quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

CIDADE MAIS RICA É A MAIS VIOLENTA DO INTERIOR DO PARÁ

Parauapebas lidera o ranking de cidades mais violentas do Pará, apesar da riqueza da Vale

Confira um resumo desta situação que está postado no Portal de Parauapebas: "Ele voltou e mais sanguinário que nunca, o Mapa da Violência 2013, elaborado pelo renomado sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz traz números assustadores sobre os assassinatos no país em 2011, ano para o qual são disponibilizadas as informações mais recentes sobre mortes violentas do Ministério da Saúde. Na versão “Homicídios e Juventude no Brasil”, o documento principal, de 94 páginas, revela também dados que são preocupantes sobre a violência no Pará. Como era de se esperar, pouca coisa mudou nas principais cidades do estado, que continuam a ser vítimas da violência bestial que se espalha a passos largos e a taxas cada vez mais descentes: Marabá, sempre acostumado a figurar entre os municípios mais violentos do país caiu da terceira colocação nacional para a 11ª.  Ela que é a maior e mais movimentada cidade do sudeste paraense também perdeu o cetro de mais violenta do Pará para Marituba e Ananindeua, ambas localizadas na Região Metropolitana de Belém. Ananindeua, aliás, é o segundo município mais populoso do Estado e ocupa, agora, a posição nacional antes pertencida a Marabá: a inglória terceira colocação. Ainda assim, poucos municípios paraenses e brasileiros tiveram a ganância de Parauapebas na escalada dos homicídios. O segundo município mais rico do Estado dá uma senhora aula de que dinheiro não é tudo: acaba de subir da 21ª colocação no ranking paraense da violência para a décima posição. Em um ano do Mapa, Peba ganhou um enxerto de 19,75% na já avassaladora criminalidade – proporcionalmente, o maior crescimento do Pará. Os assassinatos de Parauapebas, somados, conferem uma média de 533 litros de sangue derramados, o suficiente para pintar de vermelho a frente da prefeitura municipal, a mesma que finalizou no ano passado obteve mais de R$ 1 bilhão em  royalties de mineração da Vale e, mesmo assim, foi incompetente para resolver problemas que eram micro e se tornaram megacrônicos, como a violência urbana., que está aqui em Parauapebas na maior expansão também no item de homicídios entre jovens, agora o rico município se eleva à categoria do décimo pior para cerca de 40 mil rapazes e moças com idade entre 15 e 24 anos. Na “Capital do Minério”, a probabilidade de um jovem ser eliminado a tiro ou facada no meio da rua ou em casa é 25% superior ao mesmo evento ocorrer caso esse jovem estivesse no Iraque, um dos países mais violentos do mundo e o de mais alta taxa de mortes por conflito armado. O fato é que em Parauapebas, a juventude está condenada a perder um membro em cada grupo de 1.006 indivíduos, teoricamente. Todo cuidado é muito pouco ao andar nas duas maiores cidades do sudeste paraense"...
E aqui no blog da ecologia e da cidadania - Folha Verde News -  resumimos também o post de hoje na edição do site nacional Brasil de Fato, com informações da mesma gravidade sobre a realidade de Peba.
Márcio Zonta informa em BrdeFato que A cidade da Vale, como também é conhecida Parauapebas, a maior província mineral do mundo, vive um caos sociocultural. O Mapa da Violência de 2013 mostra que o município, no sudeste do Pará, saltou da 21ª colocação entre as cidades mais violentas do estado para o 10o lugar. Segundo o estudo, esta cidade sofreu a maior expansão de homicídios entre jovens no estado paraense. Essa dura realidade se passa nas entranhas da 33ª cidade mais rica do Brasil. Isso porque, entre 1997 e 2012, a prefeitura embolsou mais de R$ 1 bilhão de royalties advindos da mineração. O seu Produto Interno Bruto (PIB), de US$ 2, 1 bilhões de dólares é o segundo maior do Pará e equivale à soma das riquezas produzidas pelos estados do Acre, Roraima e Amapá. O PIB/per capita de Parauapebas – parte da riqueza que cabe a cada habitante do município – alcança o topo no ranking nacional, deixando para trás nada menos que São Paulo e Brasília. Ademais, é o município que apresenta o maior superávit na balança comercial brasileira. O descompasso entre riqueza e pobreza acompanha a velocidada do inchaço populacional da cidade, que, aos 25 anos, já detém meio milhão de habitantes – grande parte amontoados nas inúmeras favelas que não param de surgir. Em um contexto como este, o alcoolismo e a prostituição aparecem como elemento cultural predominante na cidade. Você pode entrar em www.brasildefato.com.br e conferir entrevista com o sociólogo Romero Venâncio, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em que ele fala sobre suas impressões ao andar por Parauapebas, comentando também nessa sua visita ao lugar sobre as alternativas que possam mudar a realidade social da cidade que ele chama de província mineral.


