quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ADIADA A DESOCUPAÇÃO DOS GUARANIS DAS TERRAS DE IVY KATU NO MTS

Guaranis-Kayowás continuam ritual de morte e só saem mortos de suas terras: eles não recuam mesmo depois da suspensão da reintegração de posse que está apenas adiando o problema 

Ruy Sposati está informando via o site Brasil de Fato que um dia depois da suspensão de uma das quatro reintegrações de posse contrárias à permanência de cinco mil índios Guarani-Kayowás em Ñandeva no tekoha Yvy Katu, mesmo assim, os indígenas anunciaram que não cumprirão decisões judiciais e que estão "prontos para morrer" e exigem que o governo federal finalize já o processo de demarcação de suas terras nativas, iniciado em 2005 e ainda não concluído até agora, quando a Polícia Federal já estava na iminência de fazer a desocupação do lugar, pretendido pelo agronegócio e mineradores. "Nós estamos há mais de 78 dias e 78 noites acampados em nossa própria terra e vamos ficar por mais dois mil anos e depois para sempre. Nós não vamos sair", escreveram os indígenas em carta aberta à Presidência da República e ao Ministério da Justiça, que foi entregue também ao Ministério Público Federal (MPF). "Não vamos sair daqui vivos"...O ultimato Guarani-Kaiowá já foi dado, agora a decisão cabe à autoridades governamentais.

Foto de Ruy Sposati revela a situação de ultimato dos Guaranis-Kayowás

Uma situação-limite no extremo sul do Mato Grosso do Sul

Priscila Baima já havia alertado para esta situação dramática no site Adital e agora o Envolverde posta na íntegra a sua matéria que em síntese diz que para se defenderem, índios estão dispostos a morrer.  Aqui no blog da ecologia e da cidadania, dando sequência a uma série de posts sobre a questão indígena no país, o Folha Verde News hoje noticia que em cumprimento a quatro decisões judiciais de reintegração de posse contra índios do Mato Grosso do Sul, expedidas ainda dia 12 de dezembro, obrigando mais de 5 mil indígenas a desocuparem fazendas do sul do estado: agentes da Polícia Federal afirmaram, em reunião com entidades defensoras da cidadania e dos direitos humanos, que realizarão o despejo da comunidade ainda nesta semana ou logo após o Natal. "O despejo destes 5 mil Guaranis-Kayowás era para ter sido executado dia 18, ontem, mas talvez tenha sido adiado por conta das pressões de entidades nacionais ou internacionais e da reação contrária de pessoas de vários setores da população nas redes sociais, em especial, no Facebook", comenta por aqui o editor do nosso blog, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha.



