sábado, 17 de maio de 2014

HÁ UMA SEMANA CONTINUA A LUTA PELA LIBERDADE DA INFORMAÇÃO NAS FAVELAS DO RIO

Sindicato dos Jornalistas precisou divulgar carta em defesa do livre exercício da profissão diante de acontecimentos no Complexo da Maré: a situação ainda está indefinida e tensa

 
 
O repórter Bruno Pavan, do site Brasil de Fato, chegou a citar um texto de Milan Kundera na sua matéria  - "A luta da liberdade contra a tirania é a mesma da memória contra o esquecimento" -  e procurou logo de cara ressaltar o artigo 1º da lei que regulamenta a profissão de jornalista, que  é claro: “O exercício da profissão de jornalista é livre, em todo o território nacional”. Não foi o que aconteceu há pouco menos de uma semana, práticas agressivas de militares do Exército colocaram em risco a liberdade do exercício do jornalismo, no conjunto de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio. A jornalista e diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no município do Rio de Janeiro, Camila Marins, ao lado do cartunista Carlos Latuff e do morador deste complexo e fotógrafo da agência “Imagens do Povo”, Naldinho Lourenço, caminhavam pelas ruas da Maré com o objetivo de registrar imagens e fatos sobre possíveis abusos e violações de direitos humanos. Quando notaram o início de uma ação militar de abordagens a moradores, começaram a fotografar. Naquele momento, foram abordados por militares. Um deles, com tom intimidatório, alertou: “Vocês têm autorização? Sem autorização está proibida a cobertura. Vocês precisam ser conduzidos ao CPOR para explicar o motivo de cobertura e pedir autorização!”. O CPOR é o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro. na carta a entidade de classe dos jornalistas cariocas relata que "os trabalhadores de comunicação não recuaram diante da abordagem e alegaram falta de fundamentação legal para a condução ao CPOR e cobrança de justificativas para a cobertura. Um dos militares enfim assentiu e liberou os três. Se a equipe foi abordada dessa forma, é nosso dever questionar a violação das liberdades coletivas e individuais que os moradores da Maré têm sofrido todos os dias. Num ano em que lembramos os 50 anos do golpe civil-militar no Brasil assistimos à reprodução de práticas da Ditadura. Se lembrar é resistir, resistir é lutar! O jornalismo é um dos pilares para o aprofundamento da democracia e qualquer tipo de impedimento, obstáculo ou violência a esses trabalhadores significa um atentado à democracia e à liberdade de imprensa'. o documento enfatiza ainda que "o fato de ter que pedir autorização para exercer o jornalismo é um retrocesso aos tempos mais sombrios do nosso país. Mais do que isso, é dever e função social do jornalista acompanhar as ações do estado e reportar à sociedade os respectivos abusos. Diante do exposto, solicitamos esclarecimentos ao Comando Oficial do Exército, ao Ministério da Justiça e ao Ministério da Defesa sobre essa tentativa de cerceamento ao exercício profissional". Até este momento, uma semana depois das ocorrências, não houve nenhuma retratação ou maiores esclarecimentos ou justificativas à altura do potencial de agressão ao direito do trabalho dos jornalistas na Zona Norte do Rio de Janeiro. "Não é de hoje e este com certeza e infelizmente poderá não ser o último episódio deste tipo e de variadas formas de violência, não somente contra jornalistas, neste local, este episódio está dentro de um conflito maior e constante entre o Batalhão de Operações Especiais (Bope/RJ) e moradores de favelas do Complexo da Maré, que mostra também os erros e os limites das Unidades de Polícia Pacificadoras", comenta por aqui no blog da ecologia e a cidadania Folha Verde News, o repórter e ecologista Antônio de Pádua Padinha, ao editar estas informações sobre mais este problema de liberdade de expressão no Brasil: "Até entidades internacionais, como Repórteres Sem Fronteiras ou a própria ONU, têm se manifestado sobre estes problemas, que divulgamos direto em nosso blog, na luta para mudar e para avançar esta realidade infeliz e inaceitável", conclui Padinha ao finalizar este post.
 
Não só no Rio, aumentam os conflitos de policiais e moradores nas periferias das grandes cidades

 
Segundo o IBGE o Complexo da Maré são 17 comunidades, sofrendo este clima de violência
 
               www.ihu.unisinos.br
               www.folhaverdenews.com
 
         

6 comentários:

  1. As ameaças aos três repórteres relatadas nesta carta aberta do Sindicato dos Jornalistas do Rio às autoridades públicas, daquela cidade e do país, são mais um reflexo do clima de violência que abate todos os dias e todas as noites os moradores de periferia.

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  2. Assim como os conjuntos habitacionais do Complexo da Maré se favelizaram, muitos outros pontos da periferia de grandes cidades estão se favelizando diante dos problemas habitacionais e de condição de vida de muita gente, as mesmas pessoas que se integram a movimentos sociais do Sem Teto ou contra a Copa do Mundo da Fifa.

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  3. No caso das favelas da Maré, além dos erros e limites das UPS (que precisam realmente de revisão e de avanços), há o lado dos bandidos, como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, grupos de milícias e todos os tipos de traficantes e de quadrilhas, infernizando a vida da população das 17 comunidades ali.

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  4. Neste contexto de violência, temos também que ressaltar as carências da condição de vida, como o sistema de saúde pública, a falta de opções de lazer e de equipamentos culturais, coisas que deveriam ser o foco de investimentos públicos, mais do que o aperfeiçoamento da repressão...

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  5. Assim como o fotógrafo Naldinho Lourenço, da agência “Imagens do Povo”, uma das vítimas dos incidentes relatados na carta do Sindicato dos Jornalistas, muitos jovens (a maioria) intermetam e este fato é o que tem garantido a liberdade mínima de informação nas comunidades. Nas comunidades e no Brasil, a Internet é a mídia da liberdade.

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  6. ''Não só nas favelas do Rio ou SP, em qualquer bairro de periferia de qualquer cidade é esse inferno": este é um resumo da msm de Joelmir Santos, de Piracicaba (SP) que diz reconhecer o valor da liberdade da informação também. Envie vc tb a sua opinião sobre esta pauta aqui no blog, mande o e-mail para navepad@netsite.com.br

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