactos sociais nas comunidades antes bucólicas e ultraconservadoras do interior americano. 4. O uso de água é gigantesco; já há casos de esgotamento de lençóis freáticos e falta de água nas cidades. Alguns Estados já proibiram as atividades.5. O fluído de fraturamento contém produtos químicos altamente agressivos e tem sido comum a poluição de aquíferos potáveis por estes agentes químicos, interrompendo sua utilização para o homem e para a pecuária. 6. As reservas de gás, como sempre acontece, esgotam-se rapidamente e existem, também como sempre, as incertezas geológicas coladas às atividades de exploração e produção. Especialmente quanto às reservas de gás não provadas, como é o caso, os níveis de imprevisibilidade são elevados e surpresas negativas são prováveis de acontecer. É preciso ter cuidado nas extrapolações", falou em resumo o geólogo Guilherme Estrela.

Explorar Xisto no Brasil é bom?...Mas para quem?

A Petrobras estima que o Brasil chegará a 2020 com um excedente de 30 milhões de metros cúbicos por dia.
O Brasil já tem reservas em gás, carece é de infraestrutura de transporte desta energia


A exploração de novas reservas e fronteiras de gás não convencional está agendada já para o ano que vem no Brasil. É uma solução energética ou mais um problema socioambiental? A petroleira Petra Energia já havia comunicado à Agência Nacional do Petróleo (ANP) mais uma descoberta de gás natural na Bacia de São Francisco, norte de Minas Gerais, aumentando a esperança dos entusiastas da exploração de reservas de Xisto. Especialistas consultados pelo Brasil Econômico/iG, porém, sugerem cautela com todas as expectativas sobre a nova fronteira energética, que tem provocado grande polêmica ao redor do mundo devido aos riscos ambientais. O consenso é que o Xisto não terá os mesmos efeitos positivos sobre o Brasil, que já tem grandes reservas de gás mas sofre com a falta de infraestrutura de transporte do produto. "A situação do Brasil é completamente diferente dos Estados Unidos.Temos grandes reservas descobertas, mas não temos infraestrutura", diz o consultor Jean-Paul Prates. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) já anunciou que pretende licitar algumas áreas com potencial para gás não convencional em um leilão específico para busca por reservas de gás, previsto para o final do ano. Mas até agora, há uma série de questões regulatórias e ambientais a respeito do uso da tecnologia de fraturamento hidráulico ainda não respondidas. "O assunto é novo e, por isso, estamos discutindo os impactos. Não podemos ainda dizer se vamos conceder licença ou não vamos", diz o analista ambiental Luciano Junqueira de Melo, da Superintendência Regional de Regularização Ambiental da região central de Minas Gerais, onde a Petra e a FTS devem iniciar as operações. A advogada Maria Alice Doria, do escritório Doria, Jacobina e Gondinho Advogados, ressalta que as empresas interessadas na exploração de Xisto podem ter dificuldades também para obedecer a diferentes marcos regulatórios, dos setores de petróleo, de mineração e das águas - uma vez que a perfuração de um poço consome entre 10 e 15 milhões de litros de água, o suficiente para encher entre 300 e 500 caminhões-pipa de grande porte.

"O Brasil tem grandes descobertas de gás a desenvolver, como o pré-sal e a Bacia do Parnaíba, antes de pensar no gás de Xisto", comenta o presidente da Energia do Rio, Luiz Costamillan. De fato, a Petrobras estima que o Brasil chegará a 2020 com um excedente de 30 milhões de metros cúbicos por dia, o equivalente ao volume importado atualmente da Bolívia. "Os grandes desafios do Brasil estão acima do solo, não são questões geológicas",afirma Costamillan, lembrando que, nos Estados Unidos, a extensa malha de gasodutos e a carga tributária contribuem para que o gás chegue mais barato ao consumidor. O território americano é cortado por 500 mil quilômetros de gasodutos, rede 50 vezes mais extensa do que a brasileira. Além de pequena, a malha brasileira é dominada pela Petrobras, dificultando a entrada de novos agentes, diz ainda Prates. A extensão da rede é apontada pelo BNDES, em estudo sobre o tema, como uma das principais medidas para o barateamento do preço do gás no país. Sobre esta polêmica energia, Lucas Aly, de Santos, fala ao iG que "os grandes volumes de água necessários no processo de extração,  que retornam à superfície, poluídos por hidrocarbonetos e por outros compostos e metais presentes na rocha e os próprios aditivos químicos utilizados, exigem caríssimas técnicas de purificação e de descarte dos resíduos finais. A própria captação desta água pode representar uma forte concorrência com outros usos considerados preferenciais, como, por exemplo, o abastecimento humano. É muito importante destacar, por exemplo, que boa parte das reservas de gás/óleo de Xisto da Bacia do Paraná no Brasil e parte das reservas do norte da Argentina estão logo abaixo do Aquífero Guarani, a maior fonte de água doce de ótima qualidade da América do Sul. Logo, a exploração do gás de xisto nessas regiões deveria ser avaliada com muita cautela, já que há um potencial risco de contaminação das águas". No caso do Aquífero Guarany, todos nós do interior do país, cientistas, ecologistas e consumidores precisamos questionar de frente a exploração desnecessária para o Brasil do Xisto, que representará a destruição de uma das maiores riquezas brasileiras, vitais para o futuro da Nação e da própria vida, nossas maiores reservas de água doce", comenta ainda aqui o ecologista Padinha ao editar este resumo de informações.  


A exploração do gás das rochas subterrâneas poderá poluir e contaminar a água do subsolo brasileiro
O Xisto é uma nova ameaça às nossas reservas de água doce como Alter do Chão e o Aquífero Guarany

Fontes: www.brasileconomico.ig.com.br
               www.uol.com.br
               http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. Este assunto é uma das pautas mais urgentes em termos de energia, de poluição e de riscos socioambientais: apresentamos um resumo dos desafios que significam a exploração do Xisto no Brasil, onde há outras prioridades no setor energético.

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  2. O geólogo Guilherme Estrela mostra por a + b que esta polêmica fonte de energia deveria ser melhor pesquisada e desenvolvida, antes de o Brasil se aventurar a perder suas maiores reservas de água doce na exploração do Xisto.

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  3. Nem sempre o que é bom para os Estados Unidos, também é para o Brasil: este enigma tradicional e histórico se repete agora na polêmica do Xisto, destacam alguns dos maiores especialistas em energia. Temos por exemplo grandes reservas já descobertas de gás, falta é infraestrutura e transporte e não o país investir nesta aventura dos mais altos riscos socioambientais e que ameaçam reservas estratégicas de água no Brasil.

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  4. Envie vc tb a sua opinião, informação ou comentário sobre a polêmica do Xisto aqui para o blog: navepad@netsite.com.br

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  5. "Realmente, as rochas de Xisto estão logo abaixo do Aquífero Guarani, a maior reserva de água do continente e a exploração do gás de Xisto nessas regiões a não se que seja com uma tecnologia mais avançada do que a usada hoje nos Estados Unidos, contaminará estas águas": é em resumo o e-mail que recebemos da PUC-Rio que nos foi enviado por Geraldo Santos.

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