sábado, 4 de janeiro de 2014

GARIMPO DE OURO COM USO DE MERCÚRIO EM PLENO PANTANAL MATOGROSSENSE

Ibama localiza garimpos clandestinos na Amazônia e até no Pantanal de Mato Grosso

A Operação Minamata deflagrada pelo Ibama ainda antes do final de 2013, vem agora em 2014 realizando ações fiscalizatórias em garimpos de ouro localizados nos municípios de Nossa Senhora do Livramento/MT e Poconé/MT (100 km de Cuiabá), tendo já aplicado R$3,2 milhões de multas e já apreendeendido cinco caminhões basculantes, três escavadeiras, duas pás carregadeiras e diversos motores, moinhos e demais equipamentos de mineração, uma motosserra sem licença e outros equipamentos ilegais de mineração não autorizada em especial em áreas de preservação ambiental. A operação policial ecológica foi batizada com este nome, referindo-se à Doença de Minamata, uma síndrome neurológica causada por severos sintomas de envenenamento por mercúrio, metal pesado utilizado para garimpar ouro. Os sintomas incluem distúrbios sensoriais nas mãos e pés, danos à visão e audição, fraqueza e, em casos extremos, paralisia e morte. O nome se deve ao episódio ocorrido na baía de Minamata no Japão: desde 1930 até hoje mais de 900 pessoas morreram com dores severas devido ao envenenamento. Mais recentemente, uma pesquisa indicou que cerca de dois milhões de pessoas podem ter sido afetadas por comer peixe contaminado por mercúrio e  foi reconhecido que pelo menos 2.955 pessoas sofreram da doença de Minamata. Bem, mas aqui no Brasil a Operação Minamata  conta com o apoio da Polícia Militar Ambiental, tendo como finalidade apurar as denúncias feitas pelo Ministério Público do estado de Mato Grosso, o MP solicitou averiguações sobre a existência de atividades de mineração irregulares, cujos alvos foram identificados a partir de informações colhidas no website Sigmine, do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), associado à interpretação de imagens de satélite pelos técnicos do Ibama, em uma postagem de impacto publicada agora no site de assuntos socioambientais EcoDebate. Também na mesma operação está se verificando o comércio de mercúrio, que é utilizado na mineração. Confira este post da mais extrema gravidade aqui no blog Folha Verde News.
Mineração ilegal: Ibama fiscaliza garimpos no Pantanal de Mato Grosso
A Operação Minamata atendeu denúncia do MP do MT e está investigando....


...grande impactos ambientais na Amazônia e no Pantanal com mineração clandestina

Garimpo ilegal de ouro usando o metal pesado mercúrio é gravíssimo em áreas de preservação


Ações da Operação Termômetro, que fiscalizara ainda em 2013, as empresas que comercializam mercúrio metálico na baixada cuiabana, constataram que mais de 3 empresas tiveram o cadastro técnico federal (CTF) suspenso para averiguações.  No distrito de Poconé,  em Cangas foi localizado, em plena atividade, um empreendimento de mineração sem licença ambiental. Contrariando as declarações do responsável pelo garimpo de que não possuía mercúrio no local, os agentes de fiscalização localizaram um frasco irregular contendo o produto imerso em água. Após receber os autos de infração e os termos de embargo e o de apreensão dos veículos e equipamentos, o proprietário foi conduzido pela Policia Militar Ambiental para a Delegacia de Várzea Grande. No município de Nossa Senhora do Livramento, duas das mineradoras visitadas foram multadas e tiveram áreas embargadas por estarem explorando áreas fora do perímetro de suas licenças. Duas escavadeiras e três caminhões basculantes foram surpreendidos em plena atividade nas áreas irregulares e foram apreendidos. Ainda na zona rural de Livramento, foi localizada uma área de extração mineral ilegal desativada com muitos resíduos perigosos abandonados de forma inadequada. A devastação chegou tão próximo de uma rodovia que a coloca em risco de desabamento. O proprietário da área que, segundo um vigilante do imóvel, reside na vizinha cidade de Várzea Grande, será notificado para providenciar a recuperação da área degradada. Segundo o analista ambiental Werikson Trigueiro,  que é o atual superintendente em exercício do Ibama de Mato Grosso, “O desmatamento ilegal na região do Pantanal Mato-grossense é um problema grave, mas a contaminação do solo com derivados de petróleo e com mercúrio é uma questão gravíssima”. “Os entes federativos incluindo estados e municípios, devem assumir o papel definido pela Constituição Federal e pela Lei Complementar nº 140, de 08/12/2011, somando esforços na proteção do meio ambiente. A exploração dos recursos naturais precisa ocorrer dentro das normas legais, para que o desenvolvimento seja sustentável na região”, concluiu Trigueiro. A baixada cuiabana é uma grande produtora e consumidora de peixe. O cuidado com o uso do mercúrio, e outros produtos perigosos, é essencial para não comprometer a saúde da população e do meio ambiente pantaneiro. O editor do blog da ecologia e da cidadania Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha resolveu abrir este webespaço na íntegra à reportagem de Nicélio Silva, da assessoria de comunicação do Ibama MT, porque "garimpos clandestinos e mais usando mercúrio e ainda mais grave, em área de preservação como no Pantanal são um crime socioambiental da natureza mais grave, envolvendo a saúde das pessoas, do meio ambiente e usurpando recursos naturais e mineriais da Nação, isto é, estão roubando o povo brasileiro mais uma vez e em mais um local", completou Padinha, argumentando ainda que em quaisquer locais o fato é de extrema gravidade, no Pantanal é um megacrime". E ele ainda estranha que a grande mídia não esteja dando a esta pauta o destaque que deveria dar, por este motivo maior.

Fontes: Sigmine
             Ibama MT
             www.ecodebate.com.br
             http://folhaverdenews.blogspot.com

5 comentários:

  1. É o que faltava para demonstrar claramente a falta de uma gestão de desenvolvimento sustentável no Brasil...

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  2. O coordenador-geral de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Dutra, cita pesquisas segundo as quais o mercúrio usado nos garimpos vai sendo acumulado na cadeia alimentar local. “Peixes carnívoros acumulam o mercúrio e o ser humano, ao comer tais peixes, ingere tudo"...

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  3. Para exemplificar e de acordo com especialistas, no caso da bacia do Rio Tapajós no Pará, onde existiam mais de 200 garimpos em atividade na década de 1990, foram liberadas, anualmente, cerca de 12 oneladas de mercúrio no ambiente. Conforme levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia então a concentração de mercúrio analisada no cabelo de pescadores de uma vila da região mostrou que o metal provocou problemas de visão e comprometimento muscular nos ribeirinhos.

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  4. Países como Argentina, Índia e Filipinas já proibiram o uso do mercúrio. No Brasil, a retomada do garimpo em larga escala faz com que se intensifique o uso do produto. Depois de encontrar o ouro, os garimpeiros aplicam o mercúrio e aquecem o minério amalgamado. O resultado é o ouro puro e a evaporação de mercúrio na atmosfera e nas águas próximas, afetando peixes e animais silvestres que acumulam facilmente o produto. Há quase dois meses, sob o argumento de regularizar a atividade do garimpo na região, o Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas aprovou uma resolução estadual liberando o uso do mercúrio pelos garimpeiros, mas com algumas condições, como a comprovação da origem de compra da substância e o uso de equipamentos adequados para sua aplicação. O Ministério Público Federal no estado recomendou a suspensão da medida, argumentando que substância representa ameaça à saúde humana e ao meio ambiente.

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  5. Assim como o mercúrio foi liberado no Amazonas, órgãos ambientais de outros estados têm autorizado o uso do cianeto e garantido fiscalizações rotineiras. Especialistas citam os estados do Pará e de Mato Grosso como exemplos deste perigo: num rio ainda limpo lançar cianeto, está sendo um desastre, podendo gerar problemas ainda maiores. Este é um outro lado do problema que a operação do Ibama precisa controlar e que as autoridades governamentais e políticas precisam mudar com extrema urgência, também no Pantanal.

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