terça-feira, 12 de novembro de 2013

GAVIÃO KYIKATEJÊ É UM TIME DE INDÍGENAS QUE PODE ENTRAR PARA A ELITE DO FUTEBOL BRASILEIRO

Se o Pará for desmembrado em 3 estados o time de índios poderá disputar a Copa do Brasil

Um time de futebol diferente chamou a atenção no Pará nestes dias de uma equipe de TV da França, fazendo matérias sobre a Copa do Mundo no Brasil: o Gavião Kyikatejê. O time é formado em especial por índios da etnia Gavião Kyikatejê, também por atletas não indígenas e por alguns outros futebolistas de outras tribos, como Karajá, Xerém e Guarani. A sede deste clube, que já disputa a Série B do Campeonato Estadual do Pará, é a terra indígena Mãe Maria, que fica no município de Bom Jesus de Tocantins, a 30 quilômetros de Marabá, a cidade mais conhecida da região. Desde o Século 20, os índios Gavião vem sofrendo um processo de aculturação, na década de 60 quase foram dizimados devido à invasão de brancos em projetos governamentais de ocupação da Amazônia, como a Estrada de Ferro Carajás, para transporte de minério, a Br 222. Os Gaviões Kyikatejês foram obrigados a se abrigarem em Mãe Maria com índios de outras etnias, outras línguas e costumes diversos: hoje, ainda com um organização básica de tribo, este povo da floresta se divide em dois caminhos escolhidos por eles mesmos, manter as tradições nativas e ao mesmo tempo se integrarem com a realidade brasileira urbana, muitos dos jovens e dos adolescentes indígenas acabam virando universitários e alguns depois de formados voltam para ajudar a comunidade. Tradicionalmente, os índios da etnia Gavião Kyikatejê sempre se destacaram em atividades esportivas típicas da cultura da floresta, ainda continuam hoje sendo especialistas em corridas de tora, jogo de flechas e lutas corporais. Atualmente, os que se dedicam ao futebol, usam estas atividades tradicionais como treinamento, por exemplo, correndo de flechas (sem pontas) atiradas contra eles, desenvolvem a velocidade, carregando toras de árvores, aumentam a força, no corpo a corpo, aperfeiçoam a resistência. Quem dá estas explicações pelo time Gavião Kyikatejê é o seu treinador Zeca Gavião, de 42 anos, que jogava bola muito bem quando jovem e que desde 2007 tem registro na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) como técnico. Ele chegou a fazer uma espécie de aperfeiçoamento em tática e em técnica com os renomados treinadores Tite (Adenor Bacci, do Corinthians, que é o atual campeão mundial de clubes) e Felipão Scolari (treinador da Seleção Brasileira). Zeca resume a sua visão de futebol com um conceito: "Não pode separar futebol e educação, isso vale também para índio", disse ele à Rádio Capital/ESPN e à equipe da televisão francesa. Zeca Gavião se mostrou, também por interesse do time da sua tribo, favorável ao desmembramento do Pará, que passaria a ter o seu território dividido com mais dois estados, o estado de Carajás (onde fica a terra indígena de Mãe Maria) e o de Tapajós. Este desmembramento, já discutido no Congresso Nacional há bem mais de um ano, desperta muita polêmica entre todos os setores do povo paraense, que está dividido nesta questão. Para exemplificar, dentro do tema deste post aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, os dois jogadores paraenses de futebol mais conhecidos no Brasil, Ganso (hoje no São Paulo) e Giovani (ex-Santos, Barcelona e Seleção) ambos se manifestaram contra o desmembramento territorial do Pará, embora os dois tenham mostrado também simpatia pelo time Gavião Kyikatejê. Só que este time, assim como outros rivais regionais (Águia de Marabá, Parapuebas, Redenção e Independente de Tucuruí) dependem da criação do novo estado de Carajás para subirem à elite do futebol nacional e disputarem em 2014 (o ano do Mundial por aqui no país da bola) o torneio da primeira divisão Copa do Brasil. A equipe do Águia de Marabá já participou uma vez da Copa do Brasil, derrotando o Palmeiras no jogo inicial no interior do Pará. Agora, diante da volta à pauta em Brasília do desmembramento, ressurgiu a esperança também do time indígena da região de Carajás, o Gavião Kyikatejê ser nacionalmente conhecido. Segundo o seu técnico e líder, Zeca Gavião, além de mostrar a habilidade dos índios no esporte mais popular do país, o interesse é também divulgar através do futebol a cultura nativa e as lutas atuais do movimento indígena no Brasil e no mundo, aproveitando a grande exposição de mídia que haverá no ano que vem por causa do campeonato mundial entre Seleções a ser disputado em estádios brasileiros de várias regiões metropolitanas. A cultura Kyikatejê poderá então ser mais respeitada aqui em seu próprio país, acredita Zeca Gavião. Os índígenas querem o apoio da maioria da população através do futebol, a paixão nacional nº 1 dos brasileiros em geral. (Antônio de Pádua Padinha)



Time de base do Gavião Kyikatejê com o técnico da equipe Zeca Gavião

Os jogadores profissionais do Gavião Kyikatejê usam atividades nativas no seu treinamento


Com a mobilização e a mídia do futebol, a etnia Gavião Kyikatejê pretende...

