sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ATENDENDO CIENTISTAS PV QUER MORATÓRIA PARA EXPLORAÇÃO DO GÁS DE XISTO

Partido Verde vai pedir moratória na exploração de gás de xisto no país pelos danos que ela causa ao meio ambiente

O PV vai propor uma moratória de cinco anos de prospecção do recurso. O gás de xisto está armazenado entre rochas no subsolo, geralmente a mais de mil metros de profundidade. Para extraí-lo, as rochas são quebradas ou fraturadas, com a injeção de grandes quantidades de água, areia e produtos químicos. É o que informa Gabriela Korossy, de Brasília. Ontem postamos aqui no Folha Verde News a posição dos pesquisadores das principais entidades de cientistas no país, a ABC e a SBPC que alertavam sobre estes danos ambientais. E agora vem a boa notícia, o PV quer impedir a exploração de gás não convencional ou de xisto no Brasil,  Verdes vão propor a moratória de cinco anos de prospecção do recurso, a exemplo de outras nações, como a França. “A exploração do xisto é relativamente nova. Tem ocorrido com bastante intensidade nos Estados Unidos. É preciso que se façam estudos cautelosamente”, afirmou o  deputado federal Zequinha. “E o Brasil, ao contrário dos Estados Unidos, tem alternativas. Temos produção de energia elétrica limpa, quase toda ela de hidrelétrica, temos potencial da energia solar e eólica, que está sendo subaproveitado, o país não precisa do gás de xisto, a quem interessa a exploração deste recurso?"... Em leilão realizado, no último dia 28, pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foram arrematados 72 de 240 blocos ofertados com possibilidade de exploração de gás de xisto. A Petrobras participará da exploração em 70% das áreas, localizadas, principalmente, em Sergipe, Alagoas, Bahia e Paraná. Em um primeiro momento, as empresas estão autorizadas apenas a fazer pesquisas para avaliar a segurança econômica, ambiental e social da exploração. É o que informa por sua vez Lúcio Bernardo Júnior, da Agência Câmara Notícia. O problema, segundo o professor Luiz Fernando Scheibe, da Universidade Federal de Santa Catarina, é que o edital do leilão também prevê que as empresas poderão ter direito à exploração, finalizada a fase de pesquisa. Estudioso dos impactos da exploração de gás de xisto em águas subterrâneas, ele alerta que, se, no futuro, o governo proibir a exploração nos blocos ofertados, há um risco de judicialização da questão. O gás de xisto está armazenado entre rochas no subsolo, geralmente a mais de mil metros de profundidade. Para extraí-lo, as rochas são quebradas ou fraturadas, com a injeção de grandes quantidades de água, areia e produtos químicos.
No Brasil, as principais reservas potenciais do recurso coincidem com aquíferos ou lençóis freáticos usados no abastecimento de cidades ou para agricultura. Enfim, é urgente pequisa e cautela nesta exploração: "Pode haver contaminação dos lençóis freáticos e até levar a um escasseamento das águas como tem acontecido nos Estados Unidos, pressionadas pelos ecologistas, as empresas querem transferir para o Brasil esta exploração, como os seus riscos ambientais muito grandes", comenta nosso editor do blog, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha. E confira a seguir a posição crítica de cientistas especializados, que foram  entrevistados em post especial do site de assuntos socioambientais, EdoDebate.

Especialistas em efeitos ambientais na prospecção do gás de xisto e as próprias entidades dos cientistas no país, a ABC (Academia Brasileira de Ciência) e a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) encaminharam carta à presidente do Brasil Dilma Rousseff, solicitando a suspensão da prospecção de gás de xisto no Brasil até que haja um laboratório para se entender os seus impactos. “De onde virá a água que será utilizada na prospecção? Para onde vai depois a água possivelmente contaminada? A partir dessas respostas, vamos ver se vale a pena a exploração”, defendeu o pesquisador especializado no assunto, Jailson de Andrade. Nós aqui do blog da ecologia e da cidadania - Folha Verde News - também temos postado repetidas matérias advertindo sobre os riscos da contaminação das águas e hoje sintetizamos aqui informações que estão em destaque no site socioambiental EcoDebate. O professor da Universidade Federal de Santa Catarina Luiz Fernando Scheibe fez um alerta em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável agora, que a exploração de gás não convencional ou de xisto no país deve ser submetido a uma avaliação ambiental estratégica antes de autorizada. A avaliação, prevista legalmente, é um instrumento mais amplo do que os estudos de impacto ambiental normalmente utilizados para o licenciamento de empreendimentos energéticos. O estudioso citou uma série de pesquisas realizadas nos Estados Unidos, onde a exploração de gás de xisto tem crescido, mostrando os efeitos negativos do uso do recurso. “Há estudos mostrando que, após primeiro ano de exploração, a produção dos poços cai em torno de 60 a 90%”, destacou o cientista Scheibe. Outro pesquisador do tema, Jailson de Andrade lembrou que a maioria dos estudos sobre o assunto aponta a necessidade de análises e de pesquisas prévias e  locais para exploração. Segundo ele, ainda há muita controvérsia científica quanto à questão, sugerindo cautela sobre o processo de exploração do gás de xisto. “Há um estudo da National Academy of Science, nos Estados Unidos, que mostra que, em 241 poços de água potável na Pensilvânia, quanto mais próximo de áreas de exploração de xisto, maior a quantidade de metano (tóxico e inflamável) na água”, informou Jailson. “A controvérsia na literatura é se isso já existia antes ou se é resultado da perfuração para obtenção de xisto". Ana Raquel Macedo e Rachel Librelon fizeram uma reportagem especial pela Agência Câmara Notícias, destacando que segundo os técnicos e cientistas da área, o Ministério da Ciência e Tecnologia e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) devem definir as bases para uma rede brasileira de pesquisadores sobre o tema que em geral advertem que a exploração precisa ser sustentável, pode ser que traga resultados positivos para a economia, mas isso precisa ser ponderado, levando os conta os efeitos negativos para a ecologia.


