sábado, 23 de novembro de 2013

NA TERRA DO SOL GOVERNO MOSTRA DESINTERESSE NA ENERGIA SOLAR



Sem incentivo não há esperança, analisa Heitor Scalambrini Costa

E o Brasil é o país com mais alto índice de radiação solar...

"Segundo o Worldwatch Institute, a capacidade instalada da energia solar no mundo cresceu 41% em 2012, atingindo a marca de 100.000 MW instalados. Dados extra oficiais apontam que no final de 2013 poderá chegar próximo a 150.000 MW. Em 2007, eram menos de 10.000 MW. A Europa é ainda a principal consumidora de energia solar, respondendo por 76% em 2012. O grande destaque é a Alemanha, que sozinha é responsável por 30% do uso mundial. Segundo o Solar Industry Association (BSW-Solar), cerca de 8,5 milhões de pessoas já estão usando a energia solar para gerar eletricidade ou calor; ou seja, de cada 10 alemães, um utiliza energia solar. A energia solar fotovoltaica já atende 5% da demanda de eletricidade naquele país. As indústrias do setor têm como meta aumentar esta oferta para 10% em 2020 e cerca de 20% até 2030, mesmo com as taxas adicionais pagas pelo consumidor para subsidiar as fontes energéticas renováveis. Devido à atual situação econômica no continente europeu, o relatório da Worldwatch destaca que a posição européia com relação à produção elétrica solar está ameaçada, pois a Itália e a Espanha recentemente alteraram suas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia, o que sem dúvida vai prejudicar a expansão do setor solar na região. Os Estados Unidos e a China são os atuais mercados mais promissores à tecnologia fotovoltaica. A China divulgou recentemente a decisão do seu Conselho de Estado em aumentar em 10.000 MW a cada ano, chegando em 2015 com uma potência instalada de 35.000 MW. Apenas em 2012, foram instalados 8.000 MW. Já o EUA esperam até o final de 2013 suplantar a marca dos 13.000 MW instalados. Enquanto isso no Brasil, pais que recebe os maiores índices de radiação solar do planeta, em particular sua região Nordeste, segundo o Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2012 a capacidade fotovoltaica instalada no país era de insignificantes 8 MW.  Uma das causas desta pífia utilização da fonte solar para produzir eletricidade é a completa falta de interesse dos formuladores e gestores da política energética brasileira. Esta afirmativa é corroborada nas políticas públicas planejadas para o país. Segundo a Empresa de Planejamento Energético (EPE), o Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê a geração de irrisórios 1.400 MW de geração distribuída via fonte solar em 2022. O preço dessa energia é o maior empecilho apontado pelo MME para sua ampla difusão. Segundo estimativas do próprio MME, o custo da energia fotovoltaica estaria estimado em R$ 280,00 a R$ 300,00/MWh, e poderia cair para R$ 165,00/MWh dentro de cinco anos. O que é um disparate total sem lastro na realidade atual, que acaba inibindo sua utilização. Por outro lado, não existe uma política consistente de apoio e/ou incentivo dessa fonte energética. Existem remedos, com ações unicamente midiáticas. Quem poderia melhor definir os preços de mercado seriam os leilões. Todavia, a EPE tem postergado e protelado tais leilões, que por sua vez já foram marcados e remarcados inúmeras vezes nos últimos anos. Finalmente, foi realizado em 18 de novembro passado o 17º Leilão de Energia Nova, incluindo pela primeira vez a energia solar fotovoltaica, além das ofertas energéticas, como as de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), de usinas térmicas, de usinas a biomassa e de energia eólica. Apenas os projetos eólicos foram negociados. A ducha de água fria, que invibializou investidores da energia de solar participarem do leilão, foi o formato do leilão, a decisão da EPE que estabeleceu um excessivamente baixo preço à energia negociada, além da falta dos incentivos e ações claras do governo na direção de impulsionar essa fonte energética.  Ficou estabelecido por essa empresa, que faz de tudo para que o solar não se desenvolva em nosso país, o preço-teto em R$ 126,00/MWh. Esse valor foi o mesmo estabelecido para projetos de fontes eólicas, que, diga-se de passagem, é a segunda fonte elétrica mais barata atualmente, depois da energia hidroelétrica. Com um mercado em plena ascensão, a energia eólica foi a grande vencedora do leilão do dia 18 de novembro. Bem diferente do caso da energia solar, cujos projetos de geração foram ofertados pela primeira vez nessa modalidade de contratação. Com o preço-teto anunciado, não poderia ter outra consequência senão o desinteresse total dos empreendedores. Apesar de ter 3.000 MW em projetos fotovoltaicos inscritos, nenhum deles foi arrematado.  Fica, assim, mais clara a sinalização da EPE, de que a atual administração da política energética brasileira não se interessa pela energia solar. Até quando?"
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco

Fonte: http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Por falta de uma gestão energética sustentável o Brasil está desperdiçando um potencial extraordinário de fonte limpa de energia que poderia estar colocando o pais na vanguarda do planeta, comentou por aqui no blog o repórter e ecologista Padinha, nosso editor.

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  2. Abrimos nosso webespaço de ecologia e de cidadania para o texto do cientista Heitor Scalambrini Costa, da Universidade de Pernambuco, um os maiores especialistas em energia no Brasil: vale conferir as informações superatualizadas para os que lutam para mudar e avançar a realidade brasileira.

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  3. O deputado Geraldo Resende propôs o PL 5823 que, entre outros incentivos, estabelece uma meta nacional de adicional 1000MW por ano de energia solar na matriz brasileira. Este projeto está numa fila de outros 39 que buscam de alguma maneira, incentivar a energia solar no Brasil, mas, que desde 2001, ainda aguardam aprovação e custarão a sair do papel...

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  4. No levantamento que a revista Sustentabilidade fez, se confirma que desde 2001 há projetos de energia solar, que não andam no Congresso Nacional, isso, numa época em que a energia eólica, a solar e todas as fontes renováveis avançaram como nunca antes no mundo.

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  5. Mande vc tb a sua informação, o seu comentário, a sua opinião sobre esta pauta, envie seu e-mail para navepad@netsite.com.br

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  6. "Neste texto, eis ai mais um exemplo que mostra o desinteresse do governo brasileiro com relação à energia solar", é a mensagem do e-mail do próprio Heitor Scalambrini Costa, se posicionando mais uma vez a bem da criação do futuro no país. Mande vc tb a sua opinião.


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