...popularizar no país do futebol a cultura e as lutas do movimento indígena do Brasil
Com a criação de Carajás, time profissional indígena sonha em chegar à elite do futebol 07/12/2011 - 06h00 | do UOL Notícias Aumentar tamanho da letra Diminuir tamanho da letra Compartilhar Imprimir Enviar por e-mail Comente Guilherme Balza Do UOL Notícias, em Bom Jesus do Tocantins (PA) O time profissional indígena Gavião Kyikatejê, que disputa a Série B do Campeonato Paraense, tem um interesse peculiar na divisão do Pará: caso o atual Estado seja desmembrado, dando origem a Carajás e Tapajós, a equipe passará a integrar a elite do futebol carajaense, ao lado dos outros quatro times profissionais da região --Águia de Marabá, Parauapebas, Redenção e o Independente de Tucuruí, atual campeão estadual. As possibilidades podem ir além: caso a divisão se concretize, o Gavião Kyikatejê pode até disputar a Copa do Brasil, caso obtenha bom desempenho no que seria o Campeonato Carajaense. “O objetivo é esse. A gente sonha muito alto”, diz Zeca Gavião, 42, técnico da equipe. De acordo com o treinador, o Gavião, registrado na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em 2007, é considerado o primeiro time indígena profissional do mundo. A ideia da profissionalização foi consequência do sucesso da equipe em competições amadoras. “Comecei a ver que nosso pessoal tinha condições de avançar, desde que tivéssemos um preparo mais profissional, no condicionamento físico e no sistema tático”, relembra. O treinador também se aperfeiçoou, chegando, inclusive, a fazer cursos em São Paulo com técnicos como Luís Felipe Scolari e Tite. Histórico dos Gavião Kyikategê O povo Gavião Kyikatejê passou a sofrer influência intensa do homem branco a partir de meados do século 20. Na época, grande parte da população gavião foi dizimada. Na década de 60, com a construção da hidrelétrica de Tucuruí, os gaviões deixaram suas aldeias de origem e foram “empurrados” para uma terra indígena próxima à Marabá, chamada Mãe Maria. A partir de 1970, a proximidade com os brancos se intensificou a partir da abertura das frentes pioneiras –projetos do governo federal para ocupar as fronteiras amazônicas. Na década de 80, os indígenas foram afetados pela construção da Estrada de Ferro Carajás, da BR-222 e pelo linhão da Eletronorte, que passam bem no meio da terra indígena. Em razão dos projetos, os Kyikatejê se juntaram com outros dois povos indígenas, que habitavam a mesma reserva, num processo chamado por sertanistas de “união compulsória”. A convivência não foi pacífica, e em 2001 as etnias se desmembraram. Hoje, os gaviões se esforçam para manter as tradições, mas também tentam se beneficiar, à sua maneira, da proximidade com o mundo urbano. As moradias da aldeia, organizadas de modo circular, são todas de alvenaria. Há entre os gaviões universitários e bacharéis em Direito. A sede do Gavião é a terra indígena Mãe Maria, que fica no município de Bom Jesus do Tocantins, a cerca de 30 km de Marabá. Além dos profissionais, o clube possui categorias de base e uma equipe feminina. O elenco é composto majoritariamente por índios da etnia Gavião Kyikatejê, mas há atletas não-índios ou pertencentes a outros povos, como o Karajá, Xerém e Guarani, segundo Zeca. “O objetivo maior é fazer com que eles se desenvolvam, não só no futebol, mas também na educação.” O povo Gavião desenvolveu sua história ligada a atividades esportivas. São especialistas em corrida de tora, jogo de flecha e em lutas corporais. Um dos treinamentos realizados pelos atletas é feito por um guerreiro, que usa um arco e flechas sem pontas e tenta acertar os jogadores. A ideia é fazer com que os atletas ganhem reflexo e agilidade ao fugir das flechas. Outro treinamento é a corrida de toras, uma espécie de revezamento no qual os atletas carregam pedaços maciços de tronco no ombro enquanto correm ao redor do campo. Além da preparação física, os dois treinamentos cumprem a função de preservar tradições da etnia. Antes e depois das partidas, os atletas entoam cânticos tradicionais na língua do povo Gavião, pertencente ao tronco Jê. “A gente vive em uma opressão muito grande, com a tecnologia. Não podemos nos esquecer da nossa língua materna, das tradições”, afirma o treinador. Águia quer Série A do Brasileirão Apesar de nunca ter conquistado um torneio de primeira divisão, o Águia de Marabá é considerado uma potência na região de Carajás. A equipe surgiu de forma amadora em 1982 e se profissionalizou em 1999. Atualmente, o Águia disputa a Série A do Parazão e a Série C do Nacional, ao lado do Paysandu. Em 2008, a equipe quase conseguiu acesso à Série B do Brasileiro, após terminar a competição em quinto lugar --os quatro primeiros se classificavam. No ano seguinte, disputou a primeira Copa do Brasil, superando o América-MG na primeira-fase, com vitórias no estádio de Parauapebas e no Mineirão (2 a 1 e 1 a 0, respectivamente). Na fase seguinte, contra o Fluminense, a maior façanha do Águia: vitória sobre o Tricolor no estádio do Mangueirão, em Belém, por 2 a 1. No jogo de volta, os cariocas golearam o Águia por 3 a 0. Nesse ano, o Águia foi eliminado da Série C do Brasileiro na fase de classificação. Ampliar De Carajás, Gavião Kyikategê e Águia de Marabá sonham com elite do futebol20 fotos 3 / 20 Jogadores das equipes de base e profissional do Gavião Kyikategê, time indígena profissional da região de Carajás Leia mais Guilherme Balza/UOL O Águia manda os seus jogos para o estádio municipal Zinho de Oliveira, com capacidade para 5.000 torcedores, que fica no centro de Marabá. Até pouco tempo atrás, a capacidade do estádio era bem inferior, o que obrigava a equipe a mandar os jogos em outras cidades, inclusive em Belém, a 550 km de distância. Um estádio novo, para 12 mil pessoas, está sendo erguido em Marabá, bem ao lado da Transamazônica. Você é a favor da divisão do Pará? Seu voto foi computado com sucesso Não, sou contra qualquer divisão 58.12% Sim, sou a favor da criação dos dois Estados 34.07% Não sei/indiferente 3.14% Sou a favor da criação apenas de Tapajós 3.03% Sou a favor da criação apenas de Carajás 1.65% Total de votos: 53.532 “Enquanto nossos adversários tinham R$ 250 mil de renda, com estádios cheios, a gente tinha que meter a mão no bolso para pagar arbitragem, antidoping, gandula”, lamenta Sebastião Ferreira Neto, 47, presidente do Águia. Em média, o clube gasta R$ 240 mil com todas as despesas --R$ 140 mil só com folha de pagamento. Ferreirinha, como é conhecido o presidente do Águia, torce para a criação do Estado do Carajás para que os clubes da região gastem menos com viagens e recebam mais apoio do poder público. Ela aposta que a divisão facilitará o caminho do Águia até a Série A do Nacional. ONDE FICA Arte UOL “Já batemos na porta três, quatro anos para subir para a Série B. Quem sabe em 2012 a gente não consegue o acesso? Daí, é ficar três anos na Série B e buscar o acesso para a Série A”, planeja. O treinador João Maria Galvão, 44, paraibano que está há 30 anos no Pará, diz que não é qualquer jogador que consegue atuar no estadual. “No período chuvoso, os campos são muito pesados. O jogador que tem o estilo mais leve não se adapta no nosso futebol”, afirma. Segundo ele, o Águia dá preferência aos atletas da região, mas também atrai jogadores de outros Estados. “Se tiver um jogador de fora, e um daqui do mesmo nível, a gente prefere da região. Mas sempre acaba tendo carioca, paulista, mineiro no elenco.”

