domingo, 29 de dezembro de 2013

ÚLTIMAS NASCENTES URBANAS PODEM GERAR ECOTURISMO E QUALIDADE DE VIDA

Moradores e ecologistas pedem pela nascente Conceição dos Leites no bairro Integração: ela é uma das que sobrevive no espaço urbano de Franca, pedem um chafariz e o respeito pela ecologia

Segundo o movimento ecológico vem observando ao longo das duas últimas décadas, em Franca (SP), nordeste paulista quase divisa com o sudoeste de Minas Gerais (e a 100km em linha reta da Serra da Canastra, marco da natureza do interior do Brasil), pois é, na capital do calçado, do couro, do basquete e do café tipo exportação, na cidade de 400 mil habitantes ainda sobrevivem cerca de 10 ou 15 nascentes de água, a maioria contaminadas pelo esgoto doméstico ou industrial, mas restam algumas limpas que precisam ser aproveitadas num programa de desenvolvimento sustentável. Ocorre que este espaço urbano foi formado em cima do que pela vocação natural deveria ter se tornado uma estância hidromineral, pela altitude (1020 metros), pela topografia, pelos ventos limpos e frios que varrem a região e vindos das áreas mais altas, pelo potencial do seu subsolo, que é formador também do Aquífero Guarany, uma das maiores reservas de água doce do país e do planeta, que começa por aqui, onde há uns 300 anos começava o sertão. Bem, mas a história foi outra, Franca virou uma cidade industrial, coureira, calçadista, de ponta nesta economia. Há tratamento de água, esgoto, alguma reciclagem do lixo, saneamento básico mais fundamental, os efluentes dos curtumes sofrem um processo de despoluição (que ainda necessita de alguns ajustes e avanços), isto é, de forma geral, a sustentabilidade é plenamente possível por aqui. Porém, não há esta cultura de amor e respeito pela natureza no espaço urbano, especialmente por parte das autoridades porque aqui ou ali se vê uma ou outra iniciativa de moradores com conteúdo ecológico. Dentro deste universo de coisas, está também a questão das nascentes. A maioria delas foram simplesmente drenadas e suas águas jogadas ou na tubulação de águas pluviais ou do esgoto ou na melhor das soluções por enquanto, levadas até os córregos, como o dos Bagres, o Cubatão, o Salgado, o Espraiado, o dos Macacos, entre outros que abastecem os rios Grande, Sapucaí, Canoas e Pardo, rios regionais, importante para o ecossistema de todo o nordeste e norte do estado de São Paulo. A maioria das exatas 17 nascentes urbanas contadas uma à uma por pioneiros da ecologia francana, que ainda um dia poderá ser restabelecida, a maior parte delas está contaminada por esgoto doméstico ou industrial, como infelizmente há uns 10 anos foi constatado com a histórica Água da Careta, lendária nascente desde a época dos bandeirantes e da colonização dessas terras dos índios Kaiapós.  Bem, mas entre tantas nascentes poluídas, sobrevivem pelos menos umas 10 que ainda podem vir a ser objeto de recuperação e de aproveitamento num projeto sustentável de meio ambiente, arquitetura, engenharia e ecoturismo. É o caso da nascentinha que pelo distanciamento da rede de água e de esgoto das casas do bairro Integração, na região que era conhecida antes da urbanização como Pastinho dos Leites, ali sobrevive uma. É praticamente um quarteirão em torno desta área de preservação ambiental, ainda existem uma meia dúzia de árvores típicas da nossa flora, flores do campo nativas desta região, algumas azuis e outras rosadas, assim como entre a Santa Cruz e o Jardim Ângela Rosa ou ainda perto da confluência das avenidas Hélio Palermo e Orlando Dompieri, por aqui também nesta área institucional do bairro Integração, conhecida popularmente como Conceição dos Leites, sobrevive uma das nascentes urbanas de Franca que têm futuro. Ela está abandonada como aliás toda a área verde. Nessa época de aumento de chuvas ela aflorou com mais força e escorre até o asfalto. Esta água (um recurso vital para a vida futura  de todo lugar) precisa ser recuperada e aproveitada dentro talvez de um projeto sustentável com as nascentes urbanas francanas. Moradores e ecologistas (como a dupla formada pelos repórteres do nosso blog Folha Verde News e por Cássio Freires, da Rádio Imperador AM) até planejam pedir às autoridades municipais (ou estaduais ou federais) que desenvolvam um programa deste tipo, além de servir como local de lazer e de educação socioambiental, áreas e nascentes como a Conceição dos Leites poderão gerar outras utilizações, como ecoturismo, criadouro livre de passarinhos nativos que são de várias espécies e de muita beleza. Um chafariz, uma pequena lagoa (quem sabe com peixes nativos como os históricos Bagres), um emissário que leve sãs e salvas as águas que escorrem na rua (e podem causar erosão) para no caso o córrego dos Bagres (logo ali). O chafariz pode ficar lindo, refrescar no calor e embelezar o lugar que seria mais do que uma praça a mais, a lagoinha poderia umidificar o ar seco da região na época da seca, enfim...O Instituto Adolf Lutz (existe mais perto a unidade laboratorial de Ribeirão Preto) está habilitado a fazer uma análise completa desta e de outras águas sobreviventes no espaço urbano de Franca, a Cetesb pode conferir as nascentes que estão ou não poluídas ou as que podem ser recuperadas, a Sabesp pode contribuir com os emissários, o que se espera é que não aconteça o que sempre vem acontecendo (como foi o que aconteceu também no ex-Parque das Águas, havia umas quatro nascentes na área onde se construiu a Câmara dos Vereadores e as águas foram tão somente drenadas e jogadas na rede). Sim, um chafariz, uma trilha para caminhada ou para a garotada andar de bicicleta com segurança e com prazer na área verde de Conceição dos Leites. As flores do campo nativas poderiam ser reproduzidas em grande quantidade num ajardinamento mais original preservando a memória da natureza de toda a região. Não será a salvação do mundo mas um sinal de desenvolvimento sustentável de que Franca precisa para ter futuro na sua economia, resgatando também o potencial de sua águas e da sua natureza, atualmente, um fator também de qualidade de vida nas melhores cidades do mundo. (Antônio de Pádua Padinha, repórter e ecologista). 


Fotos de David Radesca mostram a área verde de Conceição dos Leite com a nascente que ali sobrevive

Cássio Fereires (Imperador AM) e Padinha (do nosso blog) estiveram no local a chamado dos moradores da região

 Fontes: Rádio Imperador AM
              http://folhaverdenews.blogspot.com

           

5 comentários:

  1. Nós, moradores do Integração - bairro criado no antigo Pastinho dos Leites pela Pontual há uns 20 anos - repórteres e ecologistas neste post aqui não estamos só criticando o abandono mas também apresentando um projeto pelo aprovietamento sustentável das últimas nascentes de Franca, da última eciologia urbana desta região do Aquífero Guarany.

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  2. Como está no texto da postagem, um chafariz, um laguinho, uma área verde de lazer ecológico ali e em torno de outras nascentes que sobrevivem em Franca (SP), não será a salvação do mundo, reconhecemos que não, em meio à violência e tantos problemas de hoje. Mas será um sinal sustentável que atrairá ecoturismo e qualidade de vida...

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  3. O zootecnista e pioneiro do movimento ecológico de Franca, Luiz Moura, da Ekip Naturama, hoje se dedica a realizar parques e em especial jardins. Mas isso, em Brasília, para onde migrou, já que em sua cidade não há um avanço neste setor. Ele ou um paisagista e arquiteto especializado, no quadro regional ou da Prefeitura, poderia desenvolver o Chafariz, o laguinho com Bagres, um jhardim com as flores do campo nativas...

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  4. Mande vc também a sua sugestão, a sua opinião, crítica ou proposta aqui prá redação do nosso blog: navepad@netsite.com.br

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  5. "Bem colocada essa questão das nascentes em Franca", comenta o chofer de Taxi Valdemar Freitas, informando: "Nasce na chácara do Nego, no Jardim Bueno, perto da pista de skate, uma nascente muito limpa ainda, com uma grande vazão de água, ela não pode ser abandonada nem a água dela desperdiçada também". Mande vc tb a sua informação: navepad@netsite.com.br

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