Entre os efeitos colaterais da exploração do xisto, o agravamento da desertificação
 
Fontes: Agência Câmara Notícias
              www.ecodebate.com.br
              http://folhaverdenews.blogspot.com



7 comentários:

  1. Nos Estados Unidos já têm sido analisados muitos efeitos negativos por causa da exploração do gás de xisto: por aqui, o Instituto Carbono Brasil divulga um estudo demonstrando que a exploração do gás de xisto traz problemas ambientais aos norte-americanos. A fratura hidráulica, ou fracking, processo que consiste na utilização de água sob altíssima pressão para extração de gás xisto, por exemplo está trazendo diversos problemas ecológicos.

    ResponderExcluir
  2. Diversos grupos ambientalistas e da sociedade civil, segundo o Instituto Carbono Brasil tem feito oposição ao processo de exploração do xisto nos Estados Unidos e empresas estão planejando a vinda para o Brasil, este é também um xis da questão.


    ResponderExcluir
  3. Foi publicado um estudo do Serviço Geológico dos EUA e do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA que afirma que os fluidos que derramam do processo estão a causar a morte de diversas espécies aquáticas na região de Acorn Fork, no estado do Kentucky. Segundo a investigação, os fluidos da fratura hidráulica prejudicam a qualidade da água a ponto de os peixes desenvolverem lesões nas guelras e sofrerem danos no fígado e no baço. O fracking também fez com que o pH da água diminuísse de 7,5 para 5,6, o que significa que água se tornou mais ácida.


    ResponderExcluir
  4. Além disso, o mesmo estudo do Serviço Geológico dos EUA mostra que o processo de exploração do xisto aumentou a condutividade da água de 200 para 35 mil microsiemens por centímetro, devido aos níveis elevados de metais como ferro, alumínio e outros elementos dissolvidos na água. Os efeitos da fratura hidráulica foram observados em especial na população local de Blackside Dace, um peixe que pode ser encontrado apenas nos Estados Unidos e que se encontra na lista de espécies ameaçadas dos EUA desde 1987. No estado da Califórnia, o fracking também está a trazer transtorno à população. Tanto que uma coligação de 100 grupos ambientalistas e da sociedade civil acusa a legislação do processo, recém aprovada pelo Senado norte-americano, de ser muito fraca, e pede para que o governador californiano Jerry Brown suspenda a prática imediatamente. “A verdade é que não há forma comprovada de proteger a Califórnia do fracking além de proibir essa prática inerentemente perigosa”, escreveram os grupos numa carta enviada a Brown. De acordo com eles, o conjunto de leis “permitiria que as operações de fracking poluíssem permanentemente grandes quantidades da preciosa água da Califórnia".

    ResponderExcluir
  5. Mande vc tb a sua opinião, informação ou mensagem aqui pro nosso blog da ecologia e da cidadania sobre esta questão, enviando o seu e-mail para navepad@netsite.com.br

    ResponderExcluir
  6. "O Brasil tem alternativas energéticas, como a hidrelétrica, além da solar e eólica, que estão subaproveitados. O Partido Verde quer impedir a exploração de gás não convencional ou de xisto no País. O líder do partido na Câmara dos Deputados, deputado Sarney Filho (MA), informou que a legenda vai propor a moratória de cinco anos de prospecção do recurso, a exemplo de outras nações, como a França", é a mensagem que recebemos da Bancada Verde, de Brasília.

    ResponderExcluir
  7. Importante a postura dos Verdes, repercutindo a posição das entidades dos cientistas (ABC e SBPC) e também do nosso blog de ecologia e de cidadania, ao solicitar uma moratória de 5 anos para o processo de exploração do gás de xisto, ambientalmente muito perigoso.

    ResponderExcluir

Translation

translation