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5 mil indios estão dispostos a morrer em defesa de suas terras e de sua cultura nativa
A informação de hoje é que a população da terra indígena de Ivy Katu já iniciaram a preparação de um ritual de morte diante do iminente despejo, a bem somente de agronegócios, "que tem muitas terras para desenvolver seu negócio em todo o país e não precisariam usurpar as dos índios", argumenta ainda Padinha.
 “O que eles reivindicam não é a propriedade, é o pertencimento. A terra não é posse, não se troca por dinheiro, não serve para especular. Serve para você saber quem você é.” A partir desse trecho, retirado da publicação O fio que dá sentido à vida, da psicanalista Maria Rita Kehl, o apelo dos Guaranis-Kayowás pode ser um pouco melhor entendido pelos brasileiros em geral, com poucas informações sobre este problema que é econômico, socioambiental e cultural. O que é certo (ou errado) é que quatro decisões judiciais de reintegração de posse contra os indígenas, expedidas na quinta-feira, 12, obrigam mais de 5 mil indígenas a desocuparem fazendas no extremo sul matogrossense e a Polícia Federal já está pronta para fazer o despejo judicial da comunidade desde do dia 18 de dezembro agora. Mesmo com toda pressão, os Guaranis não hesitaram em fazer uma resistência. Tradicionais moradores das terras da Guarani Ñandeva do Tekoha Yvy Katu, fronteira do Mato Grosso do Sul com Paraguai, os índios reafirmaram, em carta à sociedade brasileira, que não deixarão a terra reconquistada, resistirão até a morte para defendê-la. Diante da afirmativa de que irão lutar e resistir ao envio de forças policiais, os Guaranis-Kayowás ressaltaram que já começaram um ritual religioso raro e da sua tradição mais antiga que diz respeito à despedida da vida da terra. Em outras palavras, estão se preparando para morrer. Na carta, eles pedem que sejam enterrados em sua terra e que o Estado se responsabilize em cuidar das crianças e idosos que sobreviverem. “Solicitamos ainda à presidenta Dilma, à Justiça Federal que decretou a nossa expulsão e a morte coletiva para assumir a responsabilidade de amparar e ajudar as crianças, mulheres e idosos sobreviventes aqui no Yvy Katu que certamente vão ficar sem pai e sem mãe após a execução do despejo pela polícia federal”, expõe o texto. De acordo com o conselho católico que procura defender os índios, o CIMI, seu secretário executivo Cleber Buzatto, duas questões precisam ser urgentemente feitas. “A primeira é dar seguimento ao procedimento de demarcação da referida terra indígena, procedendo a homologação e as devidas indenizações aos não-indígenas proprietários de títulos de boa fé. A segunda é acionar os advogados da União para apresentação de recursos a fim de caçar as decisões judiciais favoráveis às reintegrações de posse contra os Guaranis”,resumindo assim uma contraofensiva à ordem de despejo. Em relação ao leilão dos ruralistas, evento que vendeu gado, aves e soja para financiar seguranças armados contra indígenas, arrecadando R$ 1 milhão, Cleber declarou que esse é um outro instrumento utilizado contra os povos nativos: “O leilão é mais um instrumento intimidatório utilizado pelos fazendeiros invasores de terras indígenas no Mato Grosso do Sul. De acordo com o próprios organizadores, o leilão teve a pretensão de arrecadar recursos financeiros para financiar ações milicianas contras os indígenas naquele estado”, denunciou o CIMI, alertando para ouma situação-limite de violência na região: "Os índios estão sendo despejados em razão também da valorização das terras, que possuem altas camadas de minério", comentou por sua vez um ecologista de Dourados, Oziel Passos. "O agronegócio tem o poder de aprovar leis, bem como de passar por cima delas. Então, faz-se mais que necessário exigir que o Governo Federal demarque as terras dos índios Guarani-Kaiowás em caráter de urgência, antes que aconteçam genocídios e suicídios, fazendo com que a comunidade indígena brasileira perca de vez sua identidade", afirmou Priscila Baima na postagem inicial desta matéria no site adital

Fontes: www.site.adital.com.br
             www.envolverde.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

7 comentários:

  1. O escândalo internacional e humanitário desta morte coletiva de índios no extremo sul do Mato Grosso poderá trazer grandes problemas inclusive de direito internacional e de imagem para o Brasil, a ONU já está informada sobre esta situação.

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  2. O que choca é que não são apenas os ruralistas e o grande agronegócio que querem se apossar das terras indígenas de Ivy Katu, os índios estão sendo despejados em razão também da valorização das terras, que possuem altas camadas de minério, segundo informação de especialistas na região do Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai.

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  3. Um trecho mais dramático da carta dos Guaranis-Kayowás à Presidenta Dilma Rousseff é o que pede que o estado brasileiro cuide das crianças e dos idosos após a morte coletiva e ritual deste povo indígena.

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  4. Mande vc tb a sua opinião, informação, comentário ou mensagem aqui prá redação do nosso blog de ecologia e de cidadania, que tem feito uma série de postagens sobre o problema dos índios no país, participe da busca de uma solução sustentável e humanitária: navepad@netsite.com.br

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  5. "Importante esta postagem sobre os Guaranis e também beleza o rap dos garotos desta etnia, não podemos deixar que sejam destruídos": é a mensagem que nos envia José Pires, que estuda Biologia na Unicamp.

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  6. Ruy Sposati (site Brasil de Fato) informa: ADIADA A DESOCUPAÇÃO DOS GUARANIS DAS TERRAS DE IVY KATU: Os Guaranis-Kayowás continuam ritual de morte e só saem mortos de suas terras: eles não recuam mesmo depois da suspensão da reintegração de posse que está apenas adiando o problema. Ultimato de vida ou morte dos índios no extremo sul do Mato Grosso do Sul. Com a palavra, o Governo do Brasil.

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  7. Nós aqui do blog da ecologia e da cidadania sabemos que este adiamento da reitegrtação de posse das terras indígenas Ivy Katu é algo provisório ainda, porém, de toda forma é um conquista de nossa luta, da luta de todos nós que estamos alertando sobre o direito indígena à vida, à sua cultura e às terras originais. Mande vc tb a sua opinião ou informação aqui pro nosso blog: navepad@netsite.com.br

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