sábado, 9 de novembro de 2013

UM QUESTIONAMENTO SOBRE A REALIDADE DA POPULAÇÃO DO PORTO DE SUAPE

Conflitos socioambientais em Suape estão no texto de Heitor Scalambrini Costa
 
Abrimos nosso blog de ecologia e de cidadania para esta denúncia, superembasada em fatos do Complexo Industrial e Portuário de Suape, que já tem programados 22 bilhões de dólares em investimentos, mas também, sofrimento do povo e problemas ou crimes ambientais, violência sexual e de todos os tipos, droga e tudo mais: confira o texto a nós enviado pelo Professor Scalambrini, da Universidade Federal de Pernambuco. (Padinha, Folha Verde News). 
 
A realidade do Porto de Suape tem tudo a ver com os atuais problemas de todo o Brasil
 
"A tolerância dos Poderes constituídos em Pernambuco em relação às injustiças sociais e ambientais praticadas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS) tem agravado as tensões naquele território, tornando-o uma verdadeira “panela de pressão” social e ambiental. Onde hoje se localiza o CIPS – com mais de 130 fábricas espalhadas em um território de 13,5 mil ha – havia 27 engenhos com mais de 15 mil famílias (na maior parte, de agricultores e pescadores). E o que se constata é que aquela população (bem mais reduzida atualmente), invisível aos olhos da sociedade e fraca enquanto grupo social de expressão sofreu, e continua sofrendo a maior e a mais truculenta opressão já vista para abandonar os seus sítios, as suas residências, abandonar, enfim, o seu modo de vida – um direito assegurado pela Lei e pelos costumes. Para tanto, a empresa Suape militarizou a sua Diretoria de Gestão Fundiária e Patrimônio, ocupada atualmente por ex-policiais civis e militares. Nada contra estes cidadãos que já trabalharam em órgãos de segurança do Estado. Todavia a indignação é contra o “modus operandi” que empregam na relação com os moradores nativos. Na delegacia de Polícia do Cabo de Santo Agostinho repousam inúmeros Boletins de Ocorrência contra o que se chama na região de “milícia de Suape”. As vítimas, além das agressões físicas e psicológicas, têm seus bens destruídos sem motivo e veem atacadas a sua paz e segurança, direitos sagrados da cidadania. Mesmo os não vitimados diretamente sofrem a interferência. Todos são prejudicados, gerando assim um clima de revolta, de tensão, pânico e descrédito em relação às autoridades estabelecidas. O Fórum Suape Espaço Socioambiental (www.forumsuape.ning.com), que congrega entidades da sociedade civil e pessoas físicas, tem como objetivo fortalecer a posição da sociedade civil na defesa da justiça e dos direitos das comunidades tradicionais – a partir de processos consensuados e pacíficos. Sua ação está direcionada à luta por mais justiça e em defesa do meio ambiente, incitando as pessoas de boa fé a se mobilizarem, além da denúncia das ações violentas e das agressões ambientais; como a ocorrida no Engenho Mercês, que foi, inclusive, objeto de reportagem em Programa Policial da TV Clube (11/10/2013). Recentemente, o Fórum protocolou representação contra a empresa Suape junto ao Promotor de Cidadania e ao de Meio Ambiente, e a denunciou às Comissões de Direitos Humanos e de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – secção Pernambuco, para que intercedam e a justiça seja cumprida naquele território fora da lei. O que está em jogo em Pernambuco é o Estado de Direito, é o cumprimento da lei. E isto requer uma ação efetiva desses órgãos contra as arbitrariedades e injustiças socioambientais que estão sendo praticadas pela Empresa Suape, o que, sem dúvida, acaba respingando na imagem de todas as empresas ali instaladas. Nossa Lei tem disponibilidade razoável de meios para conter o abuso, apesar de isso ser ainda insuficiente. Há necessidade de, também, se recompor os direitos individuais e coletivos atingidos, e assim dar eficácia às ações em defesa dos direitos, em especial, de parcelas menos favorecidas da população. É preciso ir às fontes do mal, que neste caso são o desrespeito à pessoa humana e a seus direitos básicos, e o caráter predatório da ocupação da terra, com a destruição de seus ecossistemas. Exigimos que o Poder Público não se omita – intervenha e aplique a lei. Vale mencionar o que foi dito pelo humanista e defensor dos direitos civis Martin Luther King: “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”. (Heitor Scalambrini Costa, professor da Universidade Federal de Pernambuco, coordenador do Fórum Suape, Espaço Socioambiental).
 

O interesse da população e os problemas da vida de Suape são os temas de hoje, aqui

 
             http://folhaverdenews.blogspot.com
 
 

5 comentários:

  1. "O que acontece as populações nativas no entorno do Complexo Industrial Portuário de Suape/Pernambuco precisa ser denunciado. Esperamos assim que as autoridades constituídas façam prevalecer a lei naquele território", é a mensagem que recebemos do Heitor Scalambrini Costa, que nos enviou o texto sobre a realidade de Suape.

    ResponderExcluir
  2. O complexo industrial e portuário de Suape recebeu investimentos de cerca de 2 bilhões de dólares em 28 anos e agora nos últimos anos já estão programados e confirmados 22 bilhões de novos investimentos, tem que se investir também na questão socioambiental e na solução dos problemas do povo do Porto de Suape.

    ResponderExcluir
  3. O crescimento de Suape impactou a vida de toda a população e da natureza em torno da Praia de Gaibu, em Pernambuco, município de Cabo de Santo Agostinho, aumento da violência, drogas, exploração sexual, doenças, queda da qualidade de vida no local, um retrato do Brasil.

    ResponderExcluir
  4. Mande vc tb a sua informação, mensagem, opinião ou comentário para o nosso blog: navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  5. "Me informei aqui no blog sobre a injustiça social, os problemas ambientais, as milícias e todas as mazelas de Suape que acho que poucos no país têm conhecimento": comentário de Sílvio Pontes, de Florianópolis, SC: mande seu e-mail tb aqui pro blog: navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir

Translation

translation