A chance de um jovem ser morto por disparos de arma de fogo ou por facada na rua ou em casa...


...é 25% maior em Parauapebas do que no Iraque, país com uma das mais altas taxas de mortes violentas

A segunda das duas fotos, intencionalmente, mostra uma das maiores e mais violentas favelas que se formaram na periferia da cidade mais rica do interior do Pará, mais rica e com menor estrutura também no sentido socioambiental para a vida da sua população muito maior do que a qualidade de vida do que a do povo de Peba", comenta aqui por sua vez o editor do Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. Ele se preocupou com estas informações sobre Parauapebas e visitou nestes dias a pequena cidade de Guará, por aqui no nordeste paulista, interior do estado de São Paulo, bem na divisa com Minas Gerais, Guará que também cresce em torno de uma unidade da Vale, no caso, uma indústria de adubos e de fertilizantes. Mas ainda, pelo menos por enquanto, não há uma repetição do fenômeno que tanto a mídia regional como a nacional já constatam no interior do Pará, na Capital do Minério.

Fontes: www.brasildefato.com.br
             www.pebinhadeaçucar.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. O mestre e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe Romero Venâncio que esteve em Parauapebas cita a Vale como a principal responsável por esse retrato violento. “O modelo de atuação da mineradora na cidade é antropofágico, de tal maneira que se torna predatório à condição humana"...

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  2. Para Romero Venâncio, Parauapebas tem um dos PIBs mais altos do Brasil, mas seu desenvolvimento social é radicalmente desproporcional ao seu crescimento.Ou seja, paradoxalmente, ela tem uma grande arrecadação por conta dos royalties minerais e a prefeitura tem uma margem de manobra econômica como poucas no estado do Pará. Porém, a inoperância dessas instâncias municipais acontece porque elas acabam sendo uma extensão das políticas tecnológicas, econômicas e estratégicas da Vale, retratando uma realidade que se figura dramática no interior do "desenvolvimentismo" do Brasil.

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  3. "Temos que entender como uma cidade com grau de caos social como Parauapebas vive cotidianamente sua relação com a Vale. Significa dizer que para manter uma modernização tão violenta e brutal, sobre uma camada inteira da população, proporcionada pela mineradora, é preciso forjar além de órgãos de repressão, a existência de uma cultura como forma de contenção social. Quando nós usamos a palavra cultura eu não penso somente na música, teatro e dança, mas uma outra forma de viver. Por exemplo, o alcoolismo intenso numa cidade como essa funciona como elemento cultural. Além disso, o modelo de atuação da mineradora na cidade é antropofágico, de tal maneira que se torna predatório à condição humana. A Vale consegue culturalmente atualizar aquilo que Kal Marx chamava, nos manuscritos filosóficos, de último estágio da alienação, quando o sujeito está alienado em si mesmo, a brutalidade passa a ser sua forma de agir. Dessa situação dramática da modernização nos moldes que pensava o filósofo Walter Benjamim, Parauapebas hoje está dentro de uma modernização reacionária. Porque do ponto de vista tecnológico, a Vale traz modernização, mas, por outro lado, o impacto ambiental e humano faz com essa realidade seja a mais reacionária dco mundo". (É assim que Romero Venâncio da UFS analisa a realidade explosiva - em termos de violência - de Parauapebas).

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  4. Mande a sua mensagem, opiniao, comentário ou informação sobre a cidade de Parauapebas ou sobre a violência no país para a redação do nosso blog da ecologia e da cidadania: navepad@netsite.com.br

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  5. O que ressalta neste retrato do país é a falta de um programa de desenvolvimento sustentável, seja em Parauapebas ou em todas as regiões e cidades brasileiras: avanço econômico mas com maior proteção ecológica, equilíbrio socioambiental, melhor qualidade de vida prá população, cultura da vida e não aumento da violência. Esta é a opinião de nosso editor aqui do blog, mande a sua por e-mail: navepad@netsite.com.br

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