Leia mais em: http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2011/12/07/com-a-criacao-de-carajas-time-profissional-indigena-sonha-em-chegar-a-elite-do-futebol.jhtm#fotoNav=3


Fontes: www.espn.com.br
             www.uol.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Ao mesmo tempo em que é interessante a tática social dos índios da etnia Gavião em popularizar a causa indígena através do futebol, é um pouco preocupante, o uso deste esporte que causa tanta paixão, também no Pará, nessa questão política e polêmica do desmembramento.

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  2. De toda forma, o nosso blog da ecologia e da cidadania, é uma das mídias pioneiras a destacar o time indígena do Gavião Kyikatejê, assim como tem feito em todas as lutas e causas dos indígenas brasileiros.

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  3. A gente aqui na redação do blog gostaria de saber a sua opinião, de cidadão do Brasil, seja ou não indígena, sobre o time da etnia Gavião Kyikatejê disputar a elite do futebol nacional, tenha ou não o polêmico desmembramento territorial daquela região no norte do país em três estados, Pará, Carajás e Tapajos, algo que será tema de um outro post posteriormente aqui no Folha Verde News.

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  4. Mande a sua opinião, informação, comentário ou mensagem aqui pro nosso e-mail: navepad@netsite.com.br

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  5. "Tivemos contato com índios Xavante, Karajás, Kayapó e de outras etnias e todos eles praticam o futebol lado a lado com a sua cultura tradicional e nativa dos povos da floresta": comentário dentro deste assunto de hoje de Gaspar Waratzere, líder da aldeia de Namunkurá, Xavante e professor de História pela Universidade Federal do Mato Grosso.

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  6. "Vi aqui no Rio um evento que tinha uma seleção brasileira de jogadores indígenas, jogando com muita garra e arte o futebol, acho válido demais a tática dos índios Gavião": é o e-mail que nos mansa José Luís Pereira, do Rio de Janeiro.

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