segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

ALGUNS SHOPPINGS FECHAM E IMPEDEM ROLEZINHO MAS DO LADO DE FORA ACONTECEM PROTESTOS

O medo da violência não pode fazer vigorar o preconceito contra jovens pobres e negros que pedem  espaços de lazer urbano: veja os comentários atualizados deste post sobre os rolês

Apesar de, entre outros pelo país afora, o Shopping Leblon no Rio de Janeiro ter fechado em pleno domingo, alguns poucos jovens apareceram para o rolezinho que estava marcado para aquele local, onde o número de participantes, no entanto, foi inferior ao de jornalistas. Mas a presença do pequeno grupo chamou a atenção dos moradores do bairro, dos clientes desavisados que foram às compras e agora nos faz alertar sobre a questão: "As medidas de segurança nos shoppings não podem estimular ainda mais algum tipo de preconceito ou marginalização dos jovens e adolescentes, em especial negros e pobres da periferia que, por sinal, têm sido as maiores vítimas da violência atualmente", comenta aqui no blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News o nosso editor, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, que ainda lembra que "além do mais, faltam meios de expressão e formas de lazer para esta juventude, este fato tem que ser considerado e não somente o lado repressivo do problema"...A Agência Brasil informou hoje que ontem do lado de fora do Shopping Leblon, cerca de 30 pessoas fizeram perfomances, ao som de funk, contra o racismo e a exclusão social no país. Fantasiado de Batman, Heron Morais Melo criticou a falta de igualdade de oportunidades entre "ricos e brancos" e "negros e pobres". "Essa porta fechada aqui é o melhor símbolo da desigualdade no nosso país, quem não é da parte da elite, só encontra isso", disse Heron, morador de Marechal Hermes, na zona norte carioca. Em uma performance para satirizar "madames que frequentam esse shopping com menor número de pobres da cidade", um participante, que não quis se identificar, disse: "Não vim para protesto nenhum, vim às compras... Pobre já aguento lá em casa, lavando, passando, levando meus filhos na escola". Vários deles fizeram críticas ao preconceito. Para o estudante de Letras e integrante da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel), Gabriel Melo, o rolezinho é derivado das manifestações de junho de 2013. "Quando um grupo de estudantes de universidades e escolas privadas vão para a praça de alimentação e rola música alta é uma coisa, mas quando esse grupo é de jovens negros o tratamento dado por todo shopping, lojistas e segurança é outro, fecham as portas e põem a gente para fora", disse Gabriel Melo, que se referiu também ao apartheid que existia na África do Sul contra os negros, antes de avançar a luta de Nelson Mandela. Apesar de a Secretaria de Segurança Pública ter informado que não reforçaria o policiamento, dezenas de policiais ficaram próximos, seguranças particulares não identificados também ocuparam o local. O Shopping Leblon cercou, com tapumes, toda a entrada de vidro localizada na Avenida Afrânio de Melo Franco. Foram colocados cartazes avisando os clientes de que o centro comercial foi fechado para "garantir a segurança". O Shopping Rio Design Leblon, que fica do outro lado da rua, também fechou as portas, para evitar o rolezinho. Cerca de 9 mil pessoas haviam confirmado presença no ato por meio da redes sociais, as mensagens foram detectadas antes. Do lado de fora, moradores e lojistas criticaram o rolezinho. Para a dona de uma loja, que preferiu não se identificar, "shopping é um espaço de lazer privado". "Manifestação tem que ser na porta da prefeitura, não aqui" etc. É o caso de se dizer então: "É urgente o poder público criar nos espaços urbanos formas que sejam interessantes de lazer para jovens e adolescentes, como meios de expressão deles, de todos, de toda forma, não se pode criar uma nova espécie de apartheid no Brasil, ainda mais agora, quando nossa gente busca a cidadania", concluiu seu comentário aqui neste blog nosso editor Padinha.

Estas primeiras manifestações no Rio são sintomáticas dos erros e limites da realidade urbana hoje no país

Fontes : Agencia Brasil/EBC
              www.mundopositivo.com.br
              http://folhaverdenews.blogspot.com

8 comentários:

  1. Os erros e limites atuais na realidade urbana em todo o país não podem acabar provocando uma nova espécie de apartheid no Brasil, ainda mais agora, quando nossa população busca avançar a cidadania...

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  2. A questão do rolezinho, bem como da falta de meios de expressão e de lazer criativo para adolescentes e jovens, em especial, pobres e negros das periferias, que não têm dinheiro para encarar a indústria paga do entretenimento, oferecida em todas as cidades, é um fato complexo e não meramente policial.

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  3. A alternativa de solução sempre existe, se houver inteligência, criatividade e até boa vontade das autoridades públicas: o lazer, a diversão bem como a confraternização social e a falta de preconceito são direitos de todos os cidadãos e cidadãs, também dever do estado em termos de qualidade de vida.

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  4. A referência de alguns jovens, nesta matéria da Agência Brasil postada aqui no nosso blog de ecologia e de cidadania, ao apartheid e também a comparação com as manifestações de junho de 2012 dimensionam bem a complexidade da questão, algo para o que o Brasil precisa despertar, antes que o problema vire uma nova crise urbana.

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  5. Mande vc tb a sua opinião aqui pro nosso blog, envie o e-mail para nossa redação: navepad@netsite.com.br

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  6. O internauta Fernando Morais (SP) nos enviou uma informação que está no site UOL hoje, entre lá e acesse na íntegra a informação."Você conhece as rolezeiras? Descubra quem são e o que pensam essas meninas. Os rolezinhos preocupam a polícia, os shoppings e os políticos nestes dias. Mas o fenômeno começou como meros encontros de meninas e meninas que se conheceram em redes sociais da internet. O vídeo traz entrevistas com adolescentes que participaram de um rolê no parque do Ibirapuera (São Paulo), neste final de semana. Acompanhe a cobertura do UOL sobre os rolezinhos"...

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  7. A onda dos rolezinhos chegou ao interior, como em Franca (SP), como informa o jornalista Cássio Freires em seu site: O “rolezinho” chegou a Franca. Um grupo (veja aqui) está articulando o movimento por meio de um site de relacionamento. O evento deve acontecer na sexta feira (24), às 19h30, no Franca Shopping, mais de 200 pessoas confirmaram presença. (Também em cidades do interior não existe uma estrutura de lazer para os jovens e adolescentes, e esta carência diminui a qualidade de vida e pode aumentar os índices de violência duma comunidade).

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  8. O internauta Pedro Basílio nos manda por e-mail post da BBC sobre esta questão que ele captou na web na empresa em que trabalha em Vitória (ES): "'Se não liberarem, a gente vai acabar fazendo protesto", relata Flavio Azevedo pela BBC: Rolés já eram reprimidos fora dos shoppings, dizem jovens, que pedem espaços de lazer.

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