quinta-feira, 29 de maio de 2014

NÃO É AUTISMO NEM DESPREZO MAS UM COMPORTAMENTO MEIO QUE TÍPICO DA GERAÇÃO DIGITAL

Cientistas descobrem por que crianças ignoram os pais quando assistem TV ou manipulam algum equipamento digital: não se trata de um desvio de comportamento ou de caráter... E esta informação pode evitar alguns problemas e perigos da garotada da chamada geração digital



Crianças assistindo à TV | Crédito: BBC
Segundo pesquisadores, a noção de percepção periférica nas crianças é menos desenvolvida do que nos adultos

 Uma série de pesquisas realizadas por cientistas britânicos concluiu que a garotada não ignora "solenemente" os adultos, mas ligadas nos digitais, sofrem da chamada "cegueira não intencional". 
A cegueira, nesse caso, seria uma falta de percepção, especialmente quando algo foge do foco imediato de atenção das crianças e adolescentes. Segundo a professora Nilli Lavie, do Instituto de Neurociência Cognitiva da Universidade College London, no Reino Unido, as crianças têm menor noção periférica do que os adultos. "Pais e professores devem entender que até quando focam em coisas simples, as crianças têm menor percepção do que está ao redor delas, em comparação com os adultos".  "Uma criança tentando fechar o zíper do casaco enquanto cruza a rua, por exemplo, pode não ser capaz de prestar atenção no tráfego de automóveis, enquanto um adulto que esteja com plenas faculdades mentais não teria problema nenhum em exercer esses dois movimentos simultaneamente", acrescenta Lavie. "Em resumo, a capacidade de percepção do que está fora do foco de atenção se desenvolve com a idade. Dessa forma, crianças menores têm maior risco de sofrer o que chamamos de 'cegueira não intencional'", conclui a cientista Nilli Lavie.  A constatação dela é baseada em um experimento que ela conduziu recentemente para testar os níveis de "cegueira não intencional" em crianças e adultos. Lavie pediu a mais de 200 visitantes do Museu de Ciência de Londres para escolher a linha mais longa de uma tela com sete exemplos diferentes. Em uma das telas, um quadrado preto piscava e, em seguida, participantes tinham de responder se viram a figura.
Enquanto 90% dos adultos foram capazes de perceber a presença do quadrado durante praticamente todo o tempo, menos de 10% das crianças abaixo de 10 anos detectaram o objeto. Já crianças de 11 a 14 anos demonstraram uma maior capacidade de percepção, enquanto essa aptidão diminuía à medida que a dificuldade da tarefa aumentava. "Nas crianças, o córtex visual primário não respondia ao objeto presente na tela e isso parece se desenvolver com a idade, até os 14 anos e depois disso também. Mas eu não esperava que crianças mais velhas também sofressem de 'cegueira não intencional'. Seria interessante ver até que ponto esse comportamento se desenvolve". Pesquisas anteriores em cérebros de adultos sugerem que o córtex visual primário é a parte do cérebro responsável pela percepção dos objetos. Pacientes que sofreram algum tipo de dano nessa região tendem a experimentar menor noção periférica. Há, também, implicações óbvias do desenvolvimento tardio desse comportamento. Digitar no celular ao cruzar uma rua, por exemplo, se torna muito mais perigoso se tal percepção não estiver totalmente desenvolvida, por exemplo.

  As crianças com menos de 10 anos tem outra relação com o mundo digital

O livro organizado por Evelyn Eisenstein alerta sobre perigos e problemas de crianças e adolescentes agora

Fontes: BBC
             www.folhaverdenews.com
         

5 comentários:

  1. Da mesma forma e na mesma intensidade com que as crianças e adolescentes têm facilidade para manipular equipamentos digitais, os adultos estão desinformados sobre a estrutura cerebral e de comportamento desta garotada diante da TV, num micro ou num smartphone.

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  2. As informações desta série de pesquisas podem ajudar os adultos a entenderem mais e se relacionarem melhor com a garotada, além de servir de alerta quanto a problemas que podem ser evitados, para a saúde e a segurança das crianças e adolescentes.

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  3. Caso você conheça mais algumas informações sobre este assunto e queira contribuir com esta pauta, agradecemos, envie a sua opinião, comentário, informação ou msm para o e-mail do nosso blog: navepad@netsite.com.br

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  4. Estas informações destas pesquisas, presentes em parte também no livro Geração Digital, citado no post, tanto ajudam um aprofundamento da relação entre adultos e a garotada, como evitam problemas no dia a dia: para uma criança é muito mais perigoso por exemplo usar um celular e ao mesmo tempo atravessar a rua, algo que os adultos já automatizaram no seu dia a dia.

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  5. "Realmente, pela minha experiência as crianças não automatizam, vivenciam a emoção digital mais concentradamente, isso é bom por um lado, problemático por outro": é em resumo a msm de Cristianne Barros, da PUC Rio, mande vc tb a sua opinião para navepad@netsite.com.br

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