segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

UM NOVO TIPO DE MEDO NESSE VERÃO AGORA NO BRASIL

As chuvas chegaram e com elas o medo: é o enfoque de Álvaro Rodrigues dos Santos no site EcoDebate que a gente curtiu muito e posta para você aqui no blog da ecologia Folha Verde News,é mais um alerta sobre a realidade socioambiental do país na virada de 2013 para 2014 

Verão do Medo

"Não é porque a Presidenta Dilma Rousseff sobrevoou Governador Valadares e outras cidades de Minas, Bahia e Espírito Santo que as enchentes e inundações diminuíram, como faz entender parte da mídia", comenta o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, editor do nosso blog, lembrando ainda que esta alteração do clima não ocorre só no Brasil, na Tailândia, na China, na Alemanha e em outros países e também com outras formas e tipos de problemas: porém aqui em nosso país é esta a situação de momento, na virada de 2013 para 2014, tem alguns detalhes próprios que estão enfocados também no texto do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, colaborador do site nacional de temas socioambientais EcoDebate, autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão” e “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”. Uma autoridade neste assunto, que é uma das pautas mais atuais hoje mesmo porque até os que estão longe das regiões já alagadas nestas primeiras chuvas do novo verão brasileiro já começam a temer, existe este fantasma da crise climática, um dos maiores problemas da realidade nada ecológica do dia a dia hoje. Confira o texto e...bom verão. Para começar, vamos à luta de cidadania para mudar a realidade brasileira...

Desta vez as enchentes foram agora mais ao longo do vale do Rio Doce

Povo de cidades capixabas, baianas e mineiras ainda sofre com o problema

O fenômeno não é só brasileiro mas tem alguns detalhes típicos em nosso país

Sobrevoando Governador Valadares (MG) a Presidenta Dilma reconheceu gravidade do problema
 
 As chuvas chegaram e com elas o medo de novas enchentes e inundações em outros lugares


"Como já o mais simples calendário de papelaria alertava, adentramos no sul-sudeste brasileiro o período chuvoso crítico que anualmente tem marcado a região por terríveis tragédias associadas a enchentes e deslizamentos. Tragédias em que milhares de brasileiros têm perdido suas vidas de forma estúpida e brutal, e a sociedade pago um altíssimo preço com os prejuízos de toda a sorte acumulados. Nesse ano o interior baiano, a cidade do Rio de Janeiro e municípios da Baixada Fluminense, Minas e Espírito Santo, com mortos e milhares de desabrigados, abrem o já comum lúgubre espetáculo. Obviamente cabe a pergunta: estamos hoje melhor preparados para enfrentar esses graves fenômenos que se abatem sobre nossas cidades? Em que pese o maior envolvimento de instituições e órgãos públicos com o problema, poder-se-ia dizer que muito pouco. Prevalece ainda fortemente a visão curta e irresponsável que tem levado as administrações públicas a tratar a questão sob uma ótica corretiva e emergencial, pela qual se busca atenuar as consequências dos conhecidos erros que vem sendo cometidos pelo crescimento urbano ao invés de, corajosamente, focando as causas, enfrentá-los e eliminá-los dentro de uma ótica preventiva. Tal visão distorcida na prática lança toda a carga de responsabilidades sobre nosso já tão sobrecarregado sistema de Defesa Civil, missão humanamente impossível de ser atendida, em que pese o heroísmo dessa brava gente.
Em outras palavras, nossas cidades continuam a crescer, sob os olhos e a complacência da administração pública em seus diversos níveis, praticando os mesmíssimos erros e incongruências técnicas de planejamento urbano e uso do solo que as conduziram a esse grau de calamidade pública. No caso das enchentes impermeabilizando o solo, promovendo uma excessiva canalização de rios e córregos, expondo por terraplenagem o solo à erosão com decorrente assoreamento dos cursos d’água; no caso dos deslizamentos e solapamentos de margens, ou ocupando encostas e fundos de vale que jamais poderiam ser ocupados dada sua já alta instabilidade natural. Ou, com resultados semelhantes, ocupando com técnicas as mais inadequadas e desastrosas terrenos até potencialmente urbanizáveis, uma vez fossem utilizadas as técnicas adequadas para tanto. Em torno e em função desse cabedal de erros que vem sendo cometidos obviamente se organizaram e se estabeleceram grandes interesses empresariais, econômicos e políticos, dos quais nos parece que a maior parte de nossas autoridades está refém. Ou por incompetência, ou por covardia política, ou por interessada passividade. Permitamo-nos raciocinar, qual o interesse que empresas que lucram anualmente milhões de reais com o desassoreamento das redes de drenagem teriam em um programa que reduza ou elimine a erosão geradora dos sedimentos assoreadores? E qual o interesse das empresas que hoje se enriquecem com os projetos, a construção e a manutenção dos famigerados piscinões teriam em um programa voltado a recuperar a capacidade das cidades em reter um grande volume de águas de chuva? Dentro dessa mesma lógica, que interesse haveria por parte de administradores públicos e  das empresas beneficiadas em deslocar recursos de serviços e investimentos anteriormente combinados para agora abrigar em habitações seguras e dignas a população pobre que imperativa e urgentemente teria que ser retirada das áreas de alto riso geológico e hidrológico? Enfim, ainda que hajam hoje ótimas e eficazes soluções técnicas para reduzi-las drasticamente, as tragédias irão se repetir, e muito provavelmente, em anos mais chuvosos, aumentar sua letalidade. Nesse contexto, é essencial que a sociedade perceba que os impedimentos para a pronta e plena adoção dessas soluções residem na esfera política, especialmente em seus atributos éticos e de competência". (Álvaro Rodrigues dos Santos)

Fontes: www.ecodebate.com.br
              http://folhaverdenews.blogspot.com

6 comentários:

  1. Ao final deste ano e de 1807 posts, que tiveram 188.817 visualições aqui na web, postamos o texto do geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos, com honra, e no sentido de alertar nossos amigos e amigas internautas, em sua maioria ligados ao movimento ecológico e de cidadania.

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  2. Este novo tipo de medo das chuvas, das enchentes, das inundações, da inação da administração pública, isso representa também uma nova forma de violência da realidade brasileira do momento.

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  3. Cabe a nós, lideranças da cidadania e da ecologia, pressionarmos as autoridades governamentais por soluções emergentes mas também pela implantação de uma gestão de desenvolvimento sustentável por todo o país, equilibrando o aumento da economia com o respeito dos recursos naturais, sem o que, este problema ficará mais dramático e mais caro nas soluções ou reparos ou socorros nos próximos anos.

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  4. Mande vc tb a sua informação, comentário, mensagem ou opinião aqui para a redação do nosso blog: navepad@netsite.com.br

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  5. "Eu também acho que a instabilidade política e climática, para não usar outra palavra ou palavrão, só se resolve com uma gestão sustentável, muito bom o texto nessa hora em que pensamos no que é preciso mudar pro ano que vem": este foi o e-mail que recebemos de Leonora Mendes, da UFSCAR. Mande s/ msm pelo e-mail navepad@netsite.com.br

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  6. "Existe também um rombo causado pelas enchentes, só em Minas Gerais e somente nas estradas, serão necessários investimentos entre R$ 35 e R$ 40 milhões para resolver os problemas ocasionados agora, quando 15 rodovias mineiras estão interditadas. No total dos estados e dos problemas também nas cidades, esta conta vai para do 400 milhões pro nosso povo pagar, isso, além das vítimas fatais": é o comentário que nos envia José Antônio, de Belo Horizonte.

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