terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ENTIDADES INTERNACIONAIS APÓIAM ÍNDIOS BRASILEIROS CONTRA A COCA-COLA

A Coca-Cola  está prejudicando a luta territorial dos índios Guarani no Mato Grosso do Sul

Os Guaranis do Brasil vêm solicitando à Coca-Cola que ela deixe de comprar açúcar da empresa gigante do agronegócio dos Estados Unidos Bunge, que está envolvida em um escândalo de apropriação de terras indígenas. Um informe recente, da Oxfam, revela que a Coca-Cola está adquirindo açúcar da empresa que, por sua vez, compra cana-de-açúcar de terras dos Guaranis invadidas para produzir biocombustíveis, que segundo a entidade internacional Survival estão manchados com sangue indígena. Um porta-voz dos índios declarou a esta entidade: "A Coca-Cola deve deixar de comprar açúcar da Bunge. Enquanto essas empresas se beneficiam, nós nos vemos forçados a conviver com a fome, miséria e assassinatos”. Os 370 Guaranis da comunidade de Jata Yvary, no estado brasileiro do Mato Grosso do Sul vem perdendo a maior parte de suas terras ancestrais para as plantações invadidas por produtores que vendem cana de açúcar para a Bunge, ficando condenados a viver em uma diminuta parcela de terra completamente ilhada por essas plantações. Os índios padecem de problemas graves de saúde como resultado do uso dos pesticidas nestas plantações. Eles lamentam a perda de sua florestas, de onde obtinham alimentos, plantas medicinais e refúgio. Arlindo, líder de Jata Yvary, explica ele mesmo esta situação de sofrimento: "Os proprietários de terras estão destruindo quase tudo, nossa fruta nativa, nossos recursos. Espalham pesticidas de aviões. As crianças ficam com dor de cabeça e vomitam”...Os Guaranis são o outro lado da crescente demanda mundial de biocombustíveis. A maior parte da terra das tribos foram roubadas e ocupadas por proprietários de terra ruralistas, que utilizam como pasto para o gado e para a produção de soja e cana de açúcar. Os líderes guaranis estão sendo perseguidos e assassinados sistematicamente enquanto lutam por seus direitos territoriais. A situação desesperadora que atravessa a tribo levou muitos de seus integrantes a se suicidarem: há registros de uma taxa de suicídio 34 vezes superior à média nacional do Brasil. Ambrósio Vilhava, Guarani conhecido internacionalmente por sua interpretação no premiado filme (destaque no  Festival de Veneza) Birdwatchers que debate a realidade indígena, foi último líder assassinado no começo deste mês.
A Coca-Cola se comprometeu recentemente com a política de tolerância zero da Oxfam, diante da acumulação de terras e a "reconhecer e preservar os direitos das comunidades e povos tradicionais para manter o acessoa à terra e aos recursos naturais”. A Survival pediu à Bunge para que deixe de comprar cana de açúcar procedente das terras guaranis, se comunicou com a Coca-Cola e pediu, repetidamente, às autoridades brasileiras para que demarquem as terras indígenas dos Guaranis com a máxima urgência, antes da Copa do Mundo de 2014.  Stephen Corry, diretor da Survival Internacional, declarou hoje que: "As empresas multinacionais são mestres em desviar as críticas com promessas de mudanças, mas sua política não serve de nada quando esta não é acompanhada de ações concretas. Para levar a sério o compromisso da Coca-Cola, a empresa deve deixar de comprar açúcar proveniente da Bunge. Enquanto o acordo com essa empresa perdurar, a promessa da Coca-Cola contra a acumulação de terras não tem sentido”.

Oxfam e Survival estão apoiando a luta dos Guaranis do Mato Grosso do Sul

A terra indígena de Jata Yvary está sendo invadida e explorada pelo grande agronegócio

O assassinato na região do índio Guarani e ator Vilhava repercutiu na Europa


Fontes: www.site.adital.com.br
             www.brasildefato.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. O assassinato de Ambrósio Vilhava, indio Guarani da terra indígena de Jata Yvari, ocupada por grandes agropecuárias, que atuou com destaque como ator no filme "Birdwatchers", ajudou a mobilizar entidades como a Survival International em vários países europeus para a luta dos povos nativos do Mato Grosso do Sul.

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  2. Nós aqui do blog Folha Verde News acessamos também o site www.survivalinternational.org para colher mais informações sobre esta questão, que é urgente no movimento indígena brasileiro.

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  3. No site da Survival, recuperamos a notícia de 2 de dezembro: um líder dos índios Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul, ator de filme sobre a causa indígena, foi morto esfaqueado em sua casa, no território chamado Guyraroká, em Caarapó (a 277 km de Campo Grande). Ambrósio Vilhalva, 53, ganhou projeção internacional em 2008, quando foi protagonista do filme "Birdwatchers" (ou "Terra Vermelha"), que narrou a retomada de terras dos ancestrais dos guaranis. O filme, uma produção ítalo-brasileira, foi destaque na mostra de Veneza daquele ano. A sua morte repercutiu intensamente entre internautas de vários países, que acompanham e apóiam a luta dos povos indígenas.

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  4. A morte do líder guarani provocou manifestações de lideranças ligadas ao movimento pela retomada de terras indígenas, como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ação da Igreja Católica no Brasil para temas indígenas. Na opinião do cientista político Egon Heck, assessor do Cimi, a despeito de eventuais motivações pessoais para o crime, o homicídio de Vilhalva não é um caso isolado. Relaciona-se, afirma Heck, ao ambiente tenso provocado pelo "confinamento dos índios" a pequenos espaços na suas terras invadidas. Ao "aperto" de grupos indígenas em poucos hectares somam-se problemas como alcoolismo, subnutrição e altas taxas de suicídio, diz Heck. "O desfecho dessa morte é uma consequência de elementos regionais. Fazemos um apelo para que os governos resolvam as conjunturas de fundo desse problema", disse o assessor. Ele refere-se à necessidade de expulsar os cultivos de cana e soja e a criação de gado das áreas indígenas.

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  5. Mande a sua informação, comentário ou opinião sobre esta pauta para a redação do nosso blog de ecologia e de cidadania: navepad@netsite.com.br

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