quarta-feira, 21 de maio de 2014

ABRIMOS NOSSO WEBESPAÇO HOJE PARA UM TEXTO DE CIENTISTA DE PERNAMBUCO

Energia nuclear e os pré-candidatos presidenciais: texto de professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco, um aperitivo para os debates e ações de cidadania que o Brasil precisará fazer pós-Copa do Mundo...
 
 
O debate energético acabará entrando pelas energias mais limpas e sustentáveis
 
 "Ano de eleições presidenciais. Espera-se que os pré-candidatos se posicionem sobre os diferentes temas de interesse da população. E um dos mais importantes temas é sobre a questão energética.  
Até o momento, o quadro eleitoral apresenta sete pré-candidaturas. As três dos partidos que terão mais tempo na televisão e quatro dos “pequenos”. Estes em alguns casos fisiológicos, somente lançaram pré-candidaturas para negociar seus tempos de televisão, tendo também aqueles mais ideológicos, com posições bem definidas. Neste espaço, sucintamente comentarei o que fizeram e o que propõem os pré-candidatos mais expostos na mídia com relação ao tema polêmico: energia nuclear. O que predomina em comum nas três pré-candidaturas é a visão tradicional de associar desenvolvimento a aumento de consumo, consequentemente à produção sempre crescente, necessitando mais e mais de matéria prima e energia. Portanto, são pré-candidaturas que defendem a construção crescente de usinas de energia, dentre elas as nucleares. Outro aspecto comum é modelo de gestão publica que adotaram nos cargos executivos que ocuparam, lançando mão de privatizações, concessões, terceirizações e parcerias público-privadas. Esses instrumentos são orientados para viabilizar o maior lucro para as respectivas operadoras, mesmo sacrificando o interesse publico e as necessidades básicas dos cidadãos. Nesse modelo, o Estado é capturado pelos interesses econômicos (privados) e atua em favor deles. O caso da energia é um exemplo claro, evidente. A prestação dos serviços elétricos, essencial ao bem estar e à soberania do país, tem sofrido nos últimos anos tropeços causados por políticas publicas contrarias aos anseios da população, que são a segurança energética com tarifas módicas e qualidade no fornecimento.  O ex-ministro de Ciência e Tecnologia, ex-governador de Pernambuco e pré-candidato pelo PSB, teve papel de destaque no renascimento do programa nuclear brasileiro, prevendo no Plano Nacional de Energia 2030 a construção de quatro novas usinas nucleares no país. Quando governador, defendeu a vinda de uma dessas usinas para Pernambuco. Enquanto governador, priorizou em trazer para Pernambuco termoelétricas movidas a combustíveis altamente poluentes, como o óleo combustível. Foi o pai da absurda proposta de patrocinar a instalação em Pernambuco da “maior termoelétrica do mundo”, com 1.300 MW de potencia instalada, movida a óleo combustível. Projeto que acabou sendo abortado pela pressão popular. O que não foi possível impedir foi à instalação de outra termoelétrica a óleo combustível, esta de 320 MW, em território pernambucano. O pré-candidato do PSDB, na questão nuclear, não precisa (não falou ainda) dizer muita coisa, pois se conhece a posição desse partido e de seus membros de apoio à instalação de usinas nucleares no país. O mais recente episodio nessa área está sendo protagonizado por um deputado paranaense, que apresentou em 2007 a Proposta de Emenda à Constituição – PEC no 122, que visa modificar os arts. 21 e 177 da Constituição Federal para excluir do monopólio da União a construção e operação de reatores nucleares para fins de geração de energia elétrica. Hoje, só a empresa estatal Eletronuclear constrói e opera no setor. Caso seja aprovada, aquela PEC permitirá a entrada de empresas estrangeiras na geração nucleoelétrica. Esta proposta está preste para ser submetida à votação em plenário. Quanto à visão estratégica em relação à energia elétrica, não se pode esquecer que, quando estava no poder, o PSDB levou o país ao racionamento e desabastecimento energético em 2000/2001. Não precisa falar muita coisa mais sobre o que nos espera com o retorno desse partido político ao Executivo nacional. E o PT, esses 12 anos em que esteve no poder, não somente fez renascer o Programa Nuclear Brasileiro, com a construção de Angra III, que estava havia mais de 20 anos parada, como, por meio da aprovação do Plano Nacional de Energia 2030, propôs a instalação de mais quatro novas usinas nucleares no país, sendo duas no Nordeste e duas no Sul/Sudeste. A contradição é evidente, pois vários de seus membros eram totalmente contrários ao uso da fonte nuclear. Mas, ao chegarem no poder...Além, é claro, da “maior especialista em energia”, a ex-Ministra das Minas e Energias e atual Presidente da República, ter desarranjado por completo o sistema elétrico nacional, submetendo os consumidores a tarifas “padrão Fifa”, e trazer de volta o risco do desabastecimento elétrico. Bem, veja que esta é uma realidade nada alvissareira para quem em 2014 irá votar e escolher o Presidente do país.  Temos também outras pré-candidaturas que merecem atenção sobre esta temática. Duas delas, a do PV e da PSol, posicionam-se contrarias à instalação de usinas nucleares". (Heitor Scalambrini Costa para o blog Folha Verde News)
 

 
 




Com este texto do cientista Hetor Scalambrini Costa estamos estimulando um debate de conteúdo para as Eleições de 2014


 

5 comentários:

  1. Dentro deste contexto nada promissor para um futuro sustentável ´para o Brasil também fica evidente a saia justa que a ecologista Marina Silva terá com os políticos de sua chapa.

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  2. Estão muito claros os problemas da Energia Nuclear (também para os nossos internautas do movimento ecológico e de cidadania, depois de tantos posts em que mostramos que esta não é a melhor opção nem sob o ponto de vista econômico nem muito menos ecológico para o país com tantos recursos naturais e fontes de energia limpas).

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  3. Mesmo sem condições estruturais de campanha como dos três principais presidenciáveis, analisados aqui pelo especialista em energia Heitor Scalambrini Costa, o candidato a Presidente do Brasil pelo PV - Eduardo Jorge - é um médico e ecologista, com certeza levantará a questão da urgência de se partir para a concretização do potencial de energias tipo solar e eólica, também. Isso poderá aumentar a sua força eleitoral, o conteúdo de suas propostas, também para a questão energética brasileira.

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  4. Envie para o e-mail do nosso blog a sua opinião sobre este texto, o seu comentário sobre esta pauta, a sua msm ou informação, mande para navepad@netsite.com.br

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  5. "Realmente, em vez de ficarmos só discutindo a Copa, desde já precisamos aquecer o debate para as eleições deste ano, mesmo porque a Copa é uma fantasia de consumo, o que vai decidir mesmo para o Brasil será nosso voto": este é um resumo dos comentários de José Dias, elogiando o texto do professor e pesquisador de Pernambuco. Mande vc tb a sua msm: navepad@netsite.